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    Cetoacidose diabética: o que é e por que exige atenção imediata

    A cetoacidose é uma complicação grave que pode acometer paciente com diabetes mellitus tipo 1

    Fonte: Dra. Yolanda SchrankEndocrinologista e membro do Núcleo de Assessoria Médica da DasaPublicado em 17/04/2026, às 16:02 - Atualizado em 17/04/2026, às 16:10

    cetoacidose diabética

    cetoacidose diabética é uma complicação metabólica aguda e potencialmente grave do diabetes mellitus e ocorre em decorrência da deficiência absoluta ou relativa de insulina e do aumento dos hormônios contrarreguladores como cortisol, catecolaminas e glucagon. 

    Sem a ação da insulina, a glicose não consegue entrar nas células para gerar energia e o organismo passa a lançar mão de alternativas para conseguir essa energia, como a utilização de gordura como combustível.  

    Esse processo de “queima de gordura” resulta no aumento de substâncias chamadas “cetonas” que quando se acumulam tornam o sangue mais ácido, o que pode afetar o funcionamento de órgãos vitais.  

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), essa condição é mais comum no diabetes tipo 1, mas também pode atingir pessoas com o tipo 2, sobretudo em situações de estresse metabólico agudo onde a demanda pela insulina aumenta muito como em infecções graves, cirurgias e traumas.

    Cetoacidose diabética: o que é?  

    A cetoacidose diabética é uma complicação metabólica aguda, potencialmente grave do diabetes mellitus tipo 1 e mais raramente do tipo 2.  

    A cetoacidose ocorre por deficiência absoluta ou relativa de insulina associada a aumento dos hormônios contrarreguladores (cortisol, glucagon e catecolaminas), hormônios estes que mobilizam fontes alternativas para gerar energia, como proteínas e gordura. E é a mobilização de gorduras (lipólise) que causa o acúmulo de cetonas que aumentam a acidez do sangue. 

    A cetoacidose é caracterizada, portanto, pela presença do aumento da glicose, sangue mais ácido e presença de cetonas. 

    Essa condição consiste em emergência médica que, se não tratada rapidamente, pode levar ao coma e a riscos fatais. 

    Sintomas de cetoacidose diabética  

    O quadro clínico se inicia com sinais e sintomas típicos que progridem rapidamente, tais como:   

    • Sede excessiva e boca seca; 
    • Necessidade frequente de urinar; 
    • Perda de peso; 
    • Visão embaçada.

    Conforme a acidez no sangue aumenta, surgem os sinais mais graves: 

    • Náuseas e vômitos persistentes; 
    • Dor abdominal forte; 
    • Hálito com cheiro de fruta (hálito cetônico); 
    • Fraqueza; 
    • Desidratação; 
    • Respiração rápida e profunda; 
    • Confusão mental e sonolência excessiva; 
    • Coma.  

    Causas  

    Qualquer situação em que temos a falta absoluta de insulina ou importante diminuição relativa da mesma, sobretudo em pacientes com diabetes tipo 1, pode resultar em cetoacidose.  Não raro, pacientes que desconheciam ser portadores de diabetes tipo 1 podem inclusive abrir o quadro com cetoacidose. 

    As principais condições que podem precipitar um quadro de cetoacidose são: 

    • Interrupção ou erro na administração da insulina; 
    • Infecções, como pneumonia ou infecção urinária, que fazem o corpo exigir mais insulina do que o normal; 
    • Problemas graves de saúde que geram estresse físico extremo, como infarto ou AVC; 
    • Uso de medicamentos que alteram o metabolismo dos carboidratos de forma importante como o uso de glicocorticoides em dose alta; 
    • Uso de drogas ilícitas como cocaína; 
    • Problemas no funcionamento de dispositivos de infusão subcutânea contínua de insulina (bomba de insulina) cujo mecanismo de infusão pode entupir e não fornecer a dose necessária. 

    Exames indicados  

    A confirmação do diagnóstico é usualmente realizada em ambiente hospitalar pois depende de exames mais específicos tais como: 

    • Dosagem da glicemia; 
    • Determinação do Ph sanguíneo (para medir a acidez do sangue); 
    • Pesquisa de cetonas no sangue (preferencialmente) ou na urina. 

    Para avaliar a causa e gravidade da cetoacidose, o médico costuma ainda solicitar os seguintes exames adicionais: 

    • Dosagem dos eletrólitos (como potássio e sódio), que ficam desequilibrados; 
    • Hemograma e proteina C reativa para avaliar a presença e gravidade da infeção; 
    • EAS e urinocultura no intuito de rastrear possível foco infeccioso urinário; 
    • RX ou TC de tórax visando afastar infecção respiratória; 
    • US de abdômen em caso de dor abdominal buscando eventual foco infeccioso abdominal.

    Agendar exames

    Formas de tratamento para a cetoacidose diabética  

    O tratamento deve ser iniciado tão logo a cetoacidose seja diagnosticada, visando a estabilização do paciente e a diminuição da sua morbimortalidade. Como a cetoacidose consiste em condição potencialmente fatal, o tratamento deve ser realizado obrigatoriamente em ambiente hospitalar, muitas vezes em unidade de terapia intensiva (UTI).  

    As primeiras opções dos médicos envolvem a reposição rápida de líquidos através de soro na veia para hidratar o paciente e diluir o excesso de açúcar. A aplicação de insulina por via intravenosa é feita de forma controlada para baixar a glicose gradualmente e interromper a produção de cetonas.  

    Muitas vezes é necessário também a reposição de eletrólitos, como o potássio. 

    É possível prevenir a cetoacidose diabética?  

    Sim, a prevenção depende diretamente do controle rigoroso da diabetes. É importante manter o tratamento com as doses corretas de insulina e fazer o monitoramento constante da glicose.  

    Em caso de doença (como uma gripe forte), a atenção deve ser redobrada, pois as taxas de açúcar tendem a subir. O autocuidado e conhecer bem a diabetes e suas possíveis complicações ajudam a evitar que o quadro evolua para uma emergência.

     

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