Sífilis: o que é, sintomas e tratamentos
Infecção sexualmente transmissível tem cura, mas pode levar à morte em seu estágio mais grave

O Brasil tem registrado uma tendência de crescimento na detecção da sífilis. Conforme dados do Ministério da Saúde, a taxa de detecção da sífilis adquirida (contraída por adultos) alcançou 120,8 casos por 100.000 habitantes em 2024.
Esse índice representa um aumento significativo ao longo da série histórica, que foi revertido apenas brevemente em 2020 (provavelmente pela diminuição da testagem durante a pandemia de Covid-19), mas retomou a alta já em 2021 (82,8 casos por 100.000 habitantes). Entre 2010 e junho de 2025, o país registrou um total de 1.902.301 casos de sífilis adquirida.
Neste artigo, você vai ler:
Como a sífilis é transmitida?
A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum que tem cura e é exclusiva do ser humano. Ela pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, por compartilhamento de seringas contaminadas ou ainda para o bebê durante a gestação ou parto, caso a mãe esteja infectada sem tratamento; sendo chamada de transmissão congênita ou vertical, neste segundo caso.
Como prevenir a sífilis?
A melhor forma de prevenir a sífilis é com o uso de preservativo (camisinha) em todas as relações sexuais, incluindo sexo vaginal, anal ou oral.
Além disso, é recomendado realizar exames e testes para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) periodicamente, especialmente no caso de pessoas sem parceiro fixo, que estejam iniciando a vida sexual ou planejando engravidar. Os testes não previnem a infecção em si, mas permitem o tratamento precoce, o que ajudaria a evitar complicações.
Gestantes devem fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal, garantindo que o tratamento seja feito (caso necessário) para evitar a transmissão ao bebê.
Sífilis tem cura?
Sim, a sífilis tem cura. O tratamento é simples, principalmente quando a doença é diagnosticada em seus estágios iniciais. Geralmente, ele é feito com antibióticos, sendo a penicilina intramuscular (conhecida como Benzetacil) o mais utilizado e disponível na rede pública.
A quantidade de doses ou aplicações necessárias varia de acordo com o estágio da infecção (primária, secundária, latente ou terciária). Mesmo sendo curável, uma pessoa pode ser infectada novamente se tiver contato com a bactéria, pois pegar a doença uma vez não promove imunidade.
Sintomas de sífilis
Os sintomas variam conforme o estágio da sífilis em que o paciente foi diagnosticado. Confira abaixo:
Tipos de sífilis
É classificada pela forma de transmissão (adquirida ou congênita) ou estágio da infecção. Em relação aos estágios da sífilis, veja a seguir quais os sintomas:
Sífilis primária
É o estágio inicial da doença e os seus sintomas podem aparecer a partir do terceiro ou quarto dia após a infecção.
Principais sintomas:
- Feridas indolores aparecem no local por onde a bactéria entrou, como pênis, vagina, ânus, boca, vulva e colo uterino;
- Normalmente essas feridas não doem, não ardem, não coçam e nem tem pus.
Sífilis secundária
Acontece quando a forma primária não é tratada e a bactéria invade a corrente sanguínea penetrando em várias estruturas do organismo. Os sintomas do estágio secundário podem aparecer a partir de duas semanas depois da formação das primeiras feridas.
Principais sintomas:
- Surgimento de manchas na pele e mucosas do corpo, que podem coçar ou não;
- Febre;
- Dores musculares;
- Dor de garganta;
- Dificuldade de deglutição;
- Presença de gânglios.
Sífilis latente
Nesta fase não há sintomas, sendo que a doença só diagnosticada pelos exames de sangue.
Esse é o estágio em que a bactéria fica inativa, podendo demorar muito tempo para voltar a se manifestar, mas que, se não tratada, pode avançar para o próximo estágio.
Sífilis terciária
É o estágio mais grave da doença. Pode surgir um ano depois da infecção ou até mesmo 40 anos depois e levar à morte.
Principais sintomas:
- Náuseas e vômitos;
- Alucinações;
- Perda da audição;
- Lesões cutâneas, que são úlceras na pele;
- Lesões ósseas, causando necrose e deformidade dos ossos;
- Lesões cardiovasculares, podendo ocorrer aneurisma, insuficiência da válvula aórtica – que ocorre quando o sangue da aorta volta para o ventrículo esquerdo do coração – entre outras complicações;
- Lesões neurológicas como alterações de personalidade, vertigem e dores de cabeça.
Sífilis congênita
É transmitida da mãe infectada não tratada para o bebê por meio da placenta ou durante o parto, se houver lesões genitais maternas da doença. A maioria dos bebês que nascem infectados não manifesta sintomas ao nascimento, mas algumas crianças podem apresentar sintomatologia posteriormente.
Principais sintomas:
- Rachaduras nas mãos e solas dos pés;
- Em casos mais graves da doença, pode ocorrer surdez e deformidades nos dentes.
Exames que auxiliam no diagnóstico da sífilis?
O diagnóstico da sífilis é feito principalmente por meio dos seguintes exames de sangue:
- Testes não treponêmicos: o VDRL é o mais comum nesta triagem. Ele não detecta a bactéria diretamente, mas sim os anticorpos que o organismo produz em resposta à infecção. É também utilizado para monitorar a resposta ao tratamento.
- Testes treponêmicos: detectam anticorpos específicos contra a bactéria Treponema pallidum. Os testes rápidos, disponíveis no SUS, trazem o resultado em poucos minutos.
Frequentemente, os médicos combinam os dois tipos de testes (um não treponêmico e um treponêmico) para confirmar o diagnóstico.
Tratamento e prevenção
A sífilis tem cura e o tratamento é relativamente simples, podendo variar de acordo com o estágio da infecção. Geralmente é feito com antibióticos que são eficazes contra a bactéria que causa a doença.
Se detectada nos estágios iniciais, uma única injeção pode ser suficiente. Caso a sífilis esteja em estágio mais avançado, outras aplicações podem ser necessárias.
É necessária a realização de exames de sangue para acompanhamento após três, seis, 12 e 24 meses para garantir que a infecção chegou ao fim.
O uso de camisinhas ainda é a melhor maneira de prevenir as ISTs. Já no caso das gestantes, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal, e caso detectada, realizar o tratamento para evitar a transmissão vertical para o bebê.