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Estômago: quais problemas podem afetar o órgão?

Pacientes com alterações estomacais são acompanhados por médicos gastroenterologistas.

Fonte: Dr. Décio ChinzonGastroenterologistaPublicado em 24/03/2025, às 13:50 - Atualizado em 28/03/2025, às 11:33

estomago

O estômago é extremamente importante para o bom funcionamento do organismo. Quando algo não vai bem neste órgão, podem surgir vários sintomas desconfortáveis, como dor, estufamento e sensação de queimação. É fundamental que pacientes com tais manifestações – especialmente se forem persistentes ou muito intensas – sejam avaliados por um médico para o diagnóstico correto e um tratamento individualizado.

Estômago: o que é e onde fica?

O estômago é um dos órgãos que compõem o sistema digestivo. Ele se assemelha a um saco, sendo capaz de se contrair ou expandir conforme a necessidade, e está localizado na parte superior do abdômen, ligeiramente à esquerda, entre o esôfago (tubo que conecta o estômago e a garganta) e o intestino delgado.

Qual a função do estômago

A principal função do estômago é contribuir para a digestão, armazenando e processando os alimentos que já foram mastigados e passaram pelo esôfago. O estômago contém células responsáveis pela produção de ácido clorídrico e da enzima pepsina, entre outras substâncias, que fazem parte do suco gástrico e são essenciais para quebrar proteínas em partículas menores.

Além de secretar tais substâncias, o estômago as mistura ao conteúdo ingerido, executando esta tarefa com o auxílio do tecido muscular. Como resultado, forma-se o quimo (substância pastosa e ácida), que vai em direção ao intestino delgado, onde continua a digestão e se inicia a absorção de nutrientes.

Vale dizer também que o estômago ajuda a prevenir infecções, pois o suco gástrico é capaz de matar microrganismos patogênicos presentes nos alimentos, e atua ainda na regulação do apetite, produzindo hormônios associados às percepções de fome e saciedade.

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Problemas relacionados ao estômago

Diversos problemas podem afetar o estômago, causando dor, queimação, empachamento (sensação de estufamento), entre outros incômodos. Abaixo, confira algumas das condições e sintomas mais comuns:

Úlcera no estômago

A úlcera gástrica é uma ferida que se forma na mucosa estomacal. Ela ocorre quando a proteção natural do estômago contra os ácidos gástricos fica comprometida – o que, na maioria das vezes, é resultado da infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) ou do uso prolongado de medicamentos anti-inflamatórios não hormonais. O principal sintoma da úlcera é dor na região superior do abdômen.

Gastrite

A gastrite consiste na inflamação da mucosa que reveste o estômago internamente, podendo ter diversas causas, incluindo infecção por H. pylori, consumo de bebidas alcoólicas, estresse intenso e ingestão excessiva de embutidos, enlatados e condimentos.

Os principais sintomas da gastrite são dor na parte superior do abdômen, empachamento após refeições, inchaço abdominal, gases e refluxo gastroesofágico.

Refluxo gastroesofágico

O refluxo gastroesofágico acontece quando o conteúdo do estômago retorna involuntariamente para o esôfago, gerando também dor no estômago, sensação de queimação e azia. Esse problema pode ser causado por fatores como gastrite, obesidade ou sobrepeso, hérnia de hiato e refeição muito volumosa.

Gastroenterite

A gastroenterite é uma doença inflamatória que acomete o estômago e o intestino. Ela é popularmente chamada de virose intestinal, pois muitas vezes é causada por um vírus – apesar disso, também pode ser causada por outros agentes patogênicos, incluindo bactérias, parasitas e fungos.

Esse quadro é caracterizado por sintomas como diarreia, náusea, vômitos, dor abdominal, febre, dor de cabeça e dor no corpo.

Bactéria no estômago (H. Pylori)

A Helicobacter pylori (H. pylori) é uma bactéria que se instala no revestimento do estômago. Geralmente, ela é adquirida por meio do contato com água e alimentos contaminados ou saliva, vômito e fezes de pessoas portadoras do patógeno.

Em grande parte dos indivíduos, esse microrganismo não gera problemas. Em outros, porém, a H. pylori pode danificar a mucosa gástrica e aumentar o risco de desenvolvimento de úlceras e gastrite.

