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    Verruga genital: a manifestação mais visível do HPV

    Os tipos 6 e 11 do vírus são os principais responsáveis, e a vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 23/09/2026, às 08:53 - Atualizado em 23/09/2026, às 08:54

    verruga genital

    A verruga genital é o sintoma mais comum do HPV, a IST mais comum do mundo. Neste tipo de infecção o vírus pode ficar inativo por meses ou anos antes de produzir qualquer lesão visível. Quando as verrugas aparecem, o diagnóstico e o tratamento precisam ser feitos com acompanhamento médico. 

    Conhecer a doença é o primeiro passo tanto para tratar quanto para prevenir. E a prevenção, nesse caso, tem nome: vacina.

    Verruga genital: o que é? 

    A verruga genital é a manifestação mais visível da infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus transmitido sexualmente. Também conhecida como condiloma acuminado ou, popularmente, crista de galo, ela se caracteriza pelo aparecimento de lesões na região genital, anal e, em casos mais raros, na boca e na garganta.  

    Estima-se que os tipos de HPV responsáveis por essas lesões respondam por cerca de 90% dos casos de condiloma acuminado. Apesar de serem causadas por tipos de baixo risco – o 6 e o 11 -, as verrugas genitais são altamente contagiosas e podem causar desconforto físico e impacto emocional considerável. 

    Já as lesões causadas por tipos de alto risco do HPV, como os tipos 16 e 18, geralmente não produzem verrugas visíveis, e seu impacto acontece em nível celular, identificado por exames como o Papanicolau e os testes moleculares para HPV. 

    Elas são responsáveis por lesões pré-cancerígenas e cânceres do colo do útero, vulva, ânus e orofaringe.  

    Verruga genital feminina 

    Nas mulheres, as verrugas genitais podem surgir na vulva, nos pequenos e grandes lábios, na vagina, no colo do útero, na região perianal e no períneo. Muitas vezes as lesões no colo do útero e na vagina não são visíveis a olho nu e só são detectadas em exames ginecológicos como a colposcopia e a vulvoscopia. 

    As verrugas podem ser únicas ou múltiplas, planas ou elevadas com aparência de couve-flor. A cor varia do tom da pele ao rosado ou acastanhado. Em mulheres grávidas, as lesões tendem a crescer mais rapidamente pela imunossupressão natural da gestação. 

    Verruga genital masculina 

    Nos homens, as verrugas genitais aparecem com maior frequência no prepúcio, na glande, no corpo do pênis, no escroto e na região perianal. Lesões no interior da uretra, embora menos comuns, também podem ocorrer e costumam causar desconforto ao urinar. 

    O diagnóstico masculino é feito pelo exame visual da região genital. Em casos de lesões microscópicas ou quando o parceiro ou a parceira tem diagnóstico confirmado de HPV, a peniscopia é o exame indicado para identificar alterações não visíveis a olho nu. 

    O que causa as verrugas genitais? 

    As verrugas genitais são lesões causadas pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus com mais de 200 tipos identificados. Desses, cerca de 40 têm potencial de infectar a região genital e anal. Os tipos 6 e 11 são os principais responsáveis pelas verrugas visíveis. 

    A transmissão ocorre pelo contato direto com a pele ou as mucosas infectadas, sobretudo durante as relações sexuais, sejam vaginais, anais ou orais. O vírus pode ser transmitido mesmo sem a presença de verrugas visíveis: a pessoa infectada pode estar assintomática e ainda assim transmiti-lo. 

    Outros pontos importantes sobre a transmissão: 

    • O uso de preservativo reduz o risco de transmissão, mas não o elimina completamente, pois o vírus pode estar presente em áreas da pele não cobertas pelo preservativo; 
    • A transmissão pelo contato com superfícies ou objetos é considerada muito rara; 
    • A transmissão da mãe para o bebê durante o parto vaginal pode ocorrer, embora seja incomum. Em casos raros, pode causar papilomatose respiratória recorrente no recém-nascido; 
    • O período de incubação varia de semanas a meses e, em alguns casos, anos. Por isso, o surgimento de verrugas não indica necessariamente uma infecção recente.

