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    Gordura no sangue não dá sintomas, e por isso é perigosa

    Colesterol alto e triglicerídeos elevados aumentam o risco de infarto e AVC sem que a pessoa sinta nada

    Fonte: Dr. Carlos SuaideCardiologistaPublicado em 03/06/2026, às 17:09 - Atualizado em 03/06/2026, às 17:09

    gordura no sangue

    A expressão gordura no sangue é o nome popular para a dislipidemia, condição caracterizada pelo aumento dos níveis de gorduras circulantes no sangue, principalmente o colesterol e os triglicerídeos.  

    Ela é silenciosa na maioria dos casos: quem tem não sente nada, e muitas vezes só descobre o problema em um exame de rotina. 

    Segundo um estudo realizado pelo Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que investigou a presença de dislipidemia em mais de 22,5 mil pessoas acima de 20 anos, cerca de 40% dos adultos brasileiros de até 60 anos apresentam alterações nos níveis de colesterol, LDL ou triglicerídeos.  

    Em idosos acima de 60 anos e em pessoas com fatores de risco – como tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo -, essa proporção é ainda maior. 

    Sem sintomas, a condição avança silenciosamente, e os primeiros sinais podem ser uma complicação grave, como um infarto ou um AVC. Por isso, exames periódicos para identificar e controlar a gordura no sangue são tão importantes.

    Gordura no sangue: principais causas 

    A gordura no sangue pode ter origem genética, relacionada ao estilo de vida ou ser consequência de outras doenças. Na maioria dos casos, é uma combinação desses fatores. 

    As causas mais comuns são a alimentação rica em gorduras saturadas, gorduras trans e açúcar aliada ao sedentarismo. Juntos, esses dois fatores elevam o LDL (colesterol ruim), reduzem o HDL (colesterol bom) e aumentam os triglicerídeos.  

    O excesso de peso e a obesidade potencializam esse efeito, já que o tecido adiposo contribui para a produção de colesterol e triglicerídeos. 

    Outros fatores que podem causar ou agravar a gordura no sangue: 

    • Predisposição genética: algumas pessoas herdam alterações que resultam em produção excessiva de colesterol LDL ou incapacidade de removê-lo do sangue, condição chamada de hipercolesterolemia familiar. Nesses casos, a dislipidemia pode se manifestar mesmo em pessoas jovens e com hábitos saudáveis. 
    • Diabetes e resistência à insulina: o descontrole glicêmico favorece o aumento dos triglicerídeos e a redução do HDL. 
    • Hipotireoidismo: a tireoide com funcionamento reduzido diminui a eliminação do colesterol LDL, levando ao seu acúmulo no sangue. 
    • Doença renal crônica: afeta o metabolismo das gorduras e eleva os triglicerídeos. 
    • Medicamentos: corticoides, diuréticos tiazídicos, betabloqueadores e alguns anticoncepcionais podem alterar o perfil lipídico. 
    • Consumo excessivo de álcool: eleva especialmente os triglicerídeos 
    • Tabagismo: reduz o HDL e aumenta o risco cardiovascular associado à dislipidemia.

    Riscos 

    A gordura no sangue, quando não controlada, aumenta progressivamente o risco de doenças cardiovasculares graves. Isso porque o excesso de LDL circulante se deposita nas paredes das artérias, formando placas de gordura, processo chamado de aterosclerose. E, com o tempo, essas placas estreitam os vasos e dificultam o fluxo sanguíneo. Quando uma placa se rompe e forma um coágulo, o resultado pode ser um infarto ou um AVC. 

    Os principais riscos associados à dislipidemia são: 

    • Infarto do miocárdio, quando as artérias que irrigam o coração são obstruídas; 
    • AVC (acidente vascular cerebral), quando a obstrução acontece nas artérias cerebrais; 
    • Doença arterial periférica: entupimento das artérias dos membros inferiores, que pode causar dor nas pernas ao caminhar e, nos casos graves, isquemia e amputação; 
    • Pancreatite aguda: triglicerídeos muito elevados (acima de 500 mg/dL) aumentam significativamente o risco de inflamação grave do pâncreas; 
    • Xantomas e xantelasma: depósitos de gordura que se formam sob a pele ou ao redor dos olhos nos casos de dislipidemia mais grave ou hereditária são um sinal visível da condição, mas raramente o primeiro a aparecer.

    O risco cardiovascular é ainda maior quando a dislipidemia se soma a outros fatores, como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, obesidade e histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como prevenir a gordura no sangue 

    Mudanças no estilo de vida são eficazes tanto para prevenir a dislipidemia quanto para tratá-la nos casos leves a moderados. 

    Alimentação equilibrada

    Reduzir o consumo de gorduras saturadas (presentes em carnes gordas, manteiga e laticínios integrais) e gorduras trans (em ultraprocessados e frituras). Aumentar a ingestão de fibras (frutas, verduras, legumes e grãos integrais) e de gorduras saudáveis, como as do azeite de oliva, abacate e peixes ricos em ômega-3.

    Atividade física regular 

    São indicados pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana. O exercício físico eleva o HDL, reduz os triglicerídeos e contribui para o controle do peso. 

    Manter o peso adequado 

    O emagrecimento, mesmo que moderado, reduz os triglicerídeos e melhora o perfil lipídico de forma significativa.

    Não fumar

    O tabagismo reduz o HDL e agrava o risco cardiovascular associado à dislipidemia. 

    Limitar o consumo de álcool 

    O álcool eleva os triglicerídeos. E limitar ou eliminar o consumo ajuda a manter os níveis em equilíbrio.

