nav-logo
Compartilhe

    Exame de toxoplasmose: o que é e como é feito

    Recebeu o pedido de exame de toxoplasmose e está com dúvidas? Entenda para que serve, como é feito e o que cada resultado significa. Continue lendo.

    Fonte: Dra. Luisa Frota ChebaboInfectologistaPublicado em 25/03/2026, às 09:58 - Atualizado em 25/03/2026, às 09:58

    Exame de toxoplasmose
    Agendar exames

    A lista de exames do pré-natal pode parecer longa e, entre tantos nomes técnicos, um deles costuma gerar apreensão: a sorologia para toxoplasmose. Esse receio é compreensível, especialmente pelos riscos que a infecção pode oferecer ao bebê. 

    Contudo, entender o propósito desse exame é o primeiro passo para um acompanhamento tranquilo e seguro. Ele funciona como um mapa, mostrando ao médico se você já teve contato com o parasita, se está com uma infecção recente ou se precisa adotar cuidados preventivos.

    O que é a toxoplasmose e por que ela é uma preocupação na gravidez?

    A toxoplasmose é uma infecção causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Na maioria das pessoas com sistema imunológico saudável, a doença não provoca sintomas ou se manifesta de forma branda, semelhante a um resfriado leve. 

    O cenário muda durante a gestação. Se a mãe for infectada pela primeira vez enquanto grávida, o parasita pode atravessar a placenta e atingir o feto. Essa transmissão, conhecida como toxoplasmose congênita, pode resultar em complicações sérias para o desenvolvimento do bebê.  

    Como a infecção materna pode ser assintomática, ou seja, passar despercebida, o rastreamento sorológico (o exame de sangue) é a principal ferramenta para identificar a doença precocemente. A detecção a tempo permite iniciar o tratamento e reduzir drasticamente a transmissão e a severidade da doença no feto. 

    Para que serve o exame de toxoplasmose?

    O exame de toxoplasmose, também chamado de sorologia, é um teste de sangue que busca por anticorpos específicos produzidos pelo corpo em resposta ao Toxoplasma gondii. Ele é uma ferramenta essencial no pré-natal, mas também pode ser solicitado em outras situações. 

    Seu principal objetivo é verificar se ela já teve contato prévio com o parasita e desenvolveu defesas ou se está suscetível a uma nova infecção. Em caso de suspeita, o exame também confirma uma infecção ativa. 

    A obrigatoriedade deste tipo de triagem durante o pré-natal é considerada uma medida de saúde pública altamente eficaz. Isso permite a detecção e o tratamento precoce da infecção. Assim, é possível diminuir tanto a taxa de transmissão da toxoplasmose congênita quanto a gravidade da doença que atinge o bebê.

    Agendar exames

    Como o exame de toxoplasmose é feito?

    A realização do exame é simples e rápida. Uma pequena amostra de sangue é coletada, geralmente de uma veia do braço, e enviada para análise em laboratório. Na maioria dos casos, não é necessário realizar jejum, mas é sempre importante confirmar a orientação do laboratório responsável pela coleta. 

    O rastreamento na gestação é feito através de um exame inicial que mede os anticorpos IgG e IgM. Se a mulher for afetada pela infecção, o protocolo indica a repetição mensal do exame. Esse monitoramento contínuo permite detectar a seroconversão – ou seja, quando a mulher se infecta – de forma rápida.  

    O início imediato do tratamento é crucial para prevenir a transmissão e reduzir a gravidade de lesões cerebrais ou oculares no feto. 

    Como interpretar os resultados do exame de toxoplasmose?

    A interpretação dos resultados é a parte que mais gera dúvidas. O laudo analisa principalmente dois tipos de anticorpos: o IgG e o IgM. Entender a função de cada um é fundamental para decifrar o diagnóstico. 

    Entendendo os anticorpos: o que são igg e igm? 

    Pense nos anticorpos como soldados do seu sistema imunológico. Cada um tem uma função e um tempo de ação diferentes. 

