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Laqueadura: como funciona a cirurgia de esterilização feminina?

Procedimento dura, em média, 40 minutos e pode ser realizado em hospitais, clínicas especializadas e pelo SUS.

Por Raquel RibeiroPublicado em 24/03/2025, às 13:36 - Atualizado em 28/03/2025, às 11:31

laqueadura

A laqueadura é um procedimento que pode ser feito de diferentes formas, desde a aplicação de grampos ou aneis elásticos até a remoção parcial ou total das trompas. Dados do SUS (Sistema Único de Saúde) mostram que, entre 2019 e 2022, foram realizadas 324.272 cirurgias de laqueadura, sendo a maioria em mulheres de 25 a 35 anos.

Laqueadura: o que é?

A laqueadura é um procedimento cirúrgico que visa esterilizar mulheres, realizando o bloqueio das trompas de falópio, que são os canais responsáveis por transportar os óvulos do ovário até o útero. Com a intervenção, as trompas são cortadas, amarradas ou bloqueadas, o que impede que o óvulo encontre o espermatozoide, a fim de impedir a gravidez.

Tipos de laqueadura

A laqueadura pode ser realizada por diferentes métodos, sendo os principais: 

  • Videolaparoscopia: considerado o procedimento menos invasivo, envolve a realização de três pequenas incisões na barriga para a introdução de uma câmera e instrumentos cirúrgicos, permitindo a ligadura das trompas com precisão.
     
  • Laparotomia: nesse método, é feito um corte semelhante ao realizado na cesariana, possibilitando que o médico visualize diretamente as trompas para realizar a obstrução.
     
  • Via vaginal: técnica que dispensa cortes na região abdominal, realizada pelo canal vaginal. 

Para quem a laqueadura pode ser indicada?

A laqueadura é um procedimento indicado para mulheres que desejam a esterilização, independentemente do motivo. E que, após avaliação médica e aconselhamento, tomaram a decisão de não ter mais filhos. O procedimento pode ser realizado por mulheres maiores de 21 anos e/ou que tenham pelo menos dois filhos vivos, conforme mudança estabelecida pela Lei 14.443/2022, sancionada pelo Governo Federal.

Também é recomendado para aquelas que enfrentaram riscos elevados em uma gestação anterior, pois uma nova gravidez também pode representar perigo para a vida ou a saúde da mulher, ou do feto. O procedimento pode, inclusive, ser feito logo após o parto.

Já para quem busca um método contraceptivo de longo prazo, mas sem caráter definitivo, o DIU pode ser uma alternativa viável.

Qual médico procurar?

Para realizar a laqueadura, a paciente deve consultar um ginecologista ou obstetra, que orientará sobre o procedimento, solicitará exames e indicará os próximos passos. No SUS, é necessário seguir os trâmites legais, incluindo a assinatura do termo de consentimento e o período de aconselhamento. Já na rede particular, o especialista pode encaminhar diretamente para a cirurgia em um hospital ou clínica após os procedimentos pré-operatórios.

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Como é a preparação para uma laqueadura?

A preparação para a laqueadura visa garantir que a paciente esteja informada e em condições adequadas para o procedimento. E o primeiro passo é a consulta com um especialista, que solicitará exames pré-operatórios e orientará sobre o procedimento.

Para quem busca a laqueadura pelo SUS, é necessário entrar na fila de espera, que varia conforme a demanda da região. Na rede particular essa espera vai depender da disponibilidade do médico e do hospital selecionado.

Tanto na rede pública quanto no particular, a mulher também deve assinar o termo de consentimento. Além disso, a legislação determina um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e a realização da cirurgia. Quando a solicitação pela laqueadura for feita durante a gestação, o prazo mínimo de assinatura do termo é de 90 dias antes da data provável do parto. 

Durante esse período, a paciente recebe acompanhamento da equipe médica, que fornece informações sobre os benefícios, riscos, eficácia e possíveis desvantagens do método, garantindo uma decisão consciente.

Exames pré-operatórios

Antes de realizar a laqueadura, a paciente precisa passar por exames pré-operatórios para avaliar seu estado de saúde e garantir que está apta para a cirurgia. Entre os principais estão o hemograma completo, o exame de urina (EAS), o de glicemia de jejum e o coagulograma.

Para pacientes com condições específicas, exames adicionais podem ser necessários. Mulheres hipertensas, por exemplo, devem realizar uma avaliação de risco cirúrgico, incluindo eletrocardiograma (ECG) e radiografia de tórax, além de exames como creatinina e ácido úrico.

Já para aquelas com diabetes, são recomendados creatinina e hemoglobina glicada, que ajudam a monitorar o controle da glicose no sangue.

Outros exames clínicos e ginecológicos são recomendados para garantir que não haja contraindicações, como: 

  • Teste de gravidez, como o Beta hCG, para descartar a possibilidade de gestação antes do procedimento. 
  • Ultrassonografia pélvica, para avaliar a anatomia dos órgãos reprodutivos. 
  • Testes para infecções ginecológicas e sexualmente transmissíveis, como o teste de HIV. 

Como a laqueadura é feita?

A laqueadura é realizada cortando, amarrando ou obstruindo as trompas de falópio, impedindo a passagem do óvulo e do espermatozoide. O procedimento pode ser feito por meio de um corte na região da pelve semelhante ao da cesariana, por laparoscopia ou via vaginal, com uma duração média de 40 minutos. Normalmente, utiliza-se anestesia raquidiana, e a paciente é liberada entre 24h e 48h.

Como é a recuperação de uma laqueadura?

Na recuperação da laqueadura, a paciente pode apresentar algum desconforto no local da incisão, além de cansaço, dores abdominais e os efeitos da anestesia. Ela precisa evitar levantar objetos pesados e se abster de relações sexuais até que o médico dê a liberação.

A laqueadura é reversível?

A laqueadura dificilmente pode ser revertida, pois a possibilidade depende de como o procedimento foi realizado e das condições das trompas. A reversão é viável apenas se o final das trompas foi preservado e se não houver danos, como dilatação, doenças ou aderências. Caso o procedimento original tenha usado aneis ou grampos para bloquear as trompas, a reversão pode não ser possível.

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Fonte: Dra. Andrea Sales – Obstetra 

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