Quedas: prevalência, impactos e prevenção
As quedas representam um importante problema de saúde pública, especialmente entre pessoas idosas, sendo responsáveis por altas taxas de morbidade, mortalidade e custos aos sistemas de saúde.

As quedas representam um importante problema de saúde pública, especialmente entre pessoas idosas, sendo responsáveis por altas taxas de morbidade, mortalidade e custos aos sistemas de saúde.
A última edição do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos no Brasil (ELSI-Brasil) revelou que a prevalência de quedas em idosos nas áreas urbanas foi de 25%, ou seja, 1 em cada 4 idosos já sofreu uma queda em um ano. Entre aqueles com mais de 80 anos, está prevalência pode atingir 40%.
As quedas em idosos são um problema grave porque podem gerar importantes impactos físicos, emocionais e sociais.
Neste artigo, você vai ler:
Tipos de queda mais comuns no ambiente doméstico
Muitas pessoas acreditam que a rua é o lugar mais perigoso, mas as estatísticas mostram o contrário. Cerca de 70% das quedas em pessoas idosas acontecem dentro de casa, caracterizando-se como um típico acidente doméstico.
Esses eventos ocorrem principalmente em ambientes de rotina, como banheiro, cozinha e quarto, onde fatores aparentemente inofensivos — como tapetes soltos, iluminação inadequada e pisos escorregadios — se tornam armadilhas perigosas para quem já tem a mobilidade reduzida.
Queda da própria altura
Tecnicamente chamada de queda de nível zero, a queda da própria altura ocorre quando a pessoa cai no mesmo nível em que está pisando, sem que haja uma altura elevada envolvida.
Geralmente, ela é causada por tropeços (em fios, tapetes ou desníveis da calçada), escorregões em piso molhado ou por tonturas súbitas ao se levantar rápido demais (hipotensão postural).
Apesar de parecer menos grave que cair de uma escada, é a causa mais frequente de fraturas de fêmur e quadril na terceira idade.
Queda em superfícies altas como bancos e escadas
O risco de quedas em idosos aumenta consideravelmente quando há improvisação. O hábito de subir em banquinhos instáveis, cadeiras de plástico ou escadas domésticas sem apoio para alcançar armários altos, limpar vidros ou trocar lâmpadas é gravíssimo.
Nesses casos, a queda gera um impacto muito maior no corpo, elevando as chances de traumatismo craniano e fraturas múltiplas, uma vez que o idoso, muitas vezes, não tem reflexo suficiente para se proteger durante a descida brusca.
Consequências físicas
- Fraturas, especialmente de fêmur, punho e vértebras.
- Traumatismos cranianos.
- Imobilidade temporária ou permanente.
- Perda de autonomia e maior necessidade de cuidadores.
As lesões decorrentes da queda podem ser tão graves que configuram como causa relevante de mortalidade entre os idosos.
Impactos emocionais e psicossociais
- Medo de cair novamente (síndrome pós‑queda).
- Redução de atividades sociais e isolamento.
- Perda de confiança para caminhar ou realizar tarefas simples.
Consequências funcionais
- Declínio funcional acelerado.
- Necessidade de reabilitação intensiva.
- Aumento da dependência em atividades diárias.
Os fatores implicados nas quedas entre os idosos são diversos, e vão desde condições clínicas como fragilidade física, queda de pressão arterial, depressão, ansiedade, o medo de novas quedas e uso de calçados inadequados até questões ambientais, como ambientes mal iluminados, escorregadios, com tapetes soltos.
Como agir após uma queda?
Saber o que fazer nos primeiros minutos é crucial para evitar o agravamento das lesões. O protocolo recomendado pelos serviços de emergência é:
Avalie a situação
Antes de tentar levantar o idoso, verifique se ele está consciente e pergunte onde dói.
Se houver dor forte ou batida na cabeça
Se ele reclamar de dor intensa no quadril, pernas ou coluna, não tente levantá-lo. Movimentar a pessoa pode deslocar uma fratura ou piorar uma lesão na medula. Mantenha-a aquecida e chame o SAMU (192) imediatamente.
Se não houver sinais graves
Caso o idoso esteja lúcido e sem dores fortes, acalme-o. Ajude-o a rolar devagar para o lado, ficar na posição de quatro apoios e, então, usar uma cadeira firme ou sofá como apoio para se erguer lentamente. Na dúvida, sempre procure o pronto-socorro para uma avaliação detalhada.
Principais medidas de prevenção de quedas na sociedade:
A prevenção de quedas envolve estratégias multifatoriais, combinando intervenções individuais, ambientais e comunitárias. As principais medidas incluem:
Ambiente domiciliar mais seguro
- Melhoria da iluminação.
- Instalação de barras de apoio em banheiros e corredores.
- Remoção de tapetes soltos e obstáculos.
- Adequação de calçadas e vias públicas
Atividade física direcionada
- Programas de fortalecimento muscular.
- Atividades focadas em equilíbrio e coordenação.
- Participação em programas de atividade física que visem o desenvolvimento de agilidade, força, equilíbrio, coordenação e ganho de força do quadríceps e mobilidade do tornozelo.
Acompanhamento médico
- Avaliação de problemas visuais e indicação de correção adequada.
- Exames oftalmológicos e físicos anuais, em específico para detectar a existência de problemas cardíacos e de pressão arterial.
- Controle de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doenças neurológicas).
- Orientação de idosos e familiares sobre fatores de risco e formas de prevenção.
- Orientação sobre os efeitos colaterais dos remédios que está tomando
Cuidados adicionais, especialmente na rua
- Usar sapatos com sola antiderrapante.
- Amarrar o cadarço do calçado de forma firme e segura.
- Substituir os chinelos que estão deformados ou muito frouxos.
- Atravessar a rua na faixa de pedestres, olhe sempre nas duas direções e tome cuidado também com os veículos de pequeno porte (bicicletas, motos e outros);
- Só atravessar após os carros pararem.
- Ao sair para as compras, usar sacolas pequenas, evitando carregar peso.
- Prestar maior atenção quando estiver andando em lugares que não conhece ou mal iluminados.
- Atenção com os buracos e desníveis das calçadas.
- Esperar que o ônibus pare completamente para subir ou descer dele.
- Se necessário, usar bengalas, muletas ou instrumentos de apoio.
Conclusão
As quedas constituem um problema crescente e de grande relevância em saúde pública. Com uma prevalência que atinge cerca de 30% dos idosos anualmente e uma incidência em ascensão no Brasil, suas consequências físicas, emocionais e financeiras são expressivas.
A implementação de estratégias de prevenção — envolvendo exercício físico, adaptação ambiental, educação e políticas públicas — é essencial para reduzir o impacto desse agravo tanto na vida das pessoas quanto nos custos para o sistema de saúde.
Prevenir é um ato de cuidado.