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    Amenorreia: o que é, tipos, causas e tratamento

    A condição pode ter várias causas, da gravidez a desequilíbrios hormonais, e requer uma avaliação ginecológica

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 21/05/2026, às 16:12 - Atualizado em 21/05/2026, às 17:11

    amenorreia

    Amenorreia é a ausência de menstruação por três meses ou mais. Ela pode ser primária — quando a primeira menstruação nunca aconteceu — ou secundária, quando uma mulher que já menstruava deixa de ter períodos. 

    Segundo o StatPearls, plataforma de referência clínica do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos, a amenorreia secundária afeta aproximadamente 3% a 4% das mulheres em idade reprodutiva (excluindo gravidez, amamentação e menopausa). As causas são variadas e, na maioria dos casos, têm solução.

    Amenorreia: o que é? 

    Amenorreia secundária é a ausência de períodos menstruais por ao menos três meses. Ou seja, não é um simples atraso menstrual. 

    A menstruação é regulada por um sistema hormonal que envolve o hipotálamo, a hipófise e os ovários. Quando qualquer parte desse sistema é afetada — por uma doença, por um desequilíbrio hormonal, por fatores externos ou por condições estruturais — a menstruação pode parar. 

    Tipos de Amenorreia 

    A amenorreia é classificada em dois tipos, de acordo com o momento em que a ausência de menstruação acontece. 

    Amenorreia primária 

    A amenorreia primária é a ausência da primeira menstruação em adolescentes a partir dos 15 anos que já apresentam desenvolvimento puberal, como crescimento das mamas e pelos pubianos. Quando não há nenhum sinal de puberdade até os 13 anos, esse critério também é levado em consideração para investigação. 

    As causas mais comuns, segundo as diretrizes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), são: 

    • Alterações genéticas e cromossômicas: como a Síndrome de Turner, em que há ausência ou alteração de um cromossomo X, comprometendo o desenvolvimento dos ovários; 
    • Malformações do trato genital: como a ausência do útero ou da vagina (síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser), o hímen imperfurado ou outros obstáculos estruturais que impedem o fluxo menstrual; 
    • Disfunções hipotalâmicas e hipofisárias: problemas no controle hormonal central que impedem a ovulação e o ciclo menstrual de se estabelecerem. 

    A amenorreia primária é menos frequente que a secundária: sua prevalência estimada é de 0,065% a 0,75%, segundo estudo publicado no PubMed. Ainda assim, deve ser investigada, já que pode indicar condições que afetam a fertilidade futura e a saúde óssea. 

    Amenorreia secundária 

    A amenorreia secundária acontece quando uma mulher que já menstruava regularmente deixa de ter períodos por três meses consecutivos — ou por seis meses, no caso de mulheres com ciclos habitualmente irregulares. 

    É o tipo mais frequente e as causas mais comuns são: 

    • Gravidez: a causa mais prevalente de amenorreia secundária em mulheres em idade fértil; 
    • Amamentação: a lactação suprime naturalmente a ovulação, podendo manter a menstruação ausente por meses; 
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): desequilíbrio hormonal que interfere na ovulação e é uma das principais causas de irregularidade e ausência menstrual; 
    • Estresse intenso: físico ou emocional, o estresse pode suprimir o eixo hipotálamo-hipófise-ovário e interromper o ciclo; 
    • Alterações de peso: tanto a perda quanto o ganho de peso bruscos afetam a produção hormonal; 
    • Exercício físico excessivo: especialmente quando combinado com baixa ingestão calórica, como em atletas de alto rendimento; 
    • Uso de anticoncepcionais: alguns métodos hormonais, como o injetável trimestral e certos DIUs hormonais, podem suprimir a menstruação; 
    • Menopausa precoce (insuficiência ovariana prematura): quando os ovários param de funcionar antes dos 40 anos; 
    • Tumores benignos da hipófise: como o prolactinoma, que eleva os níveis de prolactina e inibe a ovulação; 
    • Hipotireoidismo: a disfunção da tireoide pode desregular o ciclo menstrual; 
    • Cicatrizes uterinas: resultantes de procedimentos como curetagem, que podem causar aderências internas (síndrome de Asherman).

    Possíveis causas 

    A gravidez é sempre a primeira causa a ser descartada em mulheres em idade fértil com amenorreia secundária, independentemente de outros fatores. Dito isso, de forma geral, as amenorreias podem ser agrupadas em quatro categorias principais, conforme as diretrizes da Febrasgo: 

    Causas hipotalâmicas e hipofisárias 

    O hipotálamo e a hipófise controlam os hormônios que regulam o ciclo menstrual. Situações como estresse crônico, desnutrição, exercício físico excessivo e doenças graves podem suprimir esse controle — é o que se chama de amenorreia hipotalâmica funcional. Tumores no hipotálamo ou na hipófise, como o prolactinoma, também entram nessa categoria. 

    Causas ovarianas 

    A falência ovariana prematura, a SOP e outras condições que afetam os ovários podem impedir a ovulação e, consequentemente, a menstruação. 

