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    Perimenopausa: o que é, sintomas e como lidar com essa fase

    A transição para a menopausa pode durar anos e traz uma série de sintomas que impactam o dia a dia

    Fonte: Dr. Jaime Kulak JuniorGinecologistaPublicado em 23/09/2026, às 09:22 - Atualizado em 23/09/2026, às 10:43

    perimenopausa

    A menstruação fica irregular, os humores oscilam, o sono piora. Pode ser TPM. Pode ser estresse e sobrecarga. Mas, dependendo da fase da vida da mulher, também podem ser sintomas típicos da perimenopausa. 

    Essa transição é natural e inevitável. E conhecer os sinais e buscar orientação ajuda a atravessá-la com mais informação, mais controle e qualidade de vida.

    Perimenopausa: o que é? 

    A perimenopausa é o período de transição hormonal que antecede a menopausa. É a fase em que os ovários começam a reduzir gradualmente a produção de estrogênio e progesterona, os principais hormônios do ciclo reprodutivo feminino. Essa redução não é linear: os níveis oscilam de forma irregular, o que explica a imprevisibilidade dos sintomas. 

    A menopausa em si é o momento preciso da última menstruação da vida da mulher, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. E, a perimenopausa, é tudo que vem antes disso: um período de transição que pode durar de alguns meses a 2 ou 3 anos. Por isso, muitas mulheres que já estão na perimenopausa sequer sabem disso. 

    É importante também diferenciar a perimenopausa do climatério, termos frequentemente usados como sinônimos, mas com uma distinção técnica. O climatério é um conceito mais amplo, que engloba toda a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo, incluindo a perimenopausa, a própria menopausa e os primeiros anos após ela (pós-menopausa). 

    Geralmente, a perimenopausa começa em qual idade? 

    A perimenopausa começa, em média, entre os 45 e os 47 anos, mas há ampla variação individual. Algumas mulheres começam a perceber os primeiros sinais já aos 40 anos; outras só entram nessa fase mais perto dos 50. 

    Durante esse período, os ciclos menstruais ficam progressivamente mais irregulares até cessarem completamente. 

    É possível engravidar durante a perimenopausa? 

    Sim. Enquanto a mulher ainda estiver menstruando – mesmo que de forma irregular -, a possibilidade de ovulação e gravidez existe. A perimenopausa não é sinônimo de infertilidade. 

    Por isso, mulheres na perimenopausa que não desejam engravidar devem manter o uso de algum método contraceptivo até completar 12 meses sem menstruação, que é o critério que confirma a menopausa. Uma menstruação atrasada ou ausente nessa fase não significa necessariamente que a menopausa chegou. 

    Ao mesmo tempo, mulheres que desejam engravidar durante a perimenopausa devem saber que a fertilidade está reduzida e o risco de complicações na gestação é maior. A orientação de um ginecologista especializado é fundamental para avaliar a viabilidade e os riscos de cada caso. 

    Sintomas da perimenopausa 

    Os sintomas da perimenopausa são causados pelas oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona. Como esses hormônios não caem de forma linear – mas sobem e descem de forma irregular ao longo dos meses -, os sintomas também podem variar em intensidade de um mês para o outro. 

    Os mais comuns são: 

    • Irregularidade menstrual: os ciclos ficam mais curtos, mais longos, mais intensos ou mais escassos – e a imprevisibilidade é a marca da perimenopausa. É frequentemente o primeiro sinal percebido. 
    • Ondas de calor (fogachos): sensação súbita de calor intenso que começa no tronco e se espalha para o rosto e pescoço, geralmente acompanhada de suor. Podem durar de alguns segundos a vários minutos. 
    • Distúrbios do sono: dificuldade para adormecer, acordar durante a noite e sonos fragmentados – frequentemente associados às ondas de calor noturnas. 
    • Mudanças de humor: irritabilidade, ansiedade, tristeza e oscilações emocionais que podem ser confundidas com TPM intensa ou episódios depressivos. 
    • Ressecamento vaginal: a queda do estrogênio afeta a lubrificação natural da vagina, causando desconforto, ardência e dor durante as relações sexuais. 
    • Diminuição da libido: a queda de estrogênio e testosterona pode reduzir o desejo sexual. 
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória: queixas frequentes nessa fase, relacionadas à ação do estrogênio sobre o funcionamento cerebral. 
    • Tontura: pode aparecer como sintoma associado às oscilações hormonais, especialmente durante as ondas de calor. 
    • Cansaço e fadiga: sensação de esgotamento que não melhora com o descanso. 
    • Queda de cabelo e alterações na pele: a pele pode ficar mais seca e os cabelos mais finos com a queda hormonal. 
    • Ganho de peso: especialmente na região abdominal, associado à redistribuição de gordura promovida pelas mudanças hormonais. 

    A intensidade dos sintomas varia muito entre as mulheres. Enquanto algumas quase não percebem a transição, outras relatam impacto significativo na qualidade de vida e na saúde mental. 

    Quando procurar por um médico? 

    Qualquer mulher acima dos 40 anos que note mudanças no padrão menstrual ou sintomas sugestivos de transição hormonal deve consultar o ginecologista. Não é preciso esperar que os sintomas se tornem intensos para buscar orientação. 