Quando está associada a tais complicações, a infecção por H. pylori pode causar sintomas como dor abdominal, empachamento após refeições e sensação de queimação.

Câncer de estômago

O câncer de estômago (ou câncer gástrico) gera sintomas semelhantes a outras doenças gastrointestinais benignas. Os pacientes podem apresentar perda de peso e de apetite, fadiga, dor na parte superior do abdômen, sensação de estômago cheio, refluxo e vômitos.

O risco de desenvolvimento desse tipo de tumor maligno é maior em casos de sobrepeso ou obesidade, consumo de álcool, tabagismo, ingestão excessiva de sal e história familiar.

Queimação no estômago

A sensação de queimação no estômago provoca desconforto na parte superior do abdômen e pode irradiar para a garganta ou para o peito, além de ser acompanhada de outras manifestações – a exemplo de azia, empachamento após refeições e gosto amargo ou ácido na boca. 

Esse sintoma pode estar atrelado a condições como refluxo gastroesofágico, gastrite e úlcera.

Sensação de estômago cheio e barriga inchada

Muitas pessoas experimentam uma sensação de estômago cheio depois de comer. Isso pode ocorrer por diversas razões, sendo um sintoma de condições como refluxo, gastrite, intolerância alimentar, entre outras. Também é possível que esse desconforto apareça devido à ingestão de alimentos muito gordurosos ou ao consumo excessivo de líquidos durante uma refeição.

Estômago alto

O termo “estômago alto” é utilizado para se referir a um maior volume na parte superior do abdômen, que comumente está atrelado ao acúmulo de gases ou de gordura – condições que, muitas vezes, surgem por causa de dietas inadequadas (com excesso de açúcar, gorduras e álcool, por exemplo) e falta de atividades físicas.

Dor de estômago: o que pode indicar?

A dor de estômago pode estar presente em várias condições de saúde. Como mencionado previamente, esse incômodo que atinge a parte superior do abdômen é comum em quadros de infecção por H. pylori, úlceras, gastrites e uso de medicamentos como aspirina e anti-inflamatórios. Ele também pode ocorrer devido ao acúmulo de ar ou outros gases no sistema digestivo.

Entretanto, cabe ressaltar que nem todas as dores na parte superior do abdômen ocorrem necessariamente no estômago. Problemas no fígado, na vesícula ou no pâncreas são capazes de irradiar para a região gástrica e, assim, gerar dor na região abdominal. Para se obter o diagnóstico correto, é preciso consultar um médico.

Qual médico procurar?

Se houver sintomas gastrointestinais, é importante procurar atendimento médico – principalmente se tais manifestações forem frequentes ou muito intensas. O especialista mais adequado para acompanhar condições relacionadas ao estômago é o gastroenterologista, que cuida do aparelho digestivo.

Durante a consulta, esse profissional reúne informações sobre o paciente (como histórico de saúde e sintomas) e conduz um exame físico, além de solicitar exames complementares se necessário. Assim, é possível identificar o motivo por trás das queixas do indivíduo e indicar o melhor tratamento para cada caso.

Exames indicados para o diagnóstico das causas

Os exames solicitados para avaliar pacientes com problemas no estômago variam conforme os sintomas apresentados e outras particularidades de cada quadro.

Um dos principais recursos é a endoscopia digestiva alta, que permite a visualização da mucosa do estômago e auxilia a investigar casos de azia, queimação no estômago, dor estomacal e refluxo. A endoscopia viabiliza ainda a pesquisa da H. pylori – mas também é possível procurar essa bactéria por meio de métodos não invasivos, como exame de sangue.

Outros procedimentos, como raio-X e pHmetria, podem ser utilizados para avaliar estruturas do sistema digestivo que sejam vizinhas do estômago e, assim, complementar a investigação.

Formas de tratamento

O tratamento mais adequado para problemas estomacais depende da causa subjacente. Em quadros de infecção por H. pylori, são prescritos antibióticos (para combater a bactéria) e medicamentos que reduzem a acidez gástrica (para que o ambiente se torne mais hostil ao patógeno).

Para casos de refluxo, gastrite ou úlcera, o tratamento pode envolver medicamentos que reduzam a produção de ácido pelo estômago, dieta equilibrada que priorize alimentos in natura ou minimamente processados e prática regular de atividades físicas.

É fundamental consultar um médico para que cada paciente seja avaliado individualmente e receba um tratamento personalizado.

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