Exame de renina investiga hipertensão resistente
Teste ajuda a diferenciar problemas de circulação renal de falhas nas glândulas suprarrenais

Produzida nos rins, a renina é uma enzima que atua no controle da pressão arterial. Ela ajuda a equilibrar a quantidade de líquidos e a concentração de sal circulando no seu organismo.
Sempre que o fluxo de sangue diminui para os rins ou falta sódio, ela logo entra em ação. E esse mecanismo dispara um alerta químico que contrai os vasos e eleva a pressão de volta ao normal.
O exame de renina é uma das ferramentas que o médico tem para investigar casos de hipertensão que não respondem aos remédios comuns.
Neste artigo, você vai ler:
Renina: o que é?
A renina é uma enzima secretada por células dos rins chamadas justaglomerulares. Ela é a responsável por ativar o sistema que regula a pressão sanguínea e o equilíbrio de fluidos no organismo.
Para entender a renina, precisamos olhar para o “sistema renina-angiotensina-aldosterona”. Ele funciona como um efeito dominó. Quando os rins percebem que a pressão caiu ou que o volume de sangue está baixo, eles liberam a renina na corrente sanguínea.
Assim que cai no sangue, a renina “quebra” uma proteína produzida pelo fígado (o angiotensinogênio) e a transforma em angiotensina I. Depois, outra enzima converte isso em angiotensina II. É a angiotensina II que faz os vasos sanguíneos se estreitarem, aumentando a pressão.
Mas a renina não trabalha sozinha. A ação dela estimula a produção de aldosterona, um hormônio feito nas glândulas suprarrenais (que ficam logo acima dos rins). É a aldosterona que manda os rins segurarem o sódio dentro do corpo. Como a água segue o sódio, o volume de sangue aumenta e a pressão sobe.
Ao mesmo tempo, para manter o equilíbrio elétrico das células, o corpo precisa eliminar potássio na urina. Esse ciclo contínuo garante que você não desmaie ao levantar-se da cama, por exemplo. Mas, quando desregulado, vira uma doença.
Para que serve o exame de renina?
O exame serve, principalmente, para investigar a causa da hipertensão arterial secundária, ou seja, quando a pressão alta é sintoma de outra doença base, e não causa da chamada hipertensão essencial, que é a hipertensão comum.
Em geral, a hipertensão primária (aquela comum, que vem com a idade ou genética) não tem uma causa única. Mas, no caso da secundária, exame de renina pode achar o culpado, que pode ser a produção excessiva de aldosterona, condição chamada de hiperaldosteronismo primário.
Ele é indicado nas seguintes situações:
- Hipertensão em pessoas jovens (menos de 40 anos).
- Pressão que não baixa mesmo usando três ou mais medicamentos diferentes.
- Níveis baixos de potássio no sangue sem motivo aparente.
- Descoberta acidental de nódulos nas glândulas suprarrenais.
Na prática médica, além da renina, os médicos avaliam a “atividade plasmática de renina” (APR) ou a concentração direta da enzima junto com a dosagem de aldosterona.
Eles fazem a seguinte conta: dividem o valor da aldosterona pelo valor da renina. Essa “relação aldosterona/renina” (RAR) é o padrão-ouro para triagem.
Dependendo do resultado dessa divisão, o médico sabe se o problema está na produção excessiva de hormônios ou se os rins estão sofrendo com falta de sangue.
Doenças que podem ser detectadas no exame de renina
O teste ajuda a diagnosticar distúrbios hormonais, problemas nas artérias renais e condições genéticas que afetam o metabolismo do sal. E as principais condições detectadas seriam as descritas a seguir.
Hiperaldosteronismo primário (Síndrome de Conn)
É a causa mais comum de hipertensão secundária. Acontece quando a suprarrenal produz aldosterona demais, geralmente por causa de um tumor benigno (adenoma) ou crescimento da glândula (hiperplasia). O excesso de aldosterona faz a renina cair para níveis muito baixos (supressão).
Hipertensão renovascular
Acontece quando as artérias que levam sangue aos rins ficam estreitas (estenose). O rim “pensa” que a pressão está baixa porque chega pouco sangue e, para compensar, dispara a produção de renina. Aqui, a renina fica muito alta.
Hiperplasia adrenal congênita (HAC)
Doença genética que afeta a produção de hormônios. Na forma perdedora de sal, o corpo não consegue reter sódio suficiente, o que eleva muito a renina como uma tentativa desesperada do corpo de compensar a perda.
Tumores produtores de renina
São extremamente raros, mas existem. É um tumor no próprio rim que secreta a enzima sem parar, causando pressão muito alta.
Preparo
A renina é sensível à postura do paciente no momento do exame, à dieta dele e aos remédios que estiver tomando. Por isso, o preparo para exame exige os cuidados descritos a seguir.
Jejum
A maioria dos laboratórios exige um período sem comer. O tempo varia, mas costuma ser de 4 a 8 horas. É importante confirmar essa informação no momento do agendamento.
Medicamentos
Muitos remédios para pressão alteram o resultado da dosagem de renina ou da relação RAR. Diuréticos, beta-bloqueadores e inibidores da ECA podem mascarar a doença na medida em que podem alterar os testes. O médico pode pedir para trocar ou suspender essas medicações por um período que varia de 2 a 6 semanas antes da coleta. Nunca pare de tomar remédios por conta própria; converse com seu médico.
Dieta
O consumo de sal nos dias anteriores ao exame influencia a renina. Uma dieta muito pobre em sódio pode aumentar os níveis da enzima artificialmente. O ideal é manter uma alimentação normal, sem exageros nem restrições severas, a não ser que o médico oriente diferente.
Como o exame de renina é feito?
O procedimento é um exame de sangue comum. O médico solicitante pode ou não recomendar as condições de preparo como a coleta em repouso ou em pé.
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