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    Varíola dos macacos é perigo real neste momento?

    Doença preocupa após surto na Europa, mas especialistas não enxergam motivo para pânico

    Por Danielle SanchesPublicado em 01/06/2022, às 18:27 - Atualizado em 15/07/2022, às 11:26
    Foto: Shutterstock

    Depois de dois anos em uma pandemia com um vírus que não dá sinais de ir embora, é natural que qualquer “nova” doença se torne uma fonte de preocupação – para não dizer pânico – quando surge.  

    Esse parece ser o caso da varíola dos macacos, doença que não é exatamente nova, já que é endêmica na África; mas que, por ser pouco conhecida, se tornou para muitas pessoas uma nova e assustadora ameaça à saúde.  

    No entanto, mesmo que a transmissão entre pessoas seja realmente um fator a ser observado, a varíola dos macacos nem de longe representa uma ameaça tão grave como a sua prima varíola – erradicada do mundo desde 1980 – ou outros vírus, como o Sars-CoV-2. 

    “O que chama a atenção nesse cenário é o vírus circular fora da África e a velocidade de transmissão, gerando um surto de grandes proporções”, explica o infectologista Alberto Chebabo, presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).  

    “Mesmo assim, o número de casos é limitado, já temos medicação e vacinas desenvolvidas, conhecemos o vírus e suas variantes. Não é uma nova covid”, tranquiliza o médico.  

    De acordo com o David Urbaez, infectologista do Exame/Dasa, de Brasília, a tensão emocional que vivemos durante a pandemia, de fato, proporciona um alerta maior do que o necessário neste momento. “No cenário trágico que tivemos, com todos os problemas que vivemos, a notícia de outro agente infeccioso causa apreensão”, diz.  

    O Brasil já registra mais de 300 casos da doença, que se espalhou por cerca de 58 países nos últimos meses. Mesmo assim, os especialistas não acreditam que a situação esteja fora de controle e pedem calma à população.

    Varíola dos macacos: o que é e principais sintomas

    A varíola dos macacos é uma doença provocada pelo vírus da família dos ortopoxvírus. É um parente da varíola “tradicional” em humanos, que, ainda bem, já está erradicada há muitos anos.  

    Esta é, aliás, uma das razões para que a doença seja acompanhada de perto. “Há um olhar muito delicado e atento a esse tipo de varíola por conta desse parentesco”, afirma Urbaez. 

    A varíola dos macacos é uma zoonose que tem esse nome pois foi inicialmente identificada em um macaco de laboratório em 1958. No entanto, é mais comum que o vírus circule entre roedores. A contaminação em humanos costuma ocorrer especialmente nas regiões florestais da África Central e Ocidental.  

    Até hoje, existem duas variantes conhecidas da varíola dos macacos: uma considerada mais leve que circula na África Ocidental; e outra, mais agressiva, da região da África Central.  

    Ambas causam quadros considerados autolimitados, isto é, que evoluem sem grandes complicações na maioria das vezes – embora as lesões possam deixar cicatrizes. No entanto, de acordo com Urbaez, grupos como crianças, bebês e indivíduos imunossuprimidos correm o maior risco, bem como as grávidas, que podem perder o bebê caso se infectem.  

    Os principais sintomas da varíola dos macacos são:  

    • Febre; 
    • Dor de cabeça; 
    • Dores musculares; 
    • Dor nas costas; 
    • Calafrios; 
    • Exaustão. 

    As lesões costumam aparecer de um a cinco dias depois da febre, primeiro no rosto e depois se espalham pelo corpo, incluindo na região genital. São bem parecidas com as bolinhas da catapora e, depois de alguns dias, formam uma casquinha que vai cair.  

    Formas de contágio e prevenção

    A forma mais comum de transmissão é o contato com as lesões de quem já está infectado. No entanto, Chebabo afirma que a transmissão via aérea, ou seja, por meio de gotículas contaminadas, também existe. Uma terceira via de transmissão é pelo contato sexual, que ainda está sendo confirmada.  

    A melhor forma de se prevenir, portanto, é manter distância de qualquer pessoa com sintomas suspeitos e evitar entrar em contato ou consumir a carne de animais que possam abrigar o vírus (roedores, marsupiais e macacos). 

    Outra medida importante e que se mantém necessária em tempos de covid-19 (já que as infecções pelo novo coronavírus seguem ativas) é a higiene das mãos com água e sabão e/ou álcool em gel.  

    Por fim, vale reforçar que é importante ter cuidado ao manipular as lesões de alguém doente (para fazer a limpeza, por exemplo), bem como objetos de pessoas doentes.  

    Varíola dos macacos tem tratamento e vacina

    É importante deixar claro que a varíola dos macacos é uma doença considerada de leve a moderada, ou seja, não há motivo para entrar em pânico neste momento.  

    Além disso, por ser um vírus já conhecido, já existem medicamentos e vacinas para combater o problema, caso ele se tome proporções maiores.  

    No caso dos remédios, os antivirais tecovirimati e cidofovir podem ser usados em indivíduos com risco de complicação; no entanto, não são produzidos em larga escala e, por isso, são difíceis de serem adquiridos comercialmente.  Hoje, só são encontrados nos Estados Unidos e o que temos por lá é uma pequena reserva, mantida para o caso de uma eventual guerra biológica. 

    A vacina contra o vírus também existe, mas é a mesma coisa: como é uma doença localizada, sua produção não é feita em larga escala. Ela não está disponível nem na África, onde a doença é endêmica. 

    Vale dizer ainda que a vacina tradicional da varíola parece conferir uma proteção parcial contra a doença dos macacos. Mas ela deixou de ser aplicada (nas redes públicas e privadas) na década de 80, quando a varíola foi oficialmente erradicada e não há programa de vacinação no mundo desde então. 

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