nav-logo
Compartilhe

Soluço: como aliviar e quando se preocupar com este espasmo involuntário

Quando o soluço se manifesta de forma persistente ou recorrente, é preciso investigar as possíveis causas

Por Patricia JulianelliPublicado em 28/03/2025, às 16:41 - Atualizado em 28/03/2025, às 16:41

soluço

O soluço é uma manifestação fisiológica corriqueira que, embora passageira na maioria das vezes, pode gerar desconforto e, em alguns casos, preocupação.  Apesar de ser usualmente benigno, entender suas causas, sintomas e quando ele pode sinalizar algo mais sério é fundamental. 

Soluço: o que é?

O soluço é uma contração súbita e involuntária do diafragma, músculo essencial para a respiração, seguida pelo fechamento rápido da glote, a abertura entre as cordas vocais. Esse movimento produz o som característico — o hic.

Apesar de parecer simples, o mecanismo envolve uma complexa rede de nervos, como o frênico (que controla o diafragma) e o vago (ligado ao sistema digestivo). Curiosamente, até fetos no útero podem soluçar, sugerindo que o fenômeno tem raízes evolutivas profundas.

Sintomas de soluço

O principal e mais evidente sintoma do soluço é o som característico “hic”, produzido pela súbita inspiração interrompida pelo fechamento da glote.  Além deste som, outros sintomas podem acompanhar o soluço, como sensação de aperto no peito, leve desconforto abdominal e irritação na garganta em casos prolongados. 

Em episódios raros, soluços persistentes podem interferir na fala, alimentação e até no sono, exigindo atenção médica.

Agendar exames

Como parar o soluço?

Algumas técnicas conhecidas para “parar o soluço” são: prender a respiração, beber água gelada ou até mesmo estimular a parte de trás da garganta com um leve susto.
Elas podem funcionar por meio da distração do sistema nervoso ou da modulação dos impulsos nervosos que provocam a contração involuntária do diafragma. Algumas abordagens sugerem que a mudança repentina no padrão respiratório pode “resetar” o reflexo, interrompendo o ciclo do soluço.  

Vale mencionar que nenhuma delas funciona para todos os casos, e a resposta pode variar de pessoa para pessoa. É importante avaliar qual método funciona melhor para sua situação e, se necessário, buscar orientação médica.

Principais causas para o soluço

Entre as causas mais frequentes do soluço estão: 

  • Comer muito rápido ou em grandes quantidades; 
  • Ingerir alimentos ou bebidas muito quentes ou muito frias; 
  • Consumo de bebidas alcoólicas ou gasosas; 
  • Um quadro de refluxo, já que a irritação do esôfago estimula o nervo vago. 

Fatores emocionais, como estresse ou ansiedade, também podem desencadear episódios frequentes, reforçando a ideia de que o corpo reage de forma integrada aos estímulos externos e internos.

Soluço recorrente: possíveis motivos

Em geral, o soluço é esporádico e não traz complicações à saúde. Mas, quando ele se tornar persistente (durando mais de 48 horas) ou recorrente (episódios frequentes), é preciso investigar, já que ele pode estar associado a distúrbios metabólicos, problemas gastrointestinais ou até mesmo complicações no sistema nervoso central. 

Algumas possíveis causas seriam um quadro de refluxo gastroesofágico, distúrbios do sistema nervoso ou mesmo complicações relacionadas à pressão intra-abdominal.

Só uma avaliação médica criteriosa pode evitar complicações futuras e proporcionar um tratamento mais direcionado ao paciente.

Soluço em recém-nascidos: o que pode ser?

Nos primeiros dias de vida, é bastante comum observar o soluço em recém-nascidos. Essa manifestação é, na maioria das vezes, considerada normal e está relacionada ao desenvolvimento do sistema respiratório e digestivo. Em bebês, o soluço pode ocorrer após a amamentação, sendo visto como um reflexo natural e benéfico para o funcionamento adequado do organismo. 

Mas é importante que os pais observem a frequência e a intensidade dos episódios. Caso o soluço seja excessivo ou esteja acompanhado de outros sinais de desconforto, como dificuldades respiratórias, uma avaliação médica se torna necessária.

Quando procurar por um médico?

Se os episódios durarem mais de 48 horas ou se houver impacto significativo nas atividades diárias, como alimentação e sono, é recomendável procurar ajuda médica. Além disso, se o soluço vier acompanhado de outros sintomas incomuns – como perda de peso, febre ou dificuldade respiratória – também é preciso investigar. 

Pacientes que já possuem histórico de problemas gastrointestinais ou neurológicos devem estar atentos a qualquer alteração no padrão do soluço. O acompanhamento com um especialista permite que, se necessário, o tratamento comece o quanto antes, evitando complicações futuras.

Exames que podem auxiliar no diagnóstico das causas

A investigação diagnóstica do soluço persistente ou recorrente pode envolver diversos exames, guiados pela história clínica do paciente e pelos sintomas associados. Entre eles, está a tomografia de tórax. Este exame de imagem pode identificar alterações estruturais e lesões que possam estar influenciando o nervo frênico.

Da mesma forma, o ultrassom abdome total pode avaliar a integridade dos órgãos abdominais, detectando possíveis irritações ou anomalias que possam estar contribuindo para o quadro. 

exames de sangue podem identificar eventuais alterações metabólicas ou sinais de infecção que possam estar associadas aos soluços recorrentes.

Formas de tratamento

Quando os episódios de soluço se tornam persistentes ou associados a outras condições, medicamentos podem ser prescritos para modular os impulsos nervosos ou para tratar condições subjacentes, como refluxo ou distúrbios gastrointestinais.

Além disso, mudanças no estilo de vida – como comer mais devagar e em pequenas quantidades – e reduzir o estresse, podem reduzir a frequência dos episódios.

Em alguns casos, terapias complementares, como acupuntura e relaxamento, podem contribuir para o tratamento.

Agendar exames

Fonte: Dr. Ricardo Dib – Gastroenterologista

Encontrou a informação que procurava?
nav-banner

Veja também

Escolha o melhor dia e lugarAgendar exames