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    Hemiplegia é a paralisia de um lado do corpo, e o AVC é a causa mais comum

    A condição sempre é consequência de uma lesão no sistema nervoso central

    Fonte: Dr. Diogo HaddadMédico neurologista no Alta DiagnósticosPublicado em 01/06/2026, às 19:36 - Atualizado em 02/06/2026, às 10:01

    hemiplegia

    hemiplegia é a perda total da capacidade de movimento de um lado do corpo, incluindo o braço, a perna e, em alguns casos, parte do rosto desse mesmo lado.  

    Trata-se de uma condição neurológica grave, causada por danos no cérebro ou na medula espinhal que interrompem os sinais motores responsáveis pelo controle dos movimentos. 

    O AVC (acidente vascular cerebral) é a causa mais comum de hemiplegia em adultos. Mas a condição pode surgir em situações como traumatismo craniano, paralisia cerebral e tumores cerebrais.  

    O lado afetado depende do local da lesão no cérebro: lesões no hemisfério esquerdo causam hemiplegia do lado direito do corpo, e vice-versa.

    Hemiplegia: o que é? 

    Hemiplegia é a paralisia completa de um lado do corpo. O termo vem do grego: “hemi” significa metade, e “plegia” significa paralisia. Ela acontece quando há uma lesão nas vias motoras do sistema nervoso central (no cérebro ou na medula espinhal) que impede os sinais de movimento de chegar aos músculos do lado afetado. 

    É importante distinguir hemiplegia de hemiparesia. Embora os dois termos sejam frequentemente confundidos, eles descrevem condições de gravidade diferente: 

    • Hemiplegia: paralisia completa, ou seja, a pessoa não consegue mover o lado afetado. 
    • Hemiparesia: fraqueza muscular em um lado do corpo, sem paralisia total. A pessoa ainda consegue mover o lado afetado, mas com dificuldade e força reduzida. 

    As duas condições podem coexistir ou evoluir uma para a outra. Depois de um AVC, por exemplo, é comum que o paciente apresente hemiplegia nas primeiras horas e evolua para hemiparesia ao longo da reabilitação. E isso representa uma melhora do quadro. 

    A hemiplegia pode ser classificada quanto ao lado afetado: 

    • Hemiplegia direita: causada por lesão no hemisfério esquerdo do cérebro. Como esse hemisfério também controla a linguagem na maioria das pessoas, é comum que venha acompanhada de afasia, que é dificuldade para falar ou compreender a fala. 
    • Hemiplegia esquerda: causada por lesão no hemisfério direito. Costuma estar associada a alterações de percepção espacial e atenção. 

    Causas 

    A hemiplegia é sempre consequência de uma lesão no sistema nervoso central. As causas mais comuns em adultos são o AVC (acidente vascular cerebral) e o traumatismo cranioencefálico. Em crianças, a paralisia cerebral hemiplégica é a principal causa. 

    O AVC pode tanto ser o isquêmico, quando um coágulo obstrui uma artéria cerebral, quanto o hemorrágico, quando há ruptura de um vaso e sangramento no cérebro.

    Os sintomas de AVC costumam surgir de forma súbita e exigem atendimento de emergência imediato. 

    O traumatismo cranioencefálico seria causado por pancadas ou lesões graves na cabeça que afetariam áreas motoras do cérebro, causando hemiplegia.

    Outras causas possíveis seriam:

    • Paralisia cerebral hemiplégica: forma de paralisia cerebral em que a lesão cerebral acontece antes, durante ou logo após o nascimento, afetando apenas um lado do corpo. 
    • Tumores cerebrais: tumores que crescem em áreas motoras do cérebro podem comprimir ou destruir tecido nervoso, causando fraqueza ou paralisia progressiva de um lado do corpo. 
    • Lesão da medula espinhal: lesões no lado direito ou esquerdo da medula podem causar paralisia no lado correspondente do corpo. 
    • Esclerose múltipla: doença autoimune que ataca a mielina, que é a camada protetora dos nervos. Ela pode causar episódios de fraqueza ou paralisia em um lado do corpo. 
    • Infecções do sistema nervoso central: encefalite e meningite podem, em casos graves, causar lesões cerebrais que resultam em hemiplegia. 
    • Enxaqueca hemiplégica: forma rara de enxaqueca que causa fraqueza ou paralisia temporária em um lado do corpo durante a crise. E os sintomas regridem após o episódio. 

    Sintomas da hemiplegia 

    O principal sintoma da hemiplegia é a perda completa dos movimentos voluntários em um lado do corpo. Braço e perna do lado afetado ficam sem resposta aos comandos do cérebro, e a gravidade pode variar de acordo com a extensão e a localização da lesão. 

    De forma geral, podemos dizer que os sintomas mais comuns são: 

    • Paralisia total do braço, da mão e da perna de um mesmo lado; 
    • Alteração do tônus muscular: inicialmente o músculo pode estar flácido (hipotonia) e, com o tempo, tornar-se rígido e espástico (espasticidade); 
    • Dificuldade para andar ou incapacidade de deambulação sem auxílio; 
    • Assimetria facial. Em alguns casos, a face do lado afetado também perde movimento; 
    • Dificuldade para realizar atividades da vida diária como vestir-se, alimentar-se, escrever; 
    • Alterações na fala e na linguagem (afasia), especialmente quando a lesão afeta o hemisfério esquerdo; 
    • Dificuldade de deglutição (disfagia); 
    • Alterações sensoriais como dormência ou formigamento no lado afetado; 
    • Alterações cognitivas e de memória, dependendo da área cerebral lesada; 
    • Depressão e ansiedade, frequentemente associadas ao impacto funcional e emocional da condição. 

