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    Atrofia vaginal tem tratamento

    Secura, ardência e dor na relação sexual afetam mais da metade das mulheres na pós-menopausa, mas poucas buscam ajuda

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 03/07/2026, às 13:50 - Atualizado em 03/07/2026, às 13:50

    atrofia vaginal

    Apesar de comum, a atrofia vaginal é uma das condições menos tratadas. Muitas mulheres acreditam que os sintomas fazem parte inevitável do envelhecimento e simplesmente aprendem a conviver com eles. Mas não precisa ser dessa forma. 

    Secura vaginal, ardência, dor durante as relações sexuais e infecções urinárias frequentes são sintomas que impactam a qualidade de vida e têm tratamento eficaz, seguro e acessível.

    Atrofia vaginal: o que é? 

    A atrofia vaginal é o afinamento, ressecamento e inflamação das paredes vaginais causados pela queda dos níveis de estrogênio. Com menos estrogênio circulando, a mucosa vaginal perde espessura, elasticidade e lubrificação – e a região se torna mais seca, frágil e suscetível a irritações e infecções. 

    Em 2014, a condição foi renomeada de síndrome geniturinária da menopausa (SGUM) – um termo mais abrangente e preciso, adotado pela Sociedade Internacional para o Estudo da Saúde Sexual Feminina e pela Sociedade Norte-Americana de Menopausa. 

    O nome antigo – atrofia vaginal – se concentrava apenas na vagina, mas a queda do estrogênio também afeta a vulva, a uretra e a bexiga. Por isso o novo termo reflete melhor a extensão da condição. 

    A síndrome geniturinária da menopausa afeta pelo menos metade das mulheres na pós-menopausa. Ao contrário dos fogachos e outras ondas de calor – que geralmente diminuem com o tempo -, os sintomas da atrofia vaginal tendem a se agravar progressivamente se não forem tratados. 

    Principais causas para a atrofia vaginal 

    A causa principal da atrofia vaginal é a queda do estrogênio, o hormônio que ajuda a manter a saúde dos tecidos vaginais e do trato urinário inferior. Quando os níveis de estrogênio caem, as células da mucosa vaginal se renovam mais lentamente, a camada de tecido fica mais fina e a produção de lubrificação natural diminui. 

    Sendo assim, é na menopausa que os sintomas costumam aparecer ou se intensificar, e isso já nos primeiros anos após a última menstruação.  

    Mas a queda do estrogênio também pode acontecer em outras situações: 

    • Perimenopausa: os níveis de estrogênio já começam a cair antes da menopausa estabelecida, e algumas mulheres já percebem sintomas nessa fase; 
    • Amamentação: a prolactina (hormônio da amamentação) suprime a produção de estrogênio durante o período de amamentação, podendo causar secura vaginal temporária; 
    • Tratamento de câncer de mama: quimioterapia, radioterapia pélvica e medicamentos antiestrogênicos – como o tamoxifeno e os inibidores de aromatase – reduzem significativamente os níveis de estrogênio. Em pacientes com câncer de mama, a atrofia vaginal costuma ser mais intensa e os sintomas mais precoces; 
    • Retirada cirúrgica dos ovários (ooforectomia bilateral): provoca menopausa imediata e abrupta, com queda rápida do estrogênio; 
    • Insuficiência ovariana prematura: quando os ovários param de funcionar antes dos 40 anos; 
    • Uso prolongado de anticoncepcionais de baixíssima dose ou de injetáveis de progesterona isolada: podem reduzir os níveis de estrogênio a ponto de causar secura vaginal. 
    • Distúrbios hormonais como aumento da prolactina (hiperprolactinemia) e distúrbios da tireoide.

    A falta de atividade sexual também pode agravar os sintomas: a estimulação e o fluxo sanguíneo local ajudam a manter a elasticidade e a saúde dos tecidos vaginais.

    Sintomas da atrofia vaginal 

    Os sintomas da atrofia vaginal dividem-se em dois grupos: os que afetam a região genital e os que afetam o trato urinário. Muitas mulheres apresentam sintomas dos dois grupos ao mesmo tempo. 

    Sintomas genitais e sexuais 

    • Secura vaginal: costuma ser o primeiro sintoma a aparecer; 
    • Ardência, coceira e irritação na vulva e na vagina; 
    • Corrimento leve amarelado ou sangramento após relações sexuais; 
    • Dor durante as relações sexuais (dispareunia), causada pela falta de lubrificação e pelo afinamento da mucosa; 
    • Diminuição da libido, frequentemente associada à dor e ao desconforto nas relações; 
    • Estreitamento vaginal: com o tempo, a vagina pode perder comprimento e elasticidade

    Sintomas urinários 

    • Ardência ou dor ao urinar (disúria); 
    • Urgência urinária: vontade repentina e intensa de urinar; 
    • Aumento da frequência urinária; 
    • Infecções urinárias recorrentes: a alteração do pH vaginal e o afinamento da mucosa uretral aumentam a vulnerabilidade a infecções; 

    Vale mencionar que os sintomas urinários podem aparecer sem sintomas vaginais evidentes – o que muitas vezes leva a tratamentos repetidos para infecção urinária sem que a causa subjacente seja identificada. 

    Quando procurar por um médico? 

    Procure o ginecologista se você está na perimenopausa ou pós-menopausa e apresenta qualquer um dos sintomas descritos acima, mesmo que pareçam leves ou que você já tenha se acostumado com eles. 

