nav-logo
Compartilhe

    Febre: causas e quando procurar um médico

    Veja quais temperaturas são consideradas anormais e quais sintomas são sinais de alerta

    Fonte: Dra. Ligia PierrottiInfectologistaPublicado em 06/02/2026, às 16:25 - Atualizado em 06/02/2026, às 16:27

    Febre não é uma doença, é um sinal. Um sinal de que o corpo está reagindo a alguma alteração, muitas vezes uma infecção. Em geral, o aumento da temperatura corporal é um mecanismo de defesa do nosso organismo. Quando o sistema imunológico percebe que algo não vai bem, ele ativa o hipotálamo – região do cérebro que funciona como um termostato – e eleva a temperatura corporal.

    Em pessoas saudáveis, a temperatura do corpo humano varia naturalmente ao longo do dia, com uma média em torno de 36,6ºC, e geralmente ficando entre 35,9ºC e 37,3ºC.  

    Essa variação costuma ser influenciada conforme idade, sexo, peso, altura e horário do dia, sendo geralmente mais alta em horários vespertinos e mais baixa pela manhã e em idosos.

    Além disso, a temperatura também muda conforme o local de medição: temperaturas axilares costumam ser um pouco mais baixas (cerca de 0,5ºC mais baixas) que as orais, e as temperaturas retais são geralmente mais altas. 

    Consideramos febre quando a temperatura aferida na axila é maior que 37.8ºC.

    O que causa a febre? 

    Ter febre indica que alguma coisa não vai bem. E o motivo mais comum para essa alteração no corpo são infecções desencadeadas por vírus, bactérias ou parasitas.

    Além dos processos infecciosos, existem outras doenças que podem causar febre. É o caso de doenças reumáticas (como artrite reumatoide), autoimunes (como lúpus descompensado) e oncológicas (como linfoma e leucemia). A reação a alguns medicamentos também pode causar febre. 

    Quais sintomas podem acompanhar a febre? 

    A febre costuma vir acompanhada de mal-estar e desconforto. É comum a pessoa sentir calafrios ou sensação de frio, além de dor de cabeça e dores no corpo, inclusive nas articulações. 

    Além disso, a febre pode aparecer junto com outros sintomas que podem sugerir onde está o problema. Por exemplo: se o paciente está com febre e ardência ao urinar, urgência para urinar ou dor na região do baixo ventre, pode indicar infecção urinária, e deve ser avaliada para confirmar o diagnóstico. 

    Quando é preciso procurar um médico? 

    A necessidade de procurar atendimento médico imediato vai depender muito de cada caso, considerando a idade do paciente, a presença de comorbidades, e sobretudo, a presença de outros sinais clínicos.  

    É necessário procurar atendimento médico imediato em casos de hipertermia quando há alteração do estado mental (confusão, delírio, convulsões), temperatura corporal acima de 39º – 40º C, e grupos de pacientes de maior risco de complicações, como idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas ou incapacidade.  

    Dessa forma, a atenção à febre é de extrema importância, mesmo se leve. Muitas vezes a gente vê pacientes no pronto-socorro já em sepse (infecção generalizada), porque não valorizaram a febre e os sintomas nos dias anteriores. Assim, eles chegam em um status muito avançado do processo infeccioso que pode até evoluir para uma doença mais grave. 

    Febre acompanhada de outros sinais de alerta

    A febre na presença de outros sintais, como calafrios, mal-estar, dor de cabeça, dor na nuca (rigidez no pescoço), manchas no corpo, vômito, e tontura, devem ser avaliadas sem demora.

    Outro sinal de alerta muito importante é a alteração do nível de consciência – paciente sonolento ou que responde pouco), dificuldade para respirar, desmaio ou sensação de desmaio, vômito, sinais de desidratação.

    Febre acompanhada de outros sintomas, que podem sugerir acometimento de algum órgão específico

    A febre acompanhada de sintomas urinários, sintomas respiratórios, alterações na pele, sugerem quadros infecciosos específicos, e também devem ser avaliadas para o diagnóstico e manejo corretos.

    Febre em populações específicas  

    Em idosos

    É frequente que os idosos apresentem febre baixa – e, muitas vezes, até uma temperatura corporal abaixo do normal – associada a outros sintomas pouco específicos. Isso pode indicar uma doença mais grave e é algo comum da imunossenescência (o envelhecimento do sistema imunológico).

    Por isso é importante avaliar a febre do idoso de uma maneira diferente, procurando atendimento médico mais cedo.

    Febre em pessoas com alterações no sistema imunológico

    É o caso, por exemplo, de pacientes, em tratamento para qualquer tipo de câncer, pacientes submetidos a transplantes, indivíduos que fazem uso de alguma terapia imunobiológica, pessoas em quimioterapia.

    Esses indivíduos podem ter os sinais de infecção mascarados pela imunossupressão, e a febre pode, em alguns casos, ser o único sinal de alerta, devendo ser indicação de rápida avaliação médica.

    Febre em crianças

    Os sinais de alerta em crianças com febre incluem letargia ou dificuldade para despertar, irritabilidade extrema, má perfusão periférica, dificuldade para respirar, convulsão, e manchas pelo corpo.

    Entretanto, a febre em crianças, especialmente crianças abaixo dos três meses de idade, podem apresentar maior dificuldade para compreender a gravidade do caso. Então, o melhor é buscar assistência médica caso a situação se prolongue. 

    Outro ponto de atenção é a convulsão febril, caracterizada por um episódio de convulsão em crianças entre 6 meses e 5 a 6 anos de idade, associado à febre, sem sinais de infecção do sistema nervoso central, e sem história prévia de convulsão febril.

    As convulsões febris simples (duração menor que 15 minutos, sem complicações), são benignas e autolimitadas, mas são assustadoras para pais e crianças.

    Recomenda-se o uso de antitérmicos para o controle da febre em crianças de até 5 – 6 anos de idade, para evitar a convulsão febril, além de procurar atendimento médico para investigar e tratar as causas da febre.

    Em quais situações tomar remédio para febre?

    Nem sempre é preciso recorrer a medidas farmacológicas. Mas se você tiver um quadro leve e sentir muito desconforto, algumas alternativas de antitérmicos são o paracetamol e a dipirona. É recomendado o uso de medicamento sob orientação médica; em geral, recomenda-se o uso de antitérmicos que você já usou e não gerou nenhuma reação adversa.

    Mas é importante lembrar que o uso dos antitérmicos serve apenas para baixar a temperatura corporal, mas não tratam a causa da febre. 

    Outros cuidados para para o manejo da febre 

    Algumas medidas não farmacológicas ajudam a aliviar o desconforto da febre, como manter o ambiente arejado, usar roupas leves, evitar se cobrir demais, e, tomar um banho em uma temperatura mais amena. O objetivo é facilitar a perda de calor do corpo para o ambiente. 

    E, além do uso de antitérmicos, é essencial manter uma boa hidratação, com ingestão adequada de líquidos (água, soro de reidratação, chás, caldos).  

    Se houver dificuldade para a ingesta oral – por exemplo, por náuseas e e vômitos, dor para engolir, ou recusa para ingesta, existe um risco de desidratação, especialmente em crianças e idosos. Nesse caso, é necessário procurar atendimento médico imediato. 

    Agendar exames

     

    Encontrou a informação que procurava?
    nav-banner

    Veja também

    Escolha o melhor dia e lugarAgendar exames