Testosterona biodisponível: para que serve o exame e quando é indicado?
Muitas vezes, medir apenas a testosterona total não mostra o quadro completo; saiba quando a fração “livre” do hormônio é importante

Quando falamos em dosagem de testosterona, há uma grande diferença entre a quantidade total de hormônio que temos no organismo e a quantidade que as nossas células realmente conseguem usar. É o que chamamos de testosterona biodisponível.
A dosagem dessa testosterona ajuda a entender melhor casos em que o paciente tem todos os sintomas de desequilíbrio hormonal (como cansaço extremo ou problemas sexuais), mas os exames de rotina parecem “normais” por alterações nas proteínas que carregam a testosterona no sangue.
Neste artigo, você vai ler:
Testosterona biodisponível: o que é?
A testosterona biodisponível representa a fração do hormônio que circula livremente no sangue ou que está fracamente ligada a proteínas, sendo capaz de entrar nas células e agir no corpo.
Para entender, precisamos saber que a testosterona total circula de três formas:
- Ligada ao SHBG: cerca de 60% do hormônio está “preso” a essa proteína e não consegue agir. É biologicamente inativo.
- Ligada à albumina: uma parte está ligada de forma fraca e pode se soltar para ser usada.
- Livre: uma pequena porcentagem (2% a 3%) circula totalmente solta.
A testosterona biodisponível é a soma da fração livre com a ligada à albumina. É ela que realmente importa para a manutenção dos músculos, ossos e função sexual.
Alterações nos níveis da testosterona biodisponível
Os valores podem variar muito ao longo da vida, mas alterações bruscas indicam problemas que precisam ser tratados.
Testosterona biodisponível baixa
Em homens, a queda desses níveis é natural com o envelhecimento (andropausa), mas quando ocorre precocemente, gera sintomas claros de hipogonadismo, como perda de massa muscular, aumento de gordura abdominal, depressão e a queixa frequente de falta de libido.
Testosterona biodisponível alta
Em mulheres, níveis elevados são atípicos e geralmente apontam para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou tumores produtores de androgênios, causando sintomas como excesso de pelos e acne.
Como aumentar a testosterona biodisponível?
Não existe uma receita única, mas sim o tratamento da causa base. Se a baixa for causada por obesidade, por exemplo, a perda de peso ajuda a reduzir a conversão do hormônio em estrogênio. Em casos diagnosticados de deficiência hormonal, o médico pode r a terapia de reposição. Importante: O uso de suplementos sem orientação pode piorar o quadro e bloquear a produção natural do corpo.
Quando o exame de testosterona biodisponível é indicado?
Este exame não é um teste de rotina. Ele é solicitado quando a dosagem total deixa dúvidas. E as principais indicações são:
- Investigação de sintomas de hipogonadismo em homens com testosterona total no limite inferior.
- Avaliação da saúde reprodutiva e fertilidade, especialmente em casos em que o espermograma aponta baixa contagem de espermatozoides ou azoospermia.
- Investigação de sinais de virilização em mulheres (voz grossa, calvície masculina).
- Idosos, pois a proteína SHBG aumenta com a idade, “prendendo” mais testosterona e falseando a dosagem total.
Portanto, importante lembrar que não há indicação de dosagem de testosterona, nem total nem na forma biodisponível, para investigação laboratorial diante de queixas inespecíficas de fadiga, ganho de peso ou até para aumento de performance esportiva.
Como o exame é feito?
Trata-se de uma coleta de sangue comum. Mas o laboratório habitualmente não mede a testosterona biodisponível diretamente. Ele dosa testosterona total, SHBG e albumina. E, com esses números, é feito um cálculo matemático para chegar ao valor biodisponível.
Exames complementares
Para avaliar adequadamente a queixa de hipogonadismo (falta de hormônios sexuais), o médico costuma avaliar em conjunto:
- Testosterona livre calculada.
- LH e FSH (hormônios da hipófise que controlam os testículos/ovários).
Preparo para o exame de testosterona biodisponível
O preparo é rigoroso porque os hormônios oscilam durante o dia. Então, a coleta deve ser feita preferencialmente pela manhã (entre 7h e 9h), quando ocorre o pico hormonal. Outro ponto importante é a coleta em situações normais, pois as doenças agudas podem reduzir temporariamente a produção de testosterona.
Geralmente recomenda-se um jejum de 8 a 12 horas. E o paciente deve avisar se usa biotina (vitamina para cabelo), pois ela interfere no exame e deve ser suspensa 3 dias antes.
Testosterona biodisponível: preço e onde agendar
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