    Causas uterinas e estruturais 

    Malformações congênitas, ausência de útero, hímen imperfurado e aderências uterinas pós-cirúrgicas podem bloquear ou impedir o fluxo menstrual mesmo quando o funcionamento hormonal está normal. 

    Causas endócrinas e sistêmicas 

    Disfunções da tireoide, da suprarrenal, diabetes descontrolado e doenças crônicas graves como doença inflamatória intestinal e insuficiência renal, dentre outras, também estão entre as causas de amenorreia secundária. 

    Quando procurar por um médico? 

    A amenorreia não é uma emergência médica, mas merece investigação. Procure um ginecologista se: 

    • Você tem 15 anos ou mais e ainda não menstruou; 
    • A menstruação parou por três meses ou mais e você tem ciclos habitualmente regulares; 
    • A menstruação parou por seis meses ou mais e você tem ciclos irregulares; 
    • O teste de gravidez deu negativo, mas a menstruação não volta; 
    • Ausência de menstruação que vem acompanhada de outros sintomas, como ondas de calor, ressecamento vaginal, secreção nas mamas, acne intensa, excesso de pelos no rosto e corpo, ganho de peso inexplicado ou alterações de visão. 

    Embora a amenorreia raramente ofereça risco imediato de vida, algumas de suas causas podem ter consequências a longo prazo se não tratadas, como osteoporose (pela queda do estrogênio) e dificuldades para engravidar. Quanto antes a causa for identificada, mais eficaz tende a ser o tratamento. 

    Exames que podem ser indicados 

    Depois do exame em consultório e de uma conversa com a paciente, o médico pode solicitar exames como: 

    • Teste de gravidez (Beta HCG): é sempre o primeiro passo em mulheres em idade fértil, para descartar uma eventual gestação. O exame de sangue é o mais sensível e pode detectar a gravidez antes mesmo do atraso. 
    • TSH e hormônios da tireoide: avaliam se há hipo ou hipertireoidismo, causas frequentes e tratáveis de irregularidade menstrual. 
    • Prolactina: níveis elevados podem indicar prolactinoma ou outras causas de supressão da ovulação. 
    • FSH e LH: avaliam o funcionamento do eixo hipófise-ovário e ajudam a distinguir entre amenorreia hipotalâmica, falência ovariana e outras causas. 
    • Estradiol: avalia a produção de estrogênio pelos ovários. 
    • Testosterona e DHEA-S: solicitados quando há sinais de hiperandrogenismo, como acne intensa e excesso de pelos. 

    A seguir, dependendo dos achados, o médico pode solicitar também outros exames como: 

    • Ultrassonografia pélvica ou transvaginal: avalia o útero, os ovários e possíveis alterações estruturais, como cistos ou ausência de estruturas. 
    • Ressonância magnética da hipófise: indicada quando há suspeita de tumor hipofisário, especialmente nos casos de prolactina muito elevada ou alterações visuais. 
    • Cariótipo: solicitado em casos de amenorreia primária com suspeita de alteração cromossômica, como a Síndrome de Turner. 
    • Teste de progesterona: em alguns casos, o médico pode fazer um teste com progesterona para avaliar se há estrogênio suficiente e se o útero responde normalmente.

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    Formas de tratamento 

    O tratamento da amenorreia depende da causa identificada, da idade da paciente, do desejo de engravidar e de outras condições de saúde associadas. As abordagens mais utilizadas são: 

    Mudanças no estilo de vida 

    Quando a causa é funcional – como estresse, exercício excessivo ou perda de peso acentuada -, ajustes no estilo de vida costumam ser suficientes para restabelecer o ciclo. Reduzir a intensidade dos treinos, recuperar peso adequado e tratar o estresse são medidas que, sozinhas, podem resolver o quadro. 

    Medicamentos 

    O tipo de medicamento depende da causa: 

    • Anticoncepcionais hormonais: usados para regular o ciclo em casos de SOP ou amenorreia hipotalâmica, quando não há desejo de engravidar imediatamente. 
    • Indutores de ovulação: indicados para mulheres com amenorreia que desejam engravidar, como o citrato de clomifeno ou as gonadotrofinas. 
    • Reposição hormonal: indicada nos casos de insuficiência ovariana prematura, para proteger a saúde óssea e cardiovascular. 
    • Agonistas de dopamina (como a cabergolina): para o tratamento do prolactinoma, normalizando os níveis de prolactina e restaurando o ciclo. 
    • Hormônios tireoidianos: quando a causa é hipotireoidismo, a reposição de T4 costuma restabelecer a menstruação. 

    Cirurgia 

    Indicada em casos específicos, como malformações do trato genital (hímen imperfurado, septo vaginal), síndrome de Asherman (aderências uterinas) ou tumores que não respondem ao tratamento clínico. 

    Em todos os casos, o acompanhamento médico é fundamental. Mesmo quando a menstruação volta, é importante monitorar a resposta ao tratamento e avaliar possíveis impactos a longo prazo, especialmente na saúde óssea e na fertilidade.

     

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