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    Linfócitos: a importância dessa célula do nosso corpo

    Os linfócitos são células sanguíneas que integram o sistema de defesas do corpo. O hemograma é o exame que permite avaliá-los em termos de quantidade e formato.

    Fonte: Dra. Elaine Sobral da Costa Sobral da Costamédica hematologista pediátricaPublicado em 17/03/2026, às 17:46 - Atualizado em 17/03/2026, às 20:54

     

    Diversas células imunes circulam pelo nosso sangue. Entre elas, estão os linfócitos, que atuam na defesa do corpo contra ameaças como, por exemplo, vírus e bactérias. O hemograma é a principal maneira de monitorar essas células, avaliando se estão em quantidade adequada e com características morfológicas e formato normais.

     

    Linfócitos: o que são e qual sua função?

    Os linfócitos são um tipo de leucócitos, células que compõem o nosso sistema imunológico e que também são conhecidas como glóbulos brancos. Produzidos na medula óssea e no timo, eles são essenciais para a defesa do corpo e circulam pelo sangue e pelo sistema linfático (que inclui órgãos como os gânglios, o baço, as amígdalas, dentre outros).

    Os linfócitos são considerados a linha de frente da nossa imunidade adaptativa, que é a capacidade do corpo de reconhecer e criar uma defesa específica e duradoura contra um invasor.

    Então, a principal função dos linfócitos seria justamente identificar e destruir agentes patogênicos, como, por exemplo, vírus, bactérias, células anormais (tumorais), dentre outros.

    Tipos de linfócitos

    Existem três tipos principais de linfócitos, e cada um desempenha funções específicas com o objetivo de proteger o organismo.

    Linfócitos B

    Os linfócitos B são responsáveis por produzir anticorpos contra agentes estranhos – como vírus, bactérias, toxinas, dentre outros. Além disso, podem guardar a memória da imunidade contra estes agentes ao longo da nossa vida.

    Linfócitos T

    Os linfócitos T são os maestros responsáveis por dirigir a nossa resposta imune específica, se comunicando com os outros tipos de linfócitos e outras células imunes.

    Um subtipo de linfócitos T também tem a capacidade de destruir células que foram infectadas por vírus e células tumorais. Além disso, uma parte desses linfócitos auxiliam a regular as respostas imunológicas – evitando, por exemplo, excessos e ataques contra o próprio organismo (autoimunidade).

    Linfócitos NK

    Os linfócitos NK são “citotóxicos”, isto é, têm a capacidade de destruir células que foram infectadas por vírus, células tumorais, dentre outros.

    Linfócitos alterados: quais os principais sintomas?

    A alteração nas contagens de linfócitos, por si só, pode não causar sintomas dependendo dos seus níveis.

    Entretanto, se há uma diminuição moderada a grave das suas contagens (linfopenia), pode haver um risco maior de infecções. Já a elevação das contagens de linfócitos (linfocitose) só dá sintomas em casos raros extremos, nos quais há um aumento tão grande da quantidade dessas células que leva a um aumento da viscosidade do sangue e risco de sintomas obstrutivos.

    Linfopenia

    A linfopenia corresponde à baixa concentração de linfócitos no sangue (inferior ao valor de referência). Ela pode ser causada por vários fatores, entre os quais podemos exemplificar:

    • Desnutrição;
    • Infecções (como HIV, tuberculose, hepatites virais, gripe, etc);
    • Doenças hematológicas (como linfoma de Hodgkin e aplasia medular);
    • Doenças autoimunes (como artrite reumatoide, lúpus e síndrome de Sjögren);
    • Erros inatos da imunidade (anteriormente chamados de imunodeficiências primárias), que são doenças genéticas/hereditárias, a exemplo de ataxia-telangiectasia, síndrome de DiGeorge, imunodeficiência comum variável, imunodeficiência combinada grave e síndrome de Wiskott-Aldrich, dentre outros;
    • Alguns tratamentos (como quimioterapia, radioterapia, transplante de medula óssea, uso prolongado de esteroides, dentre outros).

    Em casos graves de linfócitos baixos, é possível que o indivíduo fique mais vulnerável a infecções.

    Linfocitose

    A linfocitose consiste na elevada concentração de linfócitos no sangue (acima do valor de referência). Ela pode ser resultado de condições diversas, como por exemplo:

    • Infecções (como coqueluche, mononucleose, HIV, hepatites virais, gripe, tuberculose e toxoplasmose);
    • Infarto do miocárdio;
    • Tabagismo;
    • Uso de alguns medicamentos (como drogas anticonvulsivantes);
    • Neoplasias hematológicas/distúrbios linfoproliferativos (como leucemia linfocítica e linfoma não Hodgkin).

    Na imensa maioria dos casos, a presença de linfocitose e a avaliação da morfologia dos linfócitos no hemograma não causa qualquer sintoma, mas pode auxiliar no diagnóstico de algumas condições em conjunto com o quadro clínico e outros sintomas.

    Quais exames preciso realizar?

    O hemograma é o exame usado para avaliar a quantidade e as características morfológicas de linfócitos e demais células do sangue. Ele deve ser solicitado de acordo com os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, ou pode fazer parte da avaliação de risco cirúrgico (exames pré-operatórios) ou de exames de check-up.

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    Nível de linfócitos alterado: qual a abordagem recomendada?

    Para definir a abordagem mais adequada, é necessário identificar o que está causando a alteração no nível de linfócitos.

    No caso de infecções

    O quadro clínico associado ao hemograma pode sugerir alguns exames específicos para investigação do agente etiológico, como, por exemplo, sorologias para determinados vírus, entre outros exames possíveis.

    O tratamento pode variar enormemente a depender do tipo de infecção. Há situações em que não é necessário nenhum tratamento específico, enquanto em outros casos há necessidade de medicamentos antivirais ou antibióticos para combater o patógeno, além de outros fármacos para alívio dos sintomas.

    Para avaliar a suspeita de doenças autoimunes

    Podem ser necessários o estudo de autoanticorpos ou outros exames. A solicitação varia conforme o quadro clínico e, via de regra, é feita por um médico reumatologista. Muitas das condições autoimunes são tratadas com medicamentos imunossupressores – como, por exemplo, corticoides, entre outros.

    Para avaliar a suspeita de erros inatos da imunidade

    Inicialmente são necessárias a dosagem das imunoglobulinas (que são os anticorpos produzidos pelos linfócitos B) e a quantificação dos subtipos dos linfócitos através da imunofenotipagem, além do hemograma e da avaliação por um imunologista, que pode requerer outros exames específicos.

    Nas suspeitas de neoplasias hematológicas

    Pode ser necessária a avaliação da medula óssea (se a suspeita for de leucemia) ou biópsia de gânglio ou massa tumoral (se a suspeita for linfoma). Em certos casos, se houver um grande aumento de linfócitos, a imunofenotipagem para neoplasias hematológicas pode elucidar o diagnóstico em amostra de sangue periférico.

    Mas vale ressaltar também que muitas situações de linfócitos alterados não exigem tratamento. Quadros de gripe, por exemplo, são autolimitados na enorme maioria das vezes. Assim, o nível de linfócitos tende a voltar ao normal após a resolução da doença, sem que seja necessária alguma intervenção médica.

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