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    Adenomiose: o que é, sintomas e tratamento

    Doença uterina pode causar aumento de sangramento durante menstruação e requer tratamento

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 03/07/2026, às 11:09 - Atualizado em 22/07/2026, às 10:27

    adenomiose

    A adenomiose é mais comum em mulheres acima dos 30 anos e que já passaram por uma gravidez, mas pode também acometer pessoas mais jovens e que ainda não tiveram filhos.  

    A boa notícia é que o tratamento permite melhora dos sintomas e possibilidade de restabelecer a qualidade de vida da mulher. Além disso, pode retardar a evolução da doença. 

    O que é adenomiose?

    Antes de mais nada, você deveria conhecer as três camadas do útero: endométrio (camada mais interna que descama na menstruação), miométrio (camada muscular, intermediária) e serosa (camada mais externa). 

    A adenomiose é uma doença no miométrio. Ou seja, uma doença uterina definida pela presença de células e glândulas endometriais no miométrio. 

    Principais sintomas

    • Dismenorreia: dor pélvica durante o período menstrual. Costuma aparecer no primeiro dia do ciclo; 
    • Dor pélvica crônica: caracterizada por uma sensação de dor pélvica persistente; 
    • Sangramento menstrual aumentado; 
    • Dispareunia: dores que persistem durante ou depois da relação sexual. Podem se apresentar em forma de ardência ou ainda como uma cólica muito forte; 
    • Inchaço abdominal 

    Causas da adenomiose

    Até o momento não se sabe ao certo a causa da adenomiose. No entanto, existem duas hipóteses.  

    A primeira é que procedimentos como cesariana e curetagem uterina, bem como múltiplos partos, promovem uma ruptura do limite entre a camada mais profunda do endométrio e o miométrio subjacente, em uma região chamada “zona juncional”, e isso predispõe ao desenvolvimento da adenomiose. 

    Já a segunda, envolve fatores genéticos que favorecem a diferenciação inadequada de tecido embrionário ou células tronco para tecido endometrial nessa região do miométrio. 

    Diagnóstico

    O diagnóstico da adenomiose é feito por meio da avaliação da história e dos sintomas de cada pessoa.  

    Além disso, é feito um exame físico, auxiliado por outros de imagem como ultrassom transvaginalressonância magnética da pelve e histeroscopia. 

    Em alguns casos, a histeroscopia, exame ginecológico de imagem que permite visualizar o interior do útero e o canal endocervical (parte mais externa do útero, que se estende para dentro da vagina), também pode ajudar no diagnóstico.

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    Tratamentos

    O tratamento definitivo da adenomiose é a histerectomia, cirurgia para a retirada do útero. A cirurgia pode ser realizada por algumas técnicas, são elas: 

    Histerectomia Laparoscópica: neste modelo, geralmente, são feitos pequenos furos no abdome e na pelve, que possibilitam a entrada de uma câmera no umbigo para a visualização dos órgãos. Com ela, é possível identificar e realizar o tratamento de adenomiose.  

    Histerectomia Robótica: cirurgia realizada por um dispositivo computadorizado que tem pelo menos dois médicos cirurgiões, onde um fica no console e outro no campo cirúrgico. Seu objetivo é contribuir para que os médicos tenham melhor assistência no momento da cirurgia. Além disso, com a histerectomia robótica há menor chance de perda de sangue, melhor recuperação do paciente e alta do hospital mais precoce. 

    Cirurgia convencional (laparotomia): trata-se de uma técnica cirúrgica usada desde a antiguidade, onde é realizada a abertura do abdômen para a visualização dos órgãos. É uma cirurgia mais agressiva e, portanto, requer mais tempo de internação do indivíduo.  

    Medicamentos: em algumas situações em que o quadro é inicial ou a paciente não deseja fazer cirurgia, pode-se utilizar alguns tipos de medicamentos; podem ser de uso hormonais ou não hormonais. Os hormonais incluem: pílulas anticoncepcionais, para a melhora dos sintomas que a adenomiose pode causar (dor pélvica, na menstruação, sangramento menstrual e/ou na relação sexual); DIU hormonal Mirena e implantes. Os não hormonais são: analgésicos, anti-inflamatórios e anti-hemorrágicos.  

    Aliado a esses tratamentos, ainda podem ser realizados:  

    Fisioterapia pélvica: a técnica que atua na reabilitação das disfunções do assoalho pélvico. Tem papel fundamental na adenomiose, pois age nas estruturas que estão com poucos movimentos, liberando-as. O resultado é a diminuição das dores e inchaços abdominais. 

    Meditação e Yoga: ambas as práticas auxiliam tanto no controle dos sintomas quanto na evolução da doença. 

    Acupuntura: terapia feita com agulhas inseridas em pontos específicos do corpo. 

    Estilo de vida saudável: isso inclui uma alimentação anti-inflamatória, a prática de atividade física, sono regular, além do manejo do estresse. 

    No entanto, em muitos casos, é possível alcançar a melhora dos sintomas e qualidade de vida dos indivíduos mesmo sem cirurgia. 

    Veja a seguir as três perguntas mais buscadas pelos leitores e suas respostas. 

    Adenomiose é câncer?

    Não. A adenomiose é uma doença benigna, não é câncer. Com base nas evidências atuais, a adenomiose não é considerada precursora do câncer de endométrio ou do câncer uterino, embora raríssimos casos de transformação maligna tenham sido descritos na literatura. 

    A adenomiose pode afetar a gravidez?

    Sim. Apesar de a maioria das mulheres com adenomiose não apresentarem problemas durante a gravidez, quando o útero está muito aumentado devido a este quadro, pode haver risco de diminuição da taxa de gestação, um aumento do risco de abortos, partos prematuros, rotura prematura de membranas (vazamento do líquido amniótico que envolve o feto em qualquer momento antes de o trabalho de parto ter começado), além de bebês pequenos para a idade gestacional. 

    Qual a diferença entre adenomiose e endometriose? 

    Ambas as doenças estão relacionadas ao tecido endometrial, mas são diferentes. Na endometriose, por exemplo, o tecido endometrial se instala em órgãos fora do útero, como ovários, intestino e bexiga. Na adenomiose, por sua vez, o tecido endometrial cresce no interior da parede do útero, no miométrio.

     

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