    Busque avaliação com mais urgência se: 

    • Os fogachos forem frequentes e intensos a ponto de interferir no sono e na rotina; 
    • O ciclo menstrual estiver muito irregular ou com sangramento intenso; 
    • Houver sangramento após relações sexuais ou fora do padrão habitual; 
    • Os sintomas emocionais – ansiedade, irritabilidade ou tristeza – estiverem afetando a qualidade de vida; 
    • Você estiver com menos de 40 anos e apresentando sinais de transição hormonal; 
    • Houver interesse em iniciar métodos contraceptivos ou terapia hormonal. 

    O ginecologista é o especialista de referência para o acompanhamento da perimenopausa. Em alguns casos, o endocrinologista pode ser envolvido, especialmente quando há alterações metabólicas, como resistência à insulina ou disfunções da tireoide. 

    Exames indicados durante a perimenopausa 

    O diagnóstico da perimenopausa é predominantemente baseado nos sintomas e no histórico menstrual da mulher. Os exames laboratoriais não definem o diagnóstico, mas confirmam a fase hormonal, descartam outras causas e ajudam a guiar o tratamento. 

    Os principais exames indicados são: 

    • FSH (hormônio folículo-estimulante): níveis elevados de FSH – especialmente acima de 25 mUI/mL em duas dosagens com intervalo de pelo menos 4 semanas – são sugestivos de transição para a menopausa. Mas como os níveis oscilam bastante na perimenopausa, um único resultado não é suficiente para concluir o diagnóstico; 
    • Estradiol: avalia o nível do principal estrogênio circulante. A queda progressiva do estradiol, combinada com FSH elevado, reforça a suspeita de perimenopausa; 
    • TSH e T4 livre: o hipotireoidismo pode causar sintomas muito semelhantes aos da perimenopausa, como cansaço, ganho de peso, alterações de humor e irregularidade menstrual. Descartar disfunção da tireoide é essencial; 
    • Hemograma e ferritina: para avaliar anemia, especialmente quando há sangramento intenso; 
    • Glicemia e perfil lipídico: a queda do estrogênio aumenta o risco cardiovascular e metabólico. Monitorar colesterol, triglicérides e glicemia faz parte do check-up feminino nessa fase; 
    • Densitometria óssea: a perda de estrogênio acelera a perda óssea. A densitometria avalia o risco de osteoporose, sendo fundamental para decisões sobre terapia hormonal e suplementação; 
    • Mamografia e ultrassonografia de mama: parte obrigatória da investigação antes de iniciar qualquer terapia hormonal; 
    • Papanicolau e ultrassonografia transvaginal: mantidos na rotina ginecológica para avaliação do colo do útero e do endométrio.

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    Em quais casos a reposição hormonal é indicada na perimenopausa? 

    A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais eficaz para os sintomas da perimenopausa e da menopausa. Ela envolve a reposição de estrogênio – isolado ou combinado com progesterona – para repor os hormônios que os ovários estão deixando de produzir. 

    A TRH é indicada principalmente quando: 

    • Os fogachos são frequentes e intensos, interferindo no sono e na qualidade de vida; 
    • Há ressecamento vaginal importante com dor nas relações sexuais; 
    • A perda óssea está acelerada, com risco aumentado de osteoporose; 
    • Os sintomas emocionais – irritabilidade, ansiedade ou humor deprimido – estão claramente associados à queda hormonal; 
    • A mulher está na “janela de oportunidade”: nos primeiros 10 anos após o início da menopausa ou antes dos 60 anos, fase em que os benefícios cardiovasculares da TRH são mais expressivos. 

    A TRH não é indicada – ou deve ser usada com cautela – em mulheres com histórico de câncer de mama hormônio-dependente, trombose venosa profunda, doença hepática grave ou sangramento vaginal sem causa esclarecida. 

    A decisão de iniciar a reposição hormonal é sempre individualizada. O médico avalia o histórico clínico, os fatores de risco e as preferências da paciente antes de indicar o esquema mais adequado. Não existe uma resposta única para todas as mulheres. 

    Como lidar com os sintomas? 

    A perimenopausa é uma fase de transição e, com orientação adequada, é possível atravessá-la com qualidade de vida, seja com ou sem terapia hormonal. Além da TRH quando indicada, existem outras estratégias que ajudam no manejo dos sintomas: 

    • Atividade física regular: fundamental para o controle dos fogachos, a preservação da massa óssea, a saúde cardiovascular e o equilíbrio emocional. Exercícios de resistência são especialmente indicados para a saúde dos ossos; 
    • Alimentação equilibrada: rica em cálcio, vitamina D e proteínas, com redução de açúcares refinados e álcool – que podem intensificar os fogachos; 
    • Higiene do sono: rotina de horários, ambiente escuro e fresco, redução de estimulantes à noite; 
    • Técnicas de manejo do estresse: meditação, yoga e respiração consciente podem ajudar a controlar a ansiedade e os fogachos; 
    • Fitoterápicos: isoflavonas de soja, cimicifuga e outros compostos de origem vegetal podem aliviar moderadamente os fogachos em mulheres que não podem ou não desejam usar hormônios. A eficácia varia e o uso deve ser discutido com o médico; 
    • Suporte psicológico: quando os sintomas emocionais são intensos, a psicoterapia – especialmente a terapia cognitivo-comportamental – tem evidências sólidas de benefício nessa fase. 

    O acompanhamento ginecológico regular durante a perimenopausa é indispensável, não apenas para gerenciar os sintomas, mas para monitorar a saúde cardiovascular, óssea e reprodutiva ao longo dessa transição.

     

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