Infarto em jovens: causas, sintomas e tratamentos
Dados oficiais mostram aumento expressivo de casos e óbitos nessa faixa etária na última década

O número de internações por infarto em jovens de até 39 anos registrou um aumento expressivo de 59% em uma década. Os dados, levantados pelo Ministério da Saúde, acenderam um alerta na comunidade médica, indicando também uma alta de 9% nas mortes dentro desse grupo.
Embora o infarto seja historicamente uma das principais causas de óbito em idosos, o cenário mudou. Nos últimos anos, observamos uma incidência crescente em pessoas com menos de 45 anos, impulsionada pelo estilo de vida moderno, estresse e má alimentação.
Esse crescimento vai na contramão do que se observa na terceira idade, onde as taxas de mortalidade tendem a se estabilizar devido ao controle medicamentoso. Com isso, a saúde cardiovascular deixou de ser uma preocupação exclusiva dos mais velhos e tornou-se prioridade para quem ainda nem chegou aos 40.
Os números são reflexo do aumento de comorbidades em jovens, especialmente doença cardiovascular, hipertensão, obesidade e diabetes.
Além disso, o estilo de vida adotado por muitas dessas pessoas, que somam o sedentarismo, a má alimentação e o estresse crônico (que afeta ainda mais a nossa saúde mental), também agravam o problema.
E vale lembrar que, embora os casos entre jovens tenham aumentado, de modo geral, tanto os sintomas quanto o risco de morte por infarto são iguais entre eles e os mais velhos.
Neste artigo, você vai ler:
Causas de infarto em jovens
As causas para o aumento de infarto em jovens são múltiplas. Entre as principais estão:
- Má alimentação
- Sedentarismo
- Tabagismo
- Obesidade
- Doenças relacionadas ao aumento do risco de infarto: hipertensão, diabetes e aumento do colesterol
- Histórico familiar
- Uso de drogas, especialmente cocaína
Além desses fatores, comportamentos de risco têm acelerado os casos nessa faixa etária. O uso indiscriminado de anabolizantes para fins estéticos pode causar hipertrofia (aumento exagerado) do músculo cardíaco e lesões nas artérias.
Outro perigo é a combinação de álcool com bebidas energéticas, muito comum em festas. Essa mistura mascara a embriaguez e sobrecarrega o coração, aumentando o risco de arritmias graves.
O uso de estimulantes sexuais sem orientação médica e a prática de exercícios físicos intensos esporadicamente (o famoso “atleta de fim de semana”) sem preparo prévio também podem servir como gatilho para o infarto.
Por que o infarto em jovens é considerado mais perigoso?
Você já deve ter ouvido que o infarto em jovens costuma ser “fulminante”. Isso tem uma explicação fisiológica: a falta da circulação colateral.
Nos idosos, as placas de gordura (aterosclerose) costumam se formar lentamente ao longo dos anos. Esse processo gradual dá tempo para o organismo criar novos vasinhos sanguíneos (caminhos alternativos) para o sangue passar e irrigar o coração.
Já no jovem, o entupimento da artéria geralmente é abrupto (causado por um coágulo ou espasmo repentino). Como não existem esses “caminhos alternativos” formados, o bloqueio interrompe totalmente o fluxo de sangue, causando uma morte extensa e rápida do músculo cardíaco, o que diminui as chances de sobrevivência.
Doenças associadas ao infarto
Como o infarto acontece devido à interrupção da passagem de sangue para os vasos do coração, muitas doenças que provocam alterações nas artérias estão associadas a ele. Confira as principais delas:
- Aterosclerótica: principal causa do infarto, o desenvolvimento precoce de aterosclerose nos vasos sanguíneos causa entupimento da artéria, impedindo que o sangue irrigue adequadamente o órgão acometido, que pode ser o cérebro, coração ou membros inferiores.
- Hipertensão: quando a pressão arterial está elevada, o coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue, o que pode favorecer a formação de coágulos, que podem provocar o infarto.
- Doenças que afetam a circulação coronariana: (vasos que levam a circulação diretamente ao músculo do coração): trata-se da aterosclerose no coração, que pode culminar com evento agudo (infarto), impedindo parcial ou totalmente a passagem de sangue para as artérias coronárias.
- Diabetes: se não controlado, o excesso de glicose pode danificar a parede dos vasos sanguíneos e acelerar o desenvolvimento da aterosclerose.
- Obesidade: por estar associada ao sedentarismo e alto consumo de gordura e açúcar, a obesidade aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como as já mencionadas – diabetes e hipertensão.