    Sintomas geralmente associados à verruga genital 

    A verruga genital em si pode ser assintomática, sobretudo nos estágios iniciais. Quando provoca sintomas, os mais comuns são: 

    • Lesões visíveis na região genital ou perianal: pequenas protuberâncias ou lesões agrupadas, com aparência de couve-flor, cor variando do tom da pele ao rosado ou acastanhado; 
    • Coceira (prurido): na região afetada, com intensidade variável; 
    • Ardência ou queimação local: sobretudo durante as relações sexuais; 
    • Sensação de desconforto ou corpo estranho na região genital; 
    • Sangramento leve após relações sexuais: nos casos de lesões na vagina ou no colo do útero; 
    • Corrimento vaginal incomum: quando as lesões afetam a vagina ou o colo do útero. 

    Em muitos casos, as lesões surgem de forma gradual e podem ser confundidas com outras condições dermatológicas, como molusco contagioso, herpes genital ou foliculite. A avaliação médica é indispensável para o diagnóstico correto. 

    Riscos 

    As verrugas genitais causadas pelos tipos 6 e 11 do HPV são consideradas benignas, ou seja, não evoluem para câncer. Mas isso não significa que a condição seja isenta de riscos: 

    • Transmissão do vírus: a pessoa com verrugas ativas transmite o HPV com maior facilidade. Mesmo após o tratamento e a eliminação das lesões visíveis, o vírus pode permanecer no organismo; 
    • Recidiva: as verrugas genitais têm alta taxa de recorrência. O vírus pode permanecer latente após o tratamento e as lesões podem reaparecer, sobretudo em períodos de queda da imunidade; 
    • Coinfecção por outros tipos de HPV: uma pessoa com verrugas causadas pelos tipos 6 ou 11 pode ser infectada simultaneamente por tipos de alto risco oncogênico. Por isso, mulheres com diagnóstico de verruga genital devem manter a rotina de exames preventivos; 
    • Complicações na gestação: em mulheres grávidas, as verrugas tendem a crescer em tamanho e número. Em casos raros, lesões volumosas no canal vaginal podem dificultar o parto; 
    • Impacto emocional: receber o diagnóstico de verruga genital pode gerar ansiedade, culpa e reflexos na vida sexual e nos relacionamentos. O suporte psicológico pode ser parte do cuidado.

    Como prevenir verrugas genitais? 

    A prevenção das verrugas genitais combina vacinação, uso de preservativo e acompanhamento médico regular. 

    • Vacina contra o HPV: é a medida preventiva mais eficaz disponível. A vacina quadrivalente, disponível no SUS, protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, cobrindo os principais tipos causadores de verrugas genitais e de lesões cancerígenas. No SUS, a vacinação é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e também pode ser realizada como estratégia de resgate em adolescentes de 15 a 19 anos que não tenham sido previamente vacinados. Para pessoas imunocomprometidas, incluindo aquelas vivendo com HIV, transplantadas e pacientes oncológicos, a vacinação está indicada de 9 a 45 anos, em esquema de três doses. Também são contemplados grupos especiais, como usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV, vítimas de violência sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente e aquelas mulheres tratadas por pré-cancer do colo uterino.  

    Na rede particular, a vacina disponível é a nonavalente (tipos HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), podendo ser administrada em pessoas de 9 até 45 anos;

    Agendar exames

    • Uso de preservativo: reduz o risco de transmissão, mas não oferece proteção completa, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pelo preservativo; 
    • Acompanhamento ginecológico regular: o Papanicolau e os testes de DNA HPV são instrumentos para identificar infecções e lesões antes que se tornem um problema maior; 
    • Comunicação com parceiros: informar parceiros sobre o diagnóstico possibilita que também se protejam e busquem avaliação médica.

    Quando procurar por um médico? 

    Procure avaliação médica se você perceber qualquer lesão, protuberância, mancha ou mudança na aparência da pele da região genital ou perianal, mesmo que não cause dor ou desconforto. 

    Busque atendimento com mais urgência se: 

    • As lesões crescerem rapidamente ou aumentarem em número; 
    • Houver sangramento na região genital sem relação com a menstruação; 
    • O parceiro ou a parceira recebeu diagnóstico de HPV ou de verruga genital; 
    • Você estiver grávida e perceber alterações na região genital. 

