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    Ebola: o que é, como ocorre a transmissão e quais são os principais sintomas

    O ebola é uma doença viral grave com letalidade que pode atingir 90%. Saiba como se transmite, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e o tratamento disponível.

    Fonte: Dra. Cristhieni RodriguesInfectologista DasaPublicado em 03/06/2026, às 17:13 - Atualizado em 03/06/2026, às 17:13

    ebola

    ebola é uma das doenças infecciosas mais graves e letais que existem. Com taxa de letalidade que pode chegar a 90%, apresenta-se inicialmente com febre alta, calafrios, dores de cabeça, mal-estar, podendo evoluir para hemorragias e falência de múltiplos órgãos.  

    A doença foi descoberta em 1976, em surtos simultâneos no Sudão e na República Democrática do Congo, em uma região próxima ao Rio Ebola – que deu nome ao vírus. Desde então, segundo a Fiocruz, já causou diversas epidemias na África Subsaariana. A maior delas aconteceu entre 2014 e 2016, com 28.599 casos suspeitos e 11.299 mortes em Guiné, Serra Leoa e Libéria. 

    Em maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou novo surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda como emergência de saúde pública de importância internacional.

    Ebola: o que é? 

    O ebola é uma doença causada por vírus do gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. Esses vírus afetam seres humanos e primatas não humanos – como macacos, gorilas e chimpanzés. 

    Existem quatro espécies do vírus que causam doença em humanos, com graus diferentes de gravidade: 

    • Orthoebolavirus zairense (Ebola): é o mais comum e o mais letal, com taxas de mortalidade que podem superar 80%; 
    • Orthoebolavirus sudanense (Sudan): também muito grave, com taxa de mortalidade de aproximadamente 50% 
    • Orthoebolavirus bundibugyoense (Bundibugyo): associada a uma letalidade menor que as duas anteriores, variando entre 25% a 40%\. 
    • Orthoebolavirus taiense (Taï Forest): causa doença mais leve, com poucos casos registrados.

    A origem do vírus ainda não é completamente conhecida. Segundo o Ministério da Saúde, os morcegos frugívoros da família Pteropodidae são considerados os hospedeiros naturais mais prováveis do vírus Ebola – mas a forma exata como ele passa dos animais para os humanos no início de cada surto ainda não está totalmente esclarecida. 

    A doença do vírus Ebola é de notificação compulsória imediata no Brasil. Qualquer caso suspeito deve ser comunicado às autoridades de saúde em até 24 horas. 

    Como ocorre a transmissão do ebola? 

    O ebola não se transmite pelo ar. Essa é uma informação importante: ao contrário da gripe ou da Covid-19, o vírus não se espalha por gotículas respiratórias em ambientes fechados. 

    A transmissão acontece pelo contato direto com sangue, fluidos corporais ou tecidos de uma pessoa ou animal infectado que já esteja apresentando sintomas. Os fluidos que transmitem o vírus são: 

    • Sangue; 
    • Fezes; 
    • Urina; 
    • Vômito; 
    • Saliva – se entrar em contato com mucosas ou pele com feridas; 
    • Suor – em menor grau; 
    • Leite materno; 
    • Sêmen – homens que se recuperaram do ebola podem transmitir o vírus pelo sêmen por um período prolongado após a cura.

    O contato com objetos contaminados por esses fluidos – como agulhas, roupas ou superfícies – também pode transmitir o vírus. Os rituais funerários que envolvem o contato direto com o corpo de pessoas que morreram de ebola são uma das principais formas de transmissão durante os surtos. 

    Um ponto fundamental: a transmissão só acontece depois que os primeiros sintomas aparecem. Uma pessoa infectada não transmite o vírus durante o período de incubação – quando ainda não sente nada. 

    Como prevenir o ebola 

    Não há vacina amplamente disponível contra o ebola no Brasil. Existe uma vacina aprovada pelo FDA americano – a ERVEBO – que protege contra a espécie zairense, mas seu uso é restrito a populações em áreas de risco e profissionais de saúde em contextos de surto. 

    Para a população em geral, especialmente viajantes que vão a regiões com transmissão ativa, as principais medidas de prevenção recomendadas pelo Ministério da Saúde são: 

    • Evitar contato com sangue, fluidos corporais ou tecidos de pessoas ou animais doentes; 
    • Não manusear o corpo de pessoas que morreram de ebola; 
    • Lavar as mãos com frequência, com água e sabão ou álcool em gel; 
    • Evitar contato com primatas selvagens – macacos, gorilas e chimpanzés – em áreas de risco; 
    • Usar equipamentos de proteção individual (luvas, máscaras, avental e óculos) no cuidado de pessoas infectadas; 
    • Seguir rigorosamente as orientações das autoridades locais de saúde em regiões com surto ativo.

    Para profissionais de saúde que atuam no atendimento de casos suspeitos ou confirmados, o uso correto e rigoroso dos equipamentos de proteção individual é a principal barreira contra a infecção. 

    Sintomas da infecção por ebola 

    Os sintomas do ebola aparecem entre 2 e 21 dias após o contágio – com média de 8 a 10 dias. A doença evolui em duas fases bem definidas. 