    Busque avaliação com mais urgência se: 

    • Houver sangramento vaginal após a menopausa, que pode ter causas além da atrofia e precisa ser investigado; 
    • As infecções urinárias forem frequentes, com mais de dois ou três episódios por ano; 
    • A dor nas relações sexuais estiver afetando sua qualidade de vida e seu relacionamento; 
    • Os sintomas urinários estiverem interferindo nas atividades diárias.

    A condição é subdiagnosticada e subtratada – em parte porque muitas mulheres não relatam os sintomas por constrangimento e, em parte, porque médicos nem sempre perguntam ativamente sobre saúde sexual na pós-menopausa. Não espere que o assunto seja levantado: fale sobre os sintomas na consulta de rotina. 

    Diagnóstico 

    O diagnóstico da atrofia vaginal é basicamente clínico. O ginecologista avalia os sintomas relatados e realiza o exame físico ginecológico, que inclui inspeção visual da vulva e da vagina e, quando necessário, toque vaginal. 

    Os achados mais comuns ao exame são palidez e ressecamento da mucosa vaginal, redução das dobras da parede vaginal, sangramento fácil ao toque e pH vaginal elevado – acima de 5 -, confirmado por fita de pH. 

    Mas, ainda assim, outros exames que podem ser solicitados conforme o quadro: 

    • Papanicolau, para avaliação das células do colo do útero e identificação do padrão de maturação da mucosa vaginal – que muda com a queda do estrogênio. O Papanicolau em mulheres com atrofia vaginal pode mostrar células atróficas, e o resultado deve ser interpretado com cuidado pelo médico. Entretanto, esta não a principal indicação para a realização deste exame. 
    • Exame de urina e urocultura, para investigar infecções urinárias recorrentes; 
    • Exames hormonais (FSH e estradiol), para confirmar o estado de hipoestrogenismo, especialmente quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de menopausa precoce; 
    • Ultrassonografia transvaginal, quando há sangramento vaginal pós-menopausa, para avaliar o endométrio e descartar outras causas.

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    Tratamentos para a atrofia vaginal 

    O tratamento da atrofia vaginal é eficaz e deve ser individualizado conforme os sintomas, a intensidade do quadro, o histórico clínico e as preferências da paciente. As opções vão desde medidas não hormonais simples até terapias hormonais e procedimentos minimamente invasivos. 

    Medidas não hormonais 

    São o ponto de partida para casos leves e para mulheres que não podem usar hormônios: 

    • Hidratantes vaginais: produtos de uso regular – não apenas antes das relações – que ajudam a restaurar a hidratação da mucosa. São aplicados algumas vezes por semana e têm efeito acumulativo; 
    • Lubrificantes vaginais: usados especificamente durante as relações sexuais para reduzir a fricção e o desconforto. Preferir os à base de água ou silicone – os à base de óleo podem danificar preservativos; 
    • Atividade sexual regular: estimula o fluxo sanguíneo local e ajuda a manter a elasticidade vaginal.

    Estrogênio local (tópico) 

    É considerado o padrão-ouro do tratamento da atrofia vaginal. Age diretamente na mucosa vaginal, restaurando sua espessura e lubrificação, sem os riscos sistêmicos da terapia hormonal oral. Está disponível em diferentes formas: 

    • Creme vaginal com estrogênio; 
    • Óvulos ou comprimidos vaginais.

    A absorção sistêmica do estrogênio local é mínima, mas em mulheres com histórico de câncer de mama dependente de hormônio, o uso deve ser discutido cuidadosamente com o oncologista. 

    Terapia hormonal sistêmica 

    Para mulheres com sintomas vasomotores intensos – fogachos e suores noturnos – além dos sintomas vaginais, a terapia hormonal sistêmica (com estrogênio oral, transdérmico ou injetável) pode ser mais adequada, pois trata ambas as queixas ao mesmo tempo. A decisão deve ser individualizada e considera os riscos e benefícios para cada mulher. 

    Prasterona (DHEA vaginal) 

    Óvulos vaginais com DHEA – precursor dos hormônios sexuais – que são convertidos localmente em estrogênio e testosterona na mucosa vaginal. Indicados para dispareunia moderada a grave na pós-menopausa. 

    Laser de CO2 ou radiofrequência para atrofia vaginal 

    O laser CO2 ou a radiofrequência fracionados são tecnologias não hormonais que tem se consolidado como alternativa eficaz para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa, principalmente para mulheres que não podem ou não desejam usar estrogênio, como as com histórico de câncer de mama. 

    O procedimento consiste na aplicação de pulsos de laser de CO2 ou radiofrequência fracionados nas paredes vaginais. Ambas as técnicas promovem microlesões controladas no tecido, estimulando a produção de colágeno e a renovação celular.  

    O resultado é a restauração da espessura e da elasticidade da mucosa vaginal, com melhora da lubrificação, redução da secura e do desconforto e benefícios sobre os sintomas urinários. 

    Estudos indicam que estas técnicas reduzem significativamente sintomas como secura, ardência e dispareunia, com melhora também na incontinência urinária de urgência e na qualidade de vida sexual. O tratamento costuma ser feito em três sessões com intervalo de quatro semanas, podendo ser complementado com uma sessão de manutenção anual. 

    O procedimento é realizado no consultório, sem necessidade de anestesia geral. O desconforto é leve e a recuperação é rápida. A mulher pode retornar às atividades normais logo após.

     

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