    • IgM (Imunoglobulina M): é o primeiro anticorpo a ser produzido quando o corpo entra em contato com um invasor. Sua presença geralmente indica uma infecção recente ou em atividade. Ele tende a desaparecer do sangue meses após a fase aguda. 
    • IgG (Imunoglobulina G): este anticorpo é produzido mais tardiamente e representa a “memória” imunológica. Uma vez que o IgG é positivo, ele permanece no organismo por toda a vida, indicando que a pessoa já teve contato com o agente infeccioso e possui imunidade. 

    Cenários comuns e o que significam

    A combinação dos resultados de IgG e IgM permite ao médico traçar um panorama preciso. Abaixo, detalhamos as interpretações mais comuns em uma tabela. 

    Resultado IgG 

    Resultado IgM 

    Interpretação Provável 

      

    Reagente (Positivo) 

    Não Reagente (Negativo) 

    Indica infecção passada. A pessoa possui imunidade e não há risco de transmitir ao feto. 

    Não Reagente (Negativo) 

    Não Reagente (Negativo) 

    Indica que a pessoa nunca teve contato com o parasita. É suscetível e precisa adotar medidas de prevenção. 

    Não Reagente (Negativo) 

    Reagente (Positivo) 

    Pode indicar uma infecção muito recente (fase aguda). Exames complementares são necessários para confirmação. 

    Reagente (Positivo) 

    Reagente (Positivo) 

    Resultado inconclusivo. Pode ser uma infecção recente ou um IgM residual. O médico solicitará o teste de avidez. 

    O que é o teste de avidez para toxoplasmose?

    Quando tanto o IgG quanto o IgM dão positivo, surge a dúvida: a infecção é recente ou antiga? Para resolver essa questão, o médico solicita o teste de avidez do IgG. 

    Este exame mede a “força” da ligação entre o anticorpo IgG e o parasita. Uma alta avidez significa que a infecção é antiga (geralmente com mais de 4 meses), descartando o risco de transmissão ao feto. Por outro lado, uma baixa avidez sugere que a infecção é recente, exigindo início imediato do tratamento para proteger o bebê. 

    Quais são os riscos da toxoplasmose congênita para o bebê?

    A gravidade das sequelas da toxoplasmose congênita depende muito da idade gestacional em que a infecção ocorre. Quanto mais cedo na gravidez, maiores os riscos de complicações, que podem incluir: 

    • problemas de visão e audição; 
    • atraso no desenvolvimento neuropsicomotor; 
    • lesões neurológicas; 
    • em casos mais graves, pode levar ao aborto espontâneo. 

    Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar esses riscos. Realizar o rastreamento durante a gestação e iniciar o tratamento pré-natal, se necessário, pode reduzir em até seis vezes o risco de o bebê desenvolver complicações futuras relacionadas à infecção. 

    Como prevenir a toxoplasmose, especialmente na gestação?

    Para gestantes que nunca tiveram contato com o parasita (IgG negativo), a prevenção é a melhor estratégia. Medidas simples no dia a dia reduzem drasticamente o risco de contaminação. 

    • Higiene dos alimentos: lave bem frutas, verduras e legumes em água corrente antes de consumir. 
    • Cozimento completo: cozinhe bem as carnes (boi, porco, frango, carneiro), evitando o consumo de carnes mal passadas ou cruas. 
    • Cuidado com laticínios: consuma apenas leite e derivados pasteurizados. 
    • Água potável: beba somente água filtrada ou fervida. 
    • Jardinagem: use luvas ao manusear a terra e lave bem as mãos depois. 
    • Animais de estimação: evite o contato com fezes de gatos. Se precisar limpar a caixa de areia, use luvas e higienize as mãos em seguida. Ofereça apenas ração ao seu gato, evitando que ele cace. 

    O acompanhamento médico durante todo o pré-natal é indispensável. Apenas um profissional de saúde pode interpretar corretamente os exames e indicar os próximos passos, garantindo a saúde da mãe e do bebê.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

    Encontrou a informação que procurava?
    nav-banner

    Veja também

    Escolha o melhor dia e lugarAgendar exames