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Picada de escorpião: é importante procurar imediatamente o hospital mais próximo

O quadro pode causar dor intensa, inchaço e vermelhidão no local afetado, além de complicações em casos mais graves

Por Samantha CerquetaniPublicado em 12/02/2025, às 17:32 - Atualizado em 18/02/2025, às 11:39

picada de escorpião

A picada de escorpião é um acidente que pode causar desde sintomas leves, como dor e inchaço local, até reações graves, dependendo da espécie – se venenosa ou não – e do estado de saúde da vítima. Os casos leves, que não necessitam da aplicação do antiveneno, representam cerca de 87% do total de acidentes, de acordo com o Ministério da Saúde.

As crianças e idosos são mais vulneráveis a complicações e merecem atenção imediata. Continue a leitura para saber detalhes dos sintomas, como é a forma de tratamento e formas de prevenção.  

Picada de escorpião: sintomas

Os sintomas costumam variar de acordo com a quantidade de veneno injetada e da espécie do escorpião. E a gravidade do envenenamento geralmente se manifesta nas primeiras duas horas após a picada.

Nos casos moderados e graves há, frequentemente, inúmeros episódios de vômitos, sinal premonitório de gravidade, e manifestações sistêmicas, como alteração da pressão arterial e manifestações cardíacas.

Entre as manifestações clínicas mais comuns, estão as manifestações no local da picada, que são: 

  • Dor local intensa, que pode irradiar para outras partes do corpo. 
  • Vermelhidão e inchaço na área da picada. 
  • Sensação de formigamento. 
  • Suor e salivação excessiva. 
  • Agitação.  
  • Movimentos anormais da cabeça, pescoço e olhos.   
  • Náuseas e vômitos.  
  • Em casos raros, há dificuldade para respirar. 
  • Alterações na pressão arterial. 

Outros sintomas que podem surgir: 

  • Agitação psicomotora alternando com prostração. 
  • Hipotermia. 
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca). 
  • Taquipneia (aumento da frequência respiratória). 
  • Convulsões.  
  • Insuficiência cardíaca. 
  • Edema agudo de pulmão. 
  • Coma. 
  • Choque.  

Quais são os riscos que uma picada de escorpião pode trazer?

A picada de escorpião pode causar dor intensa, inchaço e vermelhidão no local afetado, mas em casos mais graves, especialmente com espécies venenosas, leva a reações sistêmicas.

Sendo assim, surgem dificuldade respiratória, aumento da pressão arterial, taquicardia, sudorese excessiva, náuseas e vômitos. O veneno pode afetar o sistema nervoso, provocando convulsões, paralisia e até falência de órgãos.

Pessoas em grupos de risco, como crianças, idosos, indivíduos com doenças cardíacas ou respiratórias, e pessoas alérgicas, são mais vulneráveis a complicações graves.

Raramente pode-se ter infecção no local da picada.

Locais em que as picadas de escorpião são mais recorrentes

As picadas de escorpião costumam ocorrer em áreas do corpo que ficam em contato com o ambiente, como mãos, pés, tornozelos e pernas, pois essas regiões estão mais expostas ao solo ou a lugares onde os escorpiões se escondem, como rachaduras e entulhos.

Também podem ocorrer em outras áreas do corpo, como nas costas, abdômen e rosto, embora esses casos sejam menos frequentes. Isso pode acontecer, por exemplo, se o escorpião estiver escondido em roupas, sapatos ou até em móveis, e picar a pessoa ao entrar em contato com essas áreas.

Como prevenir a picada de escorpião?

Para prevenir picadas de escorpião, é importante manter o ambiente limpo, evitando acumular lixo, entulho e materiais que possam servir de esconderijo para os animais.

Também é essencial selar rachaduras e fendas em paredes, portas e janelas para impedir a entrada dos escorpiões. O uso de telas nas aberturas e o manuseio cuidadoso de objetos externos, como lenha e roupas, com luvas, também ajudam a evitar o contato.

Além disso, manter a área externa bem iluminada pode desestimular os escorpiões, que são mais ativos à noite. Controlar a presença de insetos, como baratas, também é fundamental, pois os escorpiões se alimentam deles. Essas medidas contribuem para reduzir o risco de picadas e manter o ambiente mais seguro.

A conscientização da população (educação ambiental) também é um fator importante para a diminuição da incidência de escorpionismo.

Picada de escorpião: como agir

Quando uma pessoa é picada por um escorpião, o primeiro passo é manter a calma e agir rapidamente. É recomendável procurar imediatamente o hospital mais próximo. Se possível, leve o escorpião ou uma foto para ajudar na identificação da espécie. Limpar o local da picada com água e sabão pode ser útil, mas é importante não adiar a ida ao atendimento médico.

Aplicar uma compressa fria sobre a área afetada alivia a dor e reduz o inchaço. Além disso, é importante evitar movimentos excessivos na região picada, para que o veneno não se espalhe mais rapidamente pelo corpo.

A pessoa deve ficar atenta aos sinais de reações graves, como dificuldade para respirar, aumento da frequência cardíaca, suor excessivo, náuseas, vômitos ou fraqueza muscular. Esses sintomas indicam que o veneno está afetando o sistema nervoso e exigem atendimento médico imediato.

De qualquer forma, mesmo que os sintomas pareçam leves, buscar ajuda profissional é fundamental para garantir o tratamento adequado.

Vale destacar que a necessidade de atendimento médico urgente é ainda maior em casos de crianças, idosos ou pessoas com condições de saúde preexistentes, já que esses grupos estão mais vulneráveis a complicações graves.

Exames que podem ser indicados durante o tratamento de uma picada de escorpião

O diagnóstico de picada de escorpião é principalmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico da picada. Em casos mais graves, o médico pode solicitar exames de sangue, como hemograma e testes de função renal e hepática, para verificar possíveis danos aos órgãos.

Exames cardíacos, como o eletrocardiograma e ecocardiograma também podem ser feitos para monitorar alterações no sistema cardiovascular, já que o veneno pode afetar a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Além disso, se houver suspeita de comprometimento respiratório, o médico pode realizar exames para avaliar a função pulmonar. Esses exames ajudam a monitorar a gravidade da intoxicação e a resposta ao tratamento, como o uso de soro antiescorpiônico, e são fundamentais para prevenir complicações em casos mais sérios. 

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Formas de tratamento para a picada de escorpião

O tratamento para picada de escorpião depende da gravidade dos sintomas. Em casos leves as medidas incluem: 

  • Compressas frias para aliviar a dor. 
  • Uso de analgésicos para reduzir o desconforto. 
  • Bloqueio anestésico local em casos com dor mais intensa. 
  • Monitoramento do paciente para garantir que os sintomas não piorem. 
  • Acompanhamento no hospital por pelo menos por 6 horas. 

Já em casos graves, temos: 

  • Administração do soro antiescorpiônico para neutralizar os efeitos do veneno. 
  • Soro administrado via intravenosa, com dosagem ajustada conforme a gravidade da intoxicação. 
  • Suporte respiratório, se necessário. 
  • Monitoramento constante da função cardíaca.

 

Fonte: Dra. Natasha Slhessarenko, Diretora Médica de análises clínicas no Alta Diagnósticos, especialista em patologia clínica e pediatria.

 

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