Lipedema é uma doença inflamatória crônica e progressiva
Doença vascular pode ter origem genética e hormonal e acomete principalmente mulheres
O lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas ou nos braços. Mais comum entre as mulheres (cerca de 90% dos casos), estima-se que esta doença crônica acometa 12,3% de indivíduos do sexo feminino no Brasil. Não raro, o quadro pode ser confundido com obesidade ou celulite –embora seja uma condição diferente, que pode causar dor, desconforto e gerar um impacto negativo importante na qualidade de vida. Continue a leitura para saber mais sobre a doença, os riscos à saúde associados ao problema e quais as opções de tratamento para a condição.
Neste artigo, você vai ler:
Lipedema: o que é?
O lipedema é uma doença inflamatória, crônica e progressiva que afeta o tecido adiposo (gorduroso).
A condição é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas pernas, coxas e quadris e, em alguns casos, nos braços.
A doença está frequentemente associada com outras alterações do sistema vascular, como varizes (que aparecem em 40% dos casos) e alterações linfáticas como linfedema. Ambas podem piorar o quadro de lipedema.
Possíveis causas para o lipedema
A causa exata do lipedema ainda não é completamente compreendida. No entanto, acredita-se que fatores genéticos e hormonais desempenhem um papel importante no seu desenvolvimento.
Por ser mais comum em mulheres, a doença costuma ser intensificada por questões como:
- Mudanças hormonais (como as que ocorrem durante a puberdade e menopausa);
- Gravidez;
- Uso de anticoncepcionais orais.
O lipedema é mais comum em pessoas com sobrepeso?
Não. Embora pessoas com sobrepeso possam ter lipedema, a condição também ocorre em pessoas magras. O fator determinante para a doença é a predisposição genética e/ou alterações hormonais, como as que ocorrem na puberdade, gravidez ou menopausa, por exemplo.
Por outro lado, não é incomum que pacientes com lipedema desenvolvam sobrepeso ou obesidade após o diagnóstico, principalmente pelo impacto emocional que a condição provoca. Por isso, a descoberta precoce da doença e o acompanhamento médico são essenciais para controlar a doença e manter o corpo saudável e a saúde mental equilibrada.
Sintomas do Lipedema
Os sintomas mais comuns do lipedema incluem:
- Aumento desproporcional do tecido adiposo nas pernas e, mais raramente, nos braços;
- Inchaço nas pernas;
- Sensibilidade à pressão leve e ao toque;
- Sensação de “pernas pesadas” ou com aspecto de celulite/flacidez;
- Formação de nódulos palpáveis sob a pele;
- Presença de hematomas e equimoses (manchas roxas), que surgem com facilidade e de maneira espontânea;
- Dores e alterações articulares, como modificações na pisada e na ativação muscular (a capacidade de contração e a força gerada do músculo ao efetuar determinada atividade).
Além disso, é possível notar uma carga emocional significativa, já que muitas mulheres acabam apresentando quadros depressivos, distúrbios alimentares ou de autoimagem.
Áreas do corpo que podem ser afetadas
O lipedema geralmente afeta os membros inferiores, como coxas, quadris e pernas, poupando os pés –ou seja, ter pés inchados não é um sintoma da doença. Em casos mais graves e menos comuns, os braços também podem ser acometidos.
Quando procurar por um médico?
Ao notar que o acúmulo de gordura é desproporcional e não regride com dieta e exercícios físicos; e sentir também dor persistente e hematomas frequentes sem motivo aparente, é importante buscar orientação médica.
O acompanhamento precoce pode prevenir complicações e melhorar os resultados do tratamento. O cirurgião vascular é o profissional mais recomendado para fazer o diagnóstico e recomendar o tratamento adequado; no entanto, a condição requer um tratamento multidisciplinar, o que inclui médicos de especialidades como cirurgião plástico, endocrinologista, ginecologista e dermatologista.
Além deles, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos também são profissionais da área da saúde importantes na jornada do paciente.
Exames que auxiliam no diagnóstico do lipedema
Na maioria dos casos, o diagnóstico de lipedema é feito com base na avaliação dos sintomas clínicos e no exame clínico feito em consultório. O médico também poderá solicitar exames como:
- Ultrassonografia com doppler do sistema venoso: combina ultrassom e análise do fluxo sanguíneo em tempo real para obter imagens detalhadas das artérias e veias, permitindo que os médicos avaliem a circulação local identificando os casos de insuficiência venosa, que são um diagnóstico diferencial para o lipedema;
- Ultrassonografia com Doppler dermatológica: realiza um protocolo de medidas da camada de gordura em locais específicos, para confirmação diagnóstica do lipedema. Também identifica os casos de paniculite (inflamação da camada de gordura abaixo da pele), para diagnóstico diferencial;
- Densitometria corporal (DEXA): exame utilizado para medir a porcentagem de gordura em diferentes partes do corpo e que ajuda a identificar se há uma maior concentração de tecido adiposo em diferentes partes do corpo;
- Linfocintilografia: ajuda a identificar possíveis disfunções ou obstruções no sistema linfático, o que pode estar contribuindo para o agravamento dos sintomas do lipedema;
- Ressonância magnética: pode avaliar a extensão e a distribuição do acúmulo de gordura nas pernas. Por meio do exame, é possível obter informações precisas sobre a composição dos tecidos e ajudar a diferenciar o lipedema de outras doenças.
Lipedema tem cura?
Infelizmente, o lipedema é uma doença crônica e não há cura definitiva para ela. No entanto, os sintomas podem ser controlados por meio de tratamentos que visam melhorar a qualidade de vida do paciente. A abordagem precoce, no entanto, é essencial para melhorar o prognóstico e evitar complicações.
Formas de tratamento
Como dissemos, o lipedema não tem cura, mas existem tratamentos que podem controlar os sintomas, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida da paciente. As opções terapêuticas incluem:
- Terapia de compressão: uso de meias de compressão especiais ajuda a melhorar a circulação e reduzir o inchaço nas pernas.
- Mudanças no estilo de vida: adotar medidas como redução de estresse, melhoria da qualidade do sono, evitar o tabagismo, seguir uma dieta anti-inflamatória e exercícios específicos, além de cuidar de doenças concomitantes, ou seja, condições de saúde adicionais que ocorrem junto com o lipedema, como o linfedema.
- Drenagem linfática manual: a técnica ajuda a reduzir o inchaço e melhora a circulação linfática. Além disso, é geralmente associada com técnicas de liberação miofascial para relaxar a musculatura e melhorar a mobilidade.
- Cirurgia: quando o tratamento clínico não surte o resultado esperado, ou os sintomas são significativamente debilitantes, a cirurgia de lipoaspiração é uma alternativa. Realizada com uma técnica específica, pode remover o excesso de tecido adiposo e melhorar a aparência estética.
É importante ressaltar que o tratamento do lipedema deve ser personalizado, levando em consideração necessidades individuais de cada indivíduo. Portanto, é fundamental buscar a orientação de um profissional de saúde qualificado para obter o diagnóstico e discutir as opções de tratamento.
Fonte: Julia Diva Zavari – Médica radiologista especialista em ultrassonografia