    O especialista mais indicado varia conforme o sexo e a localização das lesões. O ginecologista é o profissional de referência para as mulheres, mas dermatologistas, infectologistas e proctologistas também podem ser envolvidos, a depender da área afetada. Para os homens, o urologista e o dermatologista são as principais referências. 

    Exames indicados 

    O diagnóstico da verruga genital é predominantemente clínico, feito pelo exame visual das lesões. Mas alguns exames complementares são indicados para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão das lesões e identificar outros tipos de HPV presentes. 

    Os principais exames são: 

    • Vulvoscopia: indicada para mulheres com suspeita de lesões na vulva, no monte pubiano, nos lábios, na entrada da vagina e na região perianal. O médico utiliza o colposcópio com ácido acético para identificar lesões não visíveis a olho nu. As áreas alteradas ficam esbranquiçadas com a aplicação do reagente, orientando a biópsia quando necessário; 
    • Colposcopia: avalia o colo do útero e a vagina com o colposcópio. É indicada quando há suspeita de lesões internas, alterações no Papanicolau ou diagnóstico confirmado de HPV. Permite identificar lesões benignas, inflamações e lesões pré-cancerígenas; 
    • Peniscopia: exame não invasivo que analisa todo o trato genital masculino, desde a região pubiana até a perianal, com auxílio do colposcópio e ácido acético. Indicada para homens com lesões visíveis, suspeita de HPV ou cujo parceiro ou parceira tem diagnóstico confirmado; 
    • Testes de biologia molecular (PCR e hibridização molecular): detectam o DNA do HPV e identificam os tipos específicos do vírus. Permitem diferenciar tipos de baixo risco dos de alto risco oncogênico; 
    • Biópsia: coleta de fragmento da lesão para análise anatomopatológica. Indicada quando a lesão tem aparência atípica, não responde ao tratamento ou há suspeita de malignidade; 
    • Papanicolau: parte da rotina preventiva para mulheres, detecta alterações celulares no colo do útero causadas pelo HPV.

    Formas de tratamento para a verruga genital 

    Não existe tratamento capaz de eliminar o HPV do organismo. O que os tratamentos disponíveis fazem é remover as verrugas visíveis, aliviar os sintomas e reduzir a transmissibilidade. A escolha da abordagem depende da quantidade, tamanho e localização das lesões, da saúde geral do paciente e da resposta a tratamentos anteriores. 

    Tratamentos tópicos, aplicados diretamente nas lesões: 

    • Imiquimode: creme que estimula o sistema imunológico a combater o vírus localmente. O paciente aplica em casa, geralmente 3 vezes por semana, por até 16 semanas. Contraindicado durante a gestação; 
    • Podofilotoxina (podofilina): solução ou gel com ação citotóxica que destrói o tecido das verrugas. Aplicada pelo próprio paciente ou pelo médico, uma vez por semana, por ciclos. Também contraindicada na gravidez; 
    • Ácido tricloroacético (ATA): aplicado pelo médico diretamente nas verrugas. Indicado para lesões pequenas, inclusive em gestantes, uma vez na semana. 

    Procedimentos em consultório ou centro cirúrgico: 

    • Crioterapia: congelamento das verrugas com nitrogênio líquido. Procedimento rápido, indicado para lesões pequenas. Pode exigir múltiplas sessões; 
    • Eletrocauterização: destruição das verrugas por corrente elétrica. Permite remoção de lesões maiores em uma única sessão; 
    • Laser de CO2: indicado para lesões extensas, múltiplas ou em locais de difícil acesso, como o colo do útero e a vagina. Oferece precisão elevada e menor risco de cicatrizes; 
    • Excisão cirúrgica: remoção das lesões por corte cirúrgico. Indicada para verrugas grandes ou pediculadas. 

    Independentemente do tratamento escolhido, o acompanhamento médico após o procedimento é indispensável. A recidiva é comum, podendo ocorrer em 20% a 30% dos casos no primeiro ano. Manter a rotina de exames e comunicar o parceiro ou parceira são passos decisivos para o controle da infecção.

     

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