    Na fase inicial, os sintomas são parecidos com os de uma gripe ou de outras doenças infecciosas comuns. Por isso, o diagnóstico pode ser difícil nesse momento. Os sinais mais frequentes nessa fase são febre alta de início súbito, cansaço extremo, dor no estômago, dores musculares, dor de cabeça intensa e dor de garganta. O Ministério da Saúde chama essa fase de “sintomas secos” – pois ainda não há vômitos nem diarreia. 

    Com a progressão da doença – em geral a partir do quarto ou quinto dia – surgem os “sintomas molhados”, que indicam agravamento do quadro: 

    • Vômitos intensos; 
    • Diarreia – que pode ser sanguinolenta; 
    • Erupções cutâneas; 
    • Sangramento nos olhos, gengivas e nariz; 
    • Sangue nas fezes e na urina.

    Nos casos mais graves, a doença evolui para falência de múltiplos órgãos, choque e morte. Os pacientes que sobrevivem costumam começar a melhorar por volta do sexto dia de sintomas. 

    Riscos 

    O principal risco do Ebola é sua elevada letalidade, especialmente quando atrasamos seu diagnóstico e tratamento.  A taxa de mortalidade varia conforme a espécie do vírus e a disponibilidade de cuidados médicos – mas pode chegar a 90% nos casos sem tratamento de suporte adequado. Mesmo com cuidados intensivos, a mortalidade permanece elevada. 

    Além do risco de morte, a doença pode causar complicações graves em quem sobrevive, incluindo: 

    • Fadiga persistente e fraqueza muscular por semanas ou meses após a recuperação; 
    • Dores articulares e musculares; 
    • Problemas de visão, incluindo uveíte – inflamação do olho que pode levar à perda de visão; 
    • Problemas neurológicos, como dores de cabeça e dificuldade de concentração; 
    • Persistência do vírus no sêmen por meses após a cura – o que exige o uso de preservativo para evitar a transmissão sexual.

    Para os profissionais de saúde, o risco de contaminação é especialmente alto, já que lidam diretamente com pacientes e fluidos corporais infectados. Nos grandes surtos, o número de profissionais de saúde infectados costuma ser expressivo. 

    O risco para a população brasileira em geral é considerado muito baixo pelo Ministério da Saúde, uma vez que não há transmissão ativa da doença no Brasil. O risco aumenta para viajantes que se dirigem a países com surtos ativos – especialmente na África Central e Ocidental. 

    Como é feito o diagnóstico? 

    O diagnóstico do ebola é desafiador na fase inicial, porque os sintomas são inespecíficos e se confundem com outras doenças comuns em regiões tropicais, como malária, dengue, febre tifoide e meningite. 

    O critério epidemiológico é fundamental: a suspeita clínica é levantada quando o paciente apresenta febre e outros sintomas compatíveis e tem histórico de viagem a países com transmissão ativa do ebola nos últimos 21 dias – o período máximo de incubação. 

    Os exames laboratoriais utilizados para confirmar o diagnóstico são: 

    • PCR (reação em cadeia da polimerase): é o exame padrão para diagnóstico em pacientes vivos. Detecta o material genético do vírus no sangue. É o método mais sensível nos primeiros dias de doença; 
    • Sorologia: possui papel complementar e geralmente é utilizada em situações específicas, especialmente em fases mais tardias da infecção ou em estudos epidemiológicos.

    O diagnóstico do ebola só pode ser feito em laboratórios de referência com nível de biossegurança adequado. No Brasil, o laboratório de referência é o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, no Rio de Janeiro e no Instituto Adolfo Lutz em São Paulo. 

    Todo caso suspeito deve ser imediatamente isolado em quarto privativo, com banheiro exclusivo sempre que possível. Quartos com pressão negativa são desejáveis, especialmente quando houver necessidade de procedimentos geradores de aerossóis.

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    Tratamento 

    O tratamento do Ebola baseia-se principalmente em suporte clínico intensivo, incluindo reposição volêmica, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e suporte de órgãos. Para a doença causada pelo Orthoebolavirus zairense existem terapias monoclonais específicas aprovadas que reduzem significativamente a mortalidade quando administradas precocemente. 

    Para a espécie Orthoebolavirus zairense – a mais comum e mais letal – existem dois tratamentos aprovados pelo FDA americano: 

    • Inmazeb (REGN-EB3): combinação de três anticorpos monoclonais recomendada pela OMS como primeira escolha; 
    • Ebanga (mAb114 / ansuvimabe): anticorpo monoclonal único, também recomendado pela OMS.

    Esses medicamentos funcionam como anticorpos artificiais que se ligam ao vírus e impedem que ele infecte novas células. Segundo a OMS, os dois tratamentos reduzem significativamente a mortalidade quando administrados precocemente. 

    Para as demais espécies do vírus – incluindo o Bundibugyo, responsável pelo surto de 2026 – não há tratamentos aprovados. Nesses casos, o tratamento de suporte é a única abordagem disponível. 

    No Ebola, a suspeita clínica salva vidas: reconhecer precocemente, isolar imediatamente e notificar sem demora são as medidas mais importantes para proteger o paciente, os profissionais de saúde e a comunidade.”

     

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