    Controlar doenças associadas

    Diabetes, hipotireoidismo e doença renal devem ser tratados adequadamente, pois o descontrole dessas condições piora o perfil lipídico. 

    Fazer exames periódicos

    check-up regular permite identificar alterações antes que causem complicações.

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    Sintomas de gordura no sangue 

    Na maioria dos casos, a gordura no sangue não causa nenhum sintoma. Essa é justamente a característica que a torna perigosa: a pessoa convive com o problema por anos sem saber, até que uma complicação cardiovascular grave aparece. 

    Segundo o nav.dasa.com.br, o colesterol alto na maioria das vezes não causa sinais nem sintomas. O mesmo vale para os triglicerídeos elevados: a hipertrigliceridemia geralmente só é detectada em exame de sangue. 

    Em casos mais graves, especialmente nas formas hereditárias da dislipidemia, podem surgir sinais físicos visíveis: 

    • Xantomas: depósitos amarelados de gordura sob a pele, geralmente nos cotovelos, joelhos, tendões ou nas mãos. 
    • Xantelasma: placas amareladas ao redor dos olhos, causadas pelo acúmulo de colesterol. 
    • Arco corneal: anel branco ou cinza ao redor da íris do olho, mais comum em pessoas jovens com hipercolesterolemia familiar.

    Fora dessas situações específicas, não há como saber se a gordura no sangue está elevada sem fazer um exame.  

    Quando procurar por um médico? 

    A gordura no sangue não avisa quando está alta. Por isso, não espere sintomas para fazer exames com regularidade. Procure um cardiologista ou clínico geral para avaliação e solicitação de exames se você: 

    • Nunca fez um exame de perfil lipídico ou faz mais de um ano que não repete; 
    • Tem histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC precoce; 
    • Tem diabetes, hipertensão, doença renal ou hipotireoidismo; 
    • Está acima do peso ou tem obesidade; 
    • Fuma ou consome álcool com frequência; 
    • Tem uma alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados; 
    • É sedentário.

    Para adultos saudáveis sem fatores de risco, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que o perfil lipídico seja avaliado pelo menos uma vez a cada cinco anos a partir dos 20 anos. Para quem tem fatores de risco, a frequência deve ser maior e será definida pelo médico. 

    Exames que auxiliam a detectar a gordura no sangue 

    O principal exame para detectar a gordura no sangue é o lipidograma, também chamado de perfil lipídico. Este exame de sangue mede simultaneamente: 

    • Colesterol total: soma de todas as frações de colesterol no sangue; 
    • LDL (colesterol ruim): o principal responsável pela formação de placas nas artérias. Valores ideais variam conforme o risco cardiovascular individual: em pessoas de baixo risco, abaixo de 115 mg/dL; em pessoas de alto risco, abaixo de 70 mg/dL; e em pessoas de muito alto risco, abaixo de 50 mg/dL; 
    • HDL (colesterol bom): remove o excesso de colesterol das artérias e o leva ao fígado para eliminação. Valores acima de 40 mg/dL são desejáveis; 
    • VLDL: transporta principalmente triglicerídeos no sangue; 
    • Triglicerídeos: valores normais são abaixo de 150 mg/dL. Acima de 500 mg/dL, o risco de pancreatite aguda aumenta significativamente.

    Segundo o Consenso Brasileiro de Cardiologia, o jejum não é mais obrigatório para a realização do perfil lipídico na maioria dos pacientes. Isso porque o objetivo é avaliar como o organismo metaboliza as gorduras na vida real. Mas o médico pode indicar jejum em situações específicas. 

    Além do lipidograma, o médico pode solicitar outros exames para avaliar o risco cardiovascular global e identificar causas secundárias da dislipidemia: 

    • Glicemia e hemoglobina glicada: para avaliar diabetes ou pré-diabetes; 
    • TSH: para descartar hipotireoidismo; 
    • Função renal: creatinina e ureia; 
    • PCR ultrassensível: marcador de inflamação vascular associado ao risco cardiovascular.

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    Formas de tratamento para a gordura no sangue 

    O tratamento da gordura no sangue depende do tipo de dislipidemia, dos valores encontrados e do risco cardiovascular global do paciente. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida já são suficientes para normalizar os níveis. Quando não são, medicamentos são indicados. 

    Mudanças no estilo de vida  

    São sempre a primeira linha de tratamento e devem ser mantidas mesmo quando medicamentos são necessários. Alimentação equilibrada, atividade física regular, perda de peso, cessação do tabagismo e redução do álcool são as principais medidas. 

    Medicamentos  

    Quando as mudanças de hábito não são suficientes ou quando o risco cardiovascular é alto, o médico pode indicar: 

    • Estatinas: são os medicamentos mais prescritos para reduzir o colesterol LDL. Atuam inibindo a enzima responsável pela produção de colesterol no fígado. Exemplos: sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina; 
    • Fibratos: indicados principalmente para reduzir os triglicerídeos e elevar o HDL. Exemplos: fenofibrato e bezafibrato; 
    • Ezetimiba: reduz a absorção do colesterol no intestino e pode ser usada isoladamente ou em combinação com estatinas; 
    • Inibidores de PCSK9: medicamentos mais modernos e potentes para redução do LDL, indicados para casos graves ou de hipercolesterolemia familiar que não respondem às estatinas; 
    • Ácidos graxos ômega-3 em altas doses: podem ser indicados para casos de hipertrigliceridemia grave.

    O acompanhamento médico regular é fundamental para ajustar as doses, monitorar os efeitos dos medicamentos e reavaliar o perfil lipídico periodicamente. 

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