    A espasticidade – rigidez e contração involuntária dos músculos – é uma das complicações mais comuns na hemiplegia crônica e pode dificultar a reabilitação se não for tratada adequadamente. 

    Qual médico procurar? 

    O médico indicado para avaliar e tratar a hemiplegia é o neurologista, o especialista em doenças do sistema nervoso. Quando a causa é um AVC, o atendimento começa na emergência hospitalar, com uma equipe multidisciplinar que pode incluir neurologista, neurorradiologista e neurocirurgião. 

    Depois da fase aguda, a reabilitação costuma envolver profissionais como: 

    • Fisiatra, médico especialista em medicina física e reabilitação, responsável por coordenar o programa de reabilitação; 
    • Fisioterapeuta, que trabalha a recuperação da função motora, do equilíbrio e da marcha; 
    • Terapeuta ocupacional, que foca na recuperação das funções do braço e da mão e na adaptação para as atividades da vida diária; 
    • Fonoaudiólogo, indicado quando há afasia ou disfagia associadas; 
    • Neuropsicólogo, que avalia e trata as alterações cognitivas e emocionais. 

    Procure atendimento de emergência imediato se você ou alguém próximo apresentar, de forma súbita, fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, desvio da boca ou queda do braço. Esses podem ser sinais de AVC e cada minuto conta para preservar o tecido cerebral. 

    Exames que auxiliam no diagnóstico da hemiplegia 

    O diagnóstico da hemiplegia sempre passa por uma avaliação clínica e neurológica. O médico investiga o início dos sintomas, a velocidade de instalação, o histórico de saúde e realiza testes de força, coordenação, sensibilidade e reflexos. 

    Para identificar a causa e localizar a lesão, os principais exames solicitados são: 

    • Tomografia computadorizada de crânio: é geralmente o primeiro exame solicitado nas emergências. Permite identificar rapidamente sangramentos cerebrais, infartos extensos e lesões estruturais graves. É rápido e amplamente disponível. 
    • Ressonância magnética de crânio: oferece imagens muito mais detalhadas do tecido cerebral. É o exame mais sensível para identificar lesões isquêmicas, especialmente nas primeiras horas após um AVC, e para avaliar a extensão e localização precisa da lesão. 
    • Angiografia cerebral (angiotomografia ou angiorressonância): avalia os vasos sanguíneos do cérebro e identifica obstruções, aneurismas ou malformações vasculares. 
    • Eletroencefalograma (EEG): solicitado quando há suspeita de epilepsia associada à lesão cerebral. 
    • Exames de sangue: hemograma, coagulograma, glicemia e perfil lipídico fazem parte da investigação inicial, especialmente nos casos de AVC. 
    • Avaliação neuropsicológica: avalia as funções cognitivas e ajuda a mapear as consequências da lesão cerebral além do déficit motor. 

    A combinação da avaliação clínica com os exames de imagem permite ao médico identificar a causa da hemiplegia, definir o tratamento e estabelecer o prognóstico de recuperação. 

    Formas de tratamento para a hemiplegia 

    Não existe um tratamento que reverta completamente uma lesão cerebral estabelecida, mas a reabilitação pode promover recuperação funcional significativa, aproveitando a capacidade do cérebro de reorganizar suas conexões, fenômeno chamado de neuroplasticidade. 

    Tratamento da causa

    Quando a hemiplegia é causada por um AVC isquêmico, o tratamento de emergência pode incluir trombólise (medicamento para dissolver o coágulo) ou trombectomia mecânica (procedimento cirúrgico para remover o coágulo), desde que realizado dentro da janela terapêutica, que varia de 4,5 a 24 horas dependendo do caso. Quanto mais rápido o atendimento, menor o dano cerebral. 

    Reabilitação  

    Deve ser iniciada o mais cedo possível, ainda durante a internação hospitalar, e continuada em clínicas de reabilitação e no domicílio. As principais frentes são: 

    • Fisioterapia neurológica: foca na recuperação da função motora dos membros afetados, do equilíbrio, da postura e da marcha. Técnicas como a terapia de movimento induzido por restrição (CIMT) e a hidroterapia são amplamente utilizadas. A robótica e a realidade virtual são abordagens mais recentes com evidências crescentes de eficácia. 
    • Terapia ocupacional: trabalha a recuperação das funções do braço e da mão e adapta o ambiente e as atividades cotidianas às limitações do paciente. 
    • Fonoterapia: indicada nos casos de afasia e disfagia. 
    • Tratamento da espasticidade: pode incluir fisioterapia, medicamentos relaxantes musculares orais, infiltrações de toxina botulínica (botox) nos músculos espásticos e, em casos graves, procedimentos cirúrgicos. 

    Medicamentos  

    Além dos medicamentos para tratar a causa, podem ser indicados antiespásticos, analgésicos para dor neuropática, antidepressivos e anticonvulsivantes, conforme necessidade. 

    Adaptações e equipamentos auxiliares  

    Órteses, cadeiras de rodas, bengalas e adaptações no domicílio e no ambiente de trabalho ajudam o paciente a recuperar a independência e a segurança nas atividades diárias. 

    A recuperação é um processo lento e individual. Alguns pacientes recuperam grande parte da função motora; outros convivem com sequelas permanentes. Em todos os casos, a reabilitação melhora a qualidade de vida e a autonomia, devendo ser mantida.

     

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