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    A fase lútea é a última etapa do ciclo menstrual

    Nela, o corpo se prepara para uma possível gravidez — e os sintomas da TPM costumam aparecer

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 15/05/2026, às 09:15 - Atualizado em 14/05/2026, às 14:12

     

    O ciclo menstrual é dividido em quatro fases, sendo a fase lútea a última delas. Começa logo após a ovulação e termina com o início da menstruação. 

    Nesse período, a progesterona tem uma missão central: preparar o útero para receber um embrião, caso a fecundação aconteça. Se a gravidez não se estabelece, os níveis de progesterona caem, o endométrio descama e o ciclo começa novamente.

    Fase lútea: o que é? 

    A fase lútea é a segunda metade do ciclo menstrual. Ela começa no dia seguinte à ovulação e dura até o primeiro dia da próxima menstruação. 

    O nome vem do corpo lúteo — estrutura formada no ovário a partir do folículo que liberou o óvulo. É o corpo lúteo que passa a produzir progesterona e, em menor quantidade, estrogênio. Esses hormônios se encarregam de “engrossar” o revestimento interno do útero, o endométrio, deixando-o receptivo para um possível embrião. 

    Se a fecundação não acontece, o corpo lúteo se degrada em torno de 10 dias após a ovulação. Com a queda da progesterona, o endométrio não se sustenta e vem a menstruação. 

    O que acontece durante a fase lútea? 

    No dia seguinte à ovulação, começa a fase lútea. O folículo rompido se transforma no corpo lúteo, e esta estrutura temporária passa a liberar progesterona, que age diretamente sobre o útero. 

    Sob a ação desse hormônio, o endométrio fica mais espesso e vascularizado — condições ideais para que um embrião se fixe e se desenvolva. Ao mesmo tempo, o muco cervical fica mais espesso, funcionando como uma barreira protetora contra bactérias. 

    Se o óvulo for fecundado, o embrião começa a produzir o hormônio hCG (gonadotrofina coriônica humana). Este hormônio sinaliza ao corpo lúteo que ele deve continuar produzindo progesterona para sustentar a gestação — pelo menos até a placenta assumir essa função, por volta da 12ª semana de gravidez. 

    Caso a fecundação não ocorra, o corpo lúteo regride. A progesterona cai. E o ciclo se reinicia com a menstruação. 

    Outras fases do ciclo menstrual 

    O ciclo menstrual é composto por quatro etapas que se sucedem de forma coordenada: 

    • Fase menstrual: é o primeiro dia do ciclo. O endométrio que não foi aproveitado descama e é eliminado na forma de menstruação. Dura, em geral, de 3 a 7 dias. 
    • Fase folicular: começa junto com a menstruação e vai até a ovulação. O hormônio FSH estimula o crescimento de diversos folículos nos ovários. Um deles se torna dominante e amadurece o óvulo. Dura em média de 10 a 14 dias. 
    • Ovulação: o folículo dominante se rompe e libera o óvulo maduro. É induzida por um pico do hormônio LH e dura cerca de 24 horas. 
    • Fase lútea: começa logo após a ovulação. O corpo lúteo produz progesterona e prepara o útero para uma possível gravidez. Dura entre 12 e 16 dias. 

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    Quanto tempo dura a fase lútea? 

    A fase lútea dura, em média, 14 dias. Ela é a fase mais estável do ciclo menstrual — ao contrário da fase folicular, que pode variar bastante de mulher para mulher. 

    Uma fase lútea entre 10 e 17 dias é considerada normal. Abaixo de 10 dias, fala-se em fase lútea curta. Nesse caso, o endométrio não tem tempo suficiente para “engrossar” e acolher um embrião, o que pode dificultar a gravidez. 

    Já uma fase lútea com mais de 18 dias pode indicar desequilíbrio hormonal — como a síndrome dos ovários policísticos (SOP). Quando o período esperado passa sem que a menstruação chegue, vale considerar fazer um teste de gravidez. 

    A fase lútea apresenta sintomas? 

    Sim. Os sintomas da fase lútea são os mesmos que a maioria das mulheres conhece como TPM (tensão pré-menstrual). Eles aparecem porque os níveis de progesterona — e depois de estrogênio — caem nos dias que antecedem a menstruação. 

    Os mais comuns são: 

    • Alterações de humor (irritabilidade, tristeza, ansiedade); 
    • Sensibilidade ou inchaço nos seios; 
    • Inchaço abdominal; 
    • Acne ou piora da oleosidade da pele; 
    • Mudanças no apetite; 
    • Leve aumento da temperatura corporal basal. 

    Nem todas as mulheres sentem esses sintomas. E a intensidade varia muito de pessoa para pessoa — e até de ciclo para ciclo na mesma mulher. 

    Dois sinais físicos podem ajudar a identificar que a fase lútea começou: a temperatura basal sobe levemente (cerca de 0,2 °C) logo após a ovulação, e o muco vaginal fica mais espesso e esbranquiçado — diferente da consistência elástica e transparente do período fértil. 

    É mais fácil de engravidar durante a fase lútea? 

    Não exatamente. A concepção acontece na fase lútea, mas as maiores chances de engravidar estão nos dias que antecedem a ovulação — ainda na fase folicular. 

    O óvulo liberado na ovulação sobrevive por apenas 12 a 24 horas. Os espermatozoides, por outro lado, podem viver por até 3- 5 dias no sistema reprodutivo feminino. Por isso, ter relações sexuais nos dias anteriores à ovulação pode aumentar muito as chances de fecundação. 

    Se o óvulo for fecundado, ele percorre as trompas de Falópio até o útero e se fixa no endométrio — evento chamado de nidação, que acontece entre o 7º e o 9º dia após a ovulação. É aí que a gravidez se estabelece de fato. 

    Portanto, a fase lútea é o momento em que a gravidez pode ou não se confirmar. Mas a janela ideal para tentar engravidar está na fase folicular, próximo à ovulação. 

    Se você quer entender melhor sua fertilidade e monitorar o ciclo com mais precisão, uma conversa com um ginecologista é sempre o melhor caminho.

     

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