Síndrome de Angelman: como pode afetar o sistema nervoso
Diagnóstico é feito por exames de sangue que avaliam anomalias no DNA
A síndrome de Angelman é uma condição genética cujas manifestações aparecem ainda no início da vida, em bebês e crianças. Ela é marcada por atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, déficit intelectual, atraso da fala, alterações nos traços faciais, entre outros sinais e sintomas. O tratamento geralmente é feito com medicamentos e terapias diversas que auxiliam a melhorar a qualidade de vida dos indivíduos.
Neste artigo, você vai ler:
Síndrome de Angelman: o que é?
A síndrome de Angelman é uma condição genética rara que afeta principalmente o sistema nervoso. Como resultado, há comprometimento de habilidades motoras, da fala e de aspectos cognitivos.
Possíveis causas para a síndrome de Angelman
Normalmente, as pessoas têm duas cópias do cromossomo 15 (uma vinda da mãe e outra, do pai). A síndrome de Angelman é causada por uma falha na cópia do cromossomo 15 que é transmitida pela mãe, podendo acontecer de três maneiras:
- Deleção: um pedaço do cromossomo 15 materno está ausente;
- Dissomia uniparental paterna: há dois cromossomos 15 originados do pai e nenhum da mãe;
- Defeitos de imprinting e alterações de metilação: há um problema na maneira como os genes do cromossomo 15 são “ativados” ou “desativados”, ficando “desativados” alguns genes do cromossomo 15 herdados da mãe.
É pertinente esclarecer que, apesar de a síndrome de Angelman estar associada a uma falha na cópia do cromossomo 15 transmitida pela mãe, na maioria dos casos essa condição não é herdada. Ou seja, a alteração genética ocorre ao acaso durante o desenvolvimento do feto.
Sinais e sintomas da síndrome de Angelman
Na síndrome de Angelman, destacam-se manifestações como: atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, déficit intelectual, atraso importante da fala, dismorfismos faciais e alteração comportamental.
Alguns sinais e sintomas podem ser notados entre 6 e 12 meses de idade, enquanto os demais tendem a surgir na infância. Bebês e crianças pequenas podem apresentar:
- Atraso para sentar-se, engatinhar e andar;
- Problemas de coordenação motora e equilíbrio;
- Atraso e dificuldade para falar;
- Convulsões;
- Microcefalia;
- Hiperatividade;
- Dificuldade para prestar atenção;
- Dificuldade para dormir;
- Excitabilidade (que pode ser percebida, por exemplo, quando a criança sorri e ri com frequência diante de pouco estímulo ou sem motivo aparente).
Em geral, na vida adulta persistem sintomas como problemas de coordenação motora, dificuldade de comunicação verbal, convulsões e déficit intelectual – que podem ser amenizados com os tratamentos adequados.
Quanto aos dismorfismos faciais, pessoas com síndrome de Angelman podem ter prognatismo (mandíbula mais proeminente), estrabismo e boca mais alargada, além de pele e cabelo bem claros. Também é frequente o desenvolvimento de escoliose.
Exames que auxiliam no diagnóstico da síndrome de Angelman
A investigação de possíveis casos de síndrome de Angelman envolve uma avaliação clínica e a realização de testes genéticos. Entre os principais exames, estão:
Deleções, duplicações e padrão de metilação para síndrome de Prader-Willi e Angelman
Embora a síndrome de Prader-Willi e a síndrome de Angelman sejam condições distintas, ambas são causadas por problemas no cromossomo 15. Por isso, existe um mesmo exame capaz de diagnosticar a maioria dos casos de Prader-Willi e Angelman.
O exame de deleções, duplicações e padrão de metilação para síndrome de Prader-Willi e Angelman envolve a análise de uma amostra de sangue do indivíduo. O método empregado é o MS-MLPA (Methylation-Specific – Multiplex ligation-dependent probe amplification), que possibilita avaliar aspectos como número de cópias da região 15q11.2 e alteração no padrão de metilação.
Este exame consegue identificar em torno de 80% dos casos de síndrome de Angelman.
Sequenciamento completo do gene UBE3A
Variantes patogênicas no gene UBE3A podem ser responsáveis por 10 a 15% dos casos de síndrome de Angelman. O sequenciamento completo do gene, realizado a partir de uma amostra de sangue, é também realizado no Painel Ampliado para Epilepsias e no Painel NGS para Autismo Sindrômico.
FISH para síndrome de Prader-Willi/Angelman
O exame FISH para a síndrome de Prader-Willi/Angelman também é feito a partir de uma amostra de sangue do indivíduo, utilizando a hibridização in situ por fluorescência (FISH) para detectar alterações no cromossomo 15. Este método permite detectar deleções clássicas no cromossomo 15 relacionadas com a Doença de Angelman, e pode contribuir para identificar a causa genética específica e os possíveis riscos de recorrência na família.
NIPT
O Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT) é um exame de triagem realizado durante a gestação para avaliar o risco de o bebê apresentar alterações cromossômicas. A partir de uma amostra de sangue da mãe, é possível avaliar se há alto ou baixo risco para uma série de síndromes, incluindo a síndrome de Angelman.
Formas de tratamento
As abordagens terapêuticas destinadas a pessoas com síndrome de Angelman têm como objetivo controlar os sintomas dessa condição para proporcionar uma melhor qualidade de vida. As intervenções mais adequadas variam conforme as particularidades de cada paciente.
Em geral, podem ser prescritos medicamentos antiepilépticos para tratar as convulsões e pode haver indicação de fisioterapia para aprimorar a postura, o equilíbrio e as habilidades motoras. Também podem ser indicadas a fonoterapia para melhorar a comunicação e, além disso, a psicoterapia para trabalhar questões como hiperatividade e déficit de atenção.