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    Febre amarela: doença é transmitida por mosquitos

    Potencialmente grave, doença infecciosa pode ser prevenida pela vacinação

    Fonte: Dra. Ligia PierrottiInfectologistaPublicado em 17/04/2026, às 14:41 - Atualizado em 17/04/2026, às 14:46

    Febre amarela

    Febre, dor de cabeça e dor no corpo são sintomas comuns, que podem aparecer em muitas doenças. E uma delas é a febre amarela, infecção que ocorre de forma endêmica em dezenas de países da África Subsaariana e da América do Sul – incluindo o Brasil. Causa aproximadamente 200.000 casos e 30.000 óbitos por ano, no mundo.

    Febre amarela: o que é? 

    A febre amarela é uma doença infecciosa causada pelo vírus da febre amarela, um vírus do gênero flavivírus, cuja transmissão ocorre por mosquitos. 

    Essa condição costuma ser leve ou moderada em grande parte das pessoas. No entanto, há uma parcela de indivíduos que pode desenvolver a forma grave da doença, capaz de levar à morte. 

    Transmissão da febre amarela 

    A febre amarela não passa de pessoa para pessoa diretamente. Para que sua transmissão aconteça, é necessário haver um mosquito infectado pelo vírus.  

    No Brasil, a transmissão da febre amarela ocorre exclusivamente pelo ciclo silvestre. Nesse ciclo, primatas não humanos são os hospedeiros naturais do vírus nas áreas rurais e de mata. Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais, que podem se infectar ao entrar nesses ambientes e serem picados por mosquitos transmissores.  

    A transmissão da doença se dá principalmente por mosquitos dos gêneros Haemagogus Sabethes. Nas áreas rurais e silvestres, esses mosquitos se infectam ao picarem primatas não humanos contaminados pelo vírus da febre amarela. Uma vez contaminados, os insetos podem transmitir a febre amarela ao picar indivíduos não imunes à doença. 

    Vale dizer que, além de não ocorrer transmissão entre humanos, não há transmissão de macaco para humano. É preciso haver um mosquito contaminado com o vírus. 

    Cabe ressaltar também que não há transmissão da febre amarela pelo ciclo urbano desde 1942. Dessa forma, os mosquitos do gênero Aedes (Ae. Aegypti), responsáveis pela transmissão das arboviroses urbanas (dengue, zika e Chikungunya), não transmitem a febre amarela no país há décadas. 

    Sintomas da febre amarela 

    Aproximadamente metade das pessoas infectadas com o vírus da febre amarela não desenvolverão nenhum sintoma, ou seja, terão uma infecção assintomática. 

    Quando os pacientes desenvolvem sintomas da febre amarela, as primeiras manifestações surgem depois de 3 a 6 dias da picada do mosquito – porém, em algumas situações, pode demorar até 15 dias para os primeiros sintomas da infecção aparecerem. 

    Os primeiros sintomas da febre amarela são bastante inespecíficos, como febre súbita, dor de cabeça, dor no corpo, náusea, vômito, fadiga e fraqueza. 

    Apenas na segunda fase da doença, conhecida como a fase tóxica, que ocorre em cerca de 10 a 20% dos pacientes sintomáticos, é que o paciente apresenta a icterícia (cor amarelada da pele e dos olhos) e outros sintomas, como hemorragias e choque. 

    Nesse período, o vírus se multiplica no organismo, causando insuficiência hepática e falência de múltiplos órgãos. Além de atingir o fígado, a doença afeta outros órgãos, como coração, rins e cérebro. Os pacientes que evoluem para essa fase tóxica da doença apresentam alta letalidade. 

    Como é feito o diagnóstico? 

    A suspeita diagnóstica de febre amarela é baseada na história de exposição em áreas endêmicas, nos sintomas clínicos característicos e nos achados laboratoriais. O diagnóstico confirmatório da doença é feito pelo exame de sorologia ou pela detecção do material genético do vírus no sangue ou em tecidos acometidos pela doença.  

    A sorologia, capaz de identificar anticorpos que indicam uma infecção causada pelo vírus, detecta anticorpos da classe IgM na fase aguda, a partir do 6º dia da doença. Se negativo, deve ser repetido após 14 dias da primeira amostra. 

    O RT-PCR para febre amarela, teste molecular que detecta o ácido nucleico do vírus no sangue do paciente, possibilita o diagnóstico mais precoce da doença, sendo positivo antes do aparecimento dos anticorpos IgM na sorologia.

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    Tratamentos para a febre amarela 

    Não existe um medicamento específico para o tratamento da febre amarela. Por isso, o tratamento da doença é sintomático e de suporte, incluindo internação hospitalar nos casos graves.  

    Nos quadros graves de febre amarela, o atendimento deve ser feito em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com monitoramento contínuo e manejo das principais complicações, como falência hepática e renal, distúrbios da coagulação e choque. 

    Os avanços no conhecimento e manejo da febre amarela nos últimos anos foram fundamentais para a redução da letalidade em casos graves da doença.  

    Como prevenir a febre amarela? 

    vacina febre amarela é a principal forma de prevenção contra a doença. No Brasil, esse imunizante é recomendado em todo o território nacional, para toda a população a partir dos 9 meses de idade. 

    Quando a vacinação se inicia aos 9 meses de idade, é indicada uma dose de reforço aos 4 anos. Para pessoas com 5 anos ou mais que ainda não foram vacinadas, o esquema de vacinação é feito com uma única dose. A vacina é altamente eficaz e oferece proteção duradoura, por isso não há recomendação de reforços periódicos.

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    Certificado internacional de vacinação febre amarela 

    Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) serve como comprovante obrigatório de vacinação contra febre amarela para entrada em determinados países, conforme estabelecido pelos Regulamentos Sanitários Internacionais. Esse certificado tem duas funções principais: proteção individual do viajante e prevenção da importação e disseminação internacional do vírus da febre amarela.  

    Para fins de viagem internacional, as vacinas contra febre amarela devem ser administradas em um centro de vacinação aprovado. Como comprovante de recebimento da vacina contra febre amarela, todos os vacinados devem possuir um CIVP completo, validado com a assinatura do profissional de saúde e o carimbo oficial do centro de vacinação. Um CIVP com preenchimento incompleto ou impreciso não é válido.  

    O certificado de vacinação é válido a partir de 10 dias após a data de vacinação, pois esse é o tempo que o sistema imunológico leva para produzir os anticorpos necessários para proteção contra a doença. E, conforme estabelece a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma única dose garante proteção por toda a vida. Portanto, uma vez emitido, o CIVP para essa doença não tem data de validade. 

    A lista de países que exigem o certificado internacional de vacinação da febre amarela pode mudar com o tempo. Por isso, é fundamental verificar a exigência específica do seu destino, bem como a de países onde será feita escala ou conexão, antes de embarcar. Alguns dos países que costumam solicitar o CIVP de febre amarela são:  

    • África do Sul; 
    • Austrália; 
    • Bahamas; 
    • Bolívia; 
    • China; 
    • Colômbia;  
    • Egito; 
    • Índia; 
    • Indonésia;  
    • Paraguai; 
    • Singapura;  
    • Tailândia. 

    Viajantes que chegam a um país com requisito de entrada para vacinação contra febre amarela sem comprovação de vacinação podem ser colocados em quarentena por até 6 dias.  

    Vacina contra febre amarela: preço e onde agendar 

    Para consultar o preço da vacina febre amarela, localizar o laboratório mais próximo da sua região ou verificar a cobertura do atendimento domiciliar, basta acessar a nossa plataforma digital – onde também é possível realizar o agendamento.

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