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    Diabetes gestacional: causas, sintomas e riscos

    Exames de sangue feitos no pré-natal ajudam a diagnosticar diabetes gestacional

    Fonte: Dra. Yolanda SchrankEndocrinologista e membro do Núcleo de Assessoria Médica da DasaPublicado em 27/02/2026, às 15:00 - Atualizado em 27/02/2026, às 15:03

    diabetes gestacional

    diabetes gestacional é a principal alteração metabólica que acontece na gestação. No pré-natal, o rastreio da condição é muito importante. Isso porque ela está associada a diversos desfechos adversos maternos e fetais – mas cujos riscos podem ser reduzidos se houver um bom controle glicêmico ao longo da gravidez.

     

    Diabetes gestacional: o que é? 

    O diabetes mellitus gestacional (DMG) é a causa mais comum de hiperglicemia (aumento da glicose) na gestação. Conforme consta em diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, o DMG é definido como uma intolerância aos carboidratos de gravidade variável, que se inicia durante a gravidez. 

    O que causa o diabetes gestacional? 

    Ao longo da gestação, sobretudo a partir da 24ª semana, a placenta passa a produzir hormônios que aumentam a resistência à ação da insulina para assim garantir um maior aporte de glicose para o feto. 

    Em mulheres predispostas, o pâncreas pode não conseguir produzir insulina o suficiente para vencer a resistência insulínica, o que resulta em aumento da glicose. Entre os fatores de predisposição para diabetes gestacional, estão: 

    • Obesidade; 
    • Ganho de peso excessivo durante a gestação; 
    • Idade mais avançada; 
    • Síndrome dos ovários policísticos; 
    • História de DMG prévio. 

    Diabetes gestacional apresenta sintomas? 

    No diabetes gestacional, os valores de glicemia não costumam ser altos a ponto de gerarem sintomas. A maioria das gestantes não apresenta manifestações e, por isso, é fundamental fazer exames de rastreio no pré-natal. 

    Riscos 

    A hiperglicemia na gestação está associada ao risco de diversos desfechos adversos maternos e fetais, incluindo: 

    • Desordens hipertensivas na mãe durante a gravidez; 
    • Macrossomia (bebê grande ao nascer); 
    • Prematuridade; 
    • Desconforto respiratório no bebê; 
    • Hipoglicemia no bebê ao nascimento. 

    O diabetes gestacional aumenta o risco de os bebês desenvolverem síndrome metabólica, obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica no futuro. Após a gravidez, a mãe também apresenta um risco aumentado para diabetes e recidiva do DMG em gestações subsequentes. 

    Vale ressaltar que os riscos do diabetes gestacional podem ser reduzidos por meio do controle glicêmico ao longo da gravidez. 

    Exames que auxiliam a identificar diabetes gestacional 

    O diagnóstico do DMG é baseado em dois exames de sangue: glicemia de jejum e teste oral de tolerância à glicose (TOTG). 

    O rastreio do DMG é recomendado já na primeira consulta através da dosagem da glicose no sangue.  Resultados inferiores a 92 mg/dL são normais e valores entre 92 mg/dL e 126 mg/dL indicam DMG. Por outro lado, valores maiores que 126 mg/dL indicam um diabetes diagnosticado na gestação – ou seja, a paciente já era diabética antes, mas diagnosticou a doença na gestação. Esta condição é diferente do DMG.   

    A dosagem adicional da hemoglobina glicada pode ser considerada já na primeira consulta, com o objetivo de diagnosticar um diabetes prévio à gestação ou detectar risco maior de desenvolver DMG. 

    Todas as gestantes com valores de glicose menores que 92 mg/dL no início da gestação devem ser submetidas ao TOTG (também chamado de curva glicêmica) entre a 24ª e 28ª semana de gestação.

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    Cuidados e formas de tratamento 

    Durante a gestação, é fundamental monitorar os índices glicêmicos. O ideal é que a glicemia em jejum se mantenha abaixo de 95 mg/dL. Uma hora após as refeições, abaixo de 140 mg/dL. Duas horas depois, menor que 120 mg/dL. 

    Para assegurar os valores desejados, o tratamento de diabetes gestacional passa pela realização de atividades físicas moderadas e pela alimentação adequada – com refeições fracionadas que contenham frutas, verduras, legumes e alimentos integrais. 

    É essencial contar com acompanhamento profissional para personalizar o tratamento. As recomendações nutricionais, por exemplo, devem ser calculadas de acordo com as características individuais da gestante (como IMC, idade materna, atividades físicas realizadas, condições socioeconômicas, entre outras). 

    Da mesma maneira, a orientação para atividades físicas deve ser individualizada. Não são todos os exercícios que podem ser praticados na gravidez e cada mulher tem suas próprias indicações e contraindicações quanto a modalidade, intensidade e frequência. 

    Se as adaptações no estilo de vida não forem suficientes para controlar a glicemia, está indicado o tratamento com insulina. 

    Diabetes gestacional tem cura? 

    Uma vez que a mulher preenche os critérios diagnósticos para diabetes gestacional, este não tem cura, pois a produção dos hormônios que resultam em aumento da resistência insulínica irá se manter durante a gestação. O DMG pode, entretanto, ser controlado através de medidas como mudança de estilo de vida e, eventualmente, através do uso de insulina. 

    Cabe mencionar também que o quadro tende a desaparecer depois do parto. No entanto, a mulher passa a apresentar um risco aumentado para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 após a gravidez. 

    Por isso, mesmo depois da gestação é importante fazer exames de rotina, manter uma dieta balanceada e praticar atividades físicas com regularidade – essas são medidas que reduzem o risco de diabetes.

     

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