- Colesterol alto: o acúmulo de colesterol ruim nas artérias dificulta a circulação sanguínea e pode causar até o entupimento delas, interrompendo o fluxo.
- Embolia: são coágulos que se formam dentro dos vasos ou até mesmo no coração e que se deslocam, obstruindo um vaso à distância.
- Arritmias: pela possibilidade de causar um aumento excessivo de batimentos do coração, as arritmias fazem com que o órgão trabalhe mais, podendo provocar o infarto.
Sintomas de infarto em jovem
Os sintomas de infarto nos jovens não são diferentes de outras faixas etárias. Entre os principais estão:
- Dor no peito
- Dor no ombro, braços ou costas
- Suor excessivo
- Náusea
- Vômito
- Falta de ar
- Palidez
- Cansaço
Um ponto de atenção: a dor no peito por mais de 10 minutos associada aos outros sintomas aqui citados são um sinal de alerta. Portanto, acione o serviço de emergência imediatamente, como o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pelo 192.
Formas de prevenir o infarto em jovens
A prevenção deve começar muito antes dos 40 anos, principalmente para quem tem histórico familiar de doenças cardíacas. E passa pelo controle dos fatores de risco:
Check-up precoce
Não espere sentir dor. Se você tem parentes próximos que infartaram jovens, procure um cardiologista para avaliar suas taxas de colesterol e glicemia.
Atenção ao estresse
A rotina de trabalho exaustiva e a ansiedade liberam hormônios (como adrenalina e cortisol) que agridem o coração.
Evite o tabagismo
Isso inclui os cigarros eletrônicos (vapes), que contêm nicotina e outras substâncias tóxicas que inflamam os vasos sanguíneos.
Atividade física regular
Abandone o sedentarismo, mas sempre com orientação profissional.
Diagnóstico
Primeiramente, o diagnóstico é feito pelo histórico clínico de cada indivíduo, quando o médico faz a investigação sobre quais são os sintomas de cada paciente.
O histórico familiar de infarto ou AVC (acidente vascular cerebral) em algum parente próximo também deve ser levado em consideração, pois pode pressupor uma tendência genética que indica maior risco.
Além disso podem ser solicitados exames laboratoriais como:
Eletrocardiograma: exame básico e indolor que avalia a atividade elétrica do coração. É feito por meio de eletrodos, pequenos dispositivos que são colocados na pele e conectam o paciente a um monitor para detectar o ritmo e o número de batimentos do coração. Por meio do eletrocardiograma, é possível identificar uma série de problemas cardíacos, como arritmias e infarto.
Marcadores de necrose miocárdica: muito úteis para o diagnóstico precoce do infarto, esses marcadores podem identificar a lesão miocárdica, ou seja, na parede do coração, e são dosados no sangue.
Tratamentos
O tratamento do infarto depende da gravidade e pode variar de acordo com a causa. Alguns que podem ser utilizados são:
Cateterismo: procedimento feito com tubo flexível fino introduzido na artéria do braço ou da perna, que é conduzido até o coração com o objetivo de verificar obstruções nas artérias e avaliar o funcionamento das válvulas e do músculo cardíaco. Dessa forma, é possível ter uma dimensão melhor do problema e traçar uma estratégia.
Angioplastia: feita logo após o cateterismo, a angioplastia é o tratamento mais comum para infarto em todo o mundo e consiste no implante de uma ou mais próteses que recebe o nome de stent, pequeno e expansível tubo, colocado no local onde a artéria está obstruída.
Revascularização do miocárdio: é conhecida popularmente como ponte de safena e tem como objetivo melhorar o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. É uma cirurgia de grande porte que pode ser feita com diferentes tipos de enxertos, que são costurados onde estão os pontos obstruídos, levando o sangue e oxigênio para onde precisam ir.
Medicamentos: podem ser utilizados para desobstruir as veias, manter o fluxo de sangue adequado e/ou para melhorar a recuperação do músculo do coração de pessoas que já sofreram um infarto.
Contudo, lembre-se: a prevenção é o melhor remédio. Por isso, mantenha uma vida saudável com bons hábitos alimentares, prática regular de exercícios físicos e visitas regulares ao cardiologista.
Prevenir é um caminho contínuo e permanente que impacta diretamente no estilo de vida. Por isso, fatores como alimentação, controle dos fatores de risco e atividade física regular e visitar o médico regularmente fazem parte desta prevenção.
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