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    Corrimento marrom tem várias causas, e a maioria é benigna

    Entenda o que o corrimento marrom pode indicar em cada fase do ciclo

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 01/07/2026, às 15:36 - Atualizado em 01/07/2026, às 15:36

    corrimento marrom

    corrimento marrom costuma gerar dúvidas nas mulheres, mas, na maioria delas é apenas um sinal de que o sangue demorou mais tempo para sair do útero, oxidou e ficou mais escuro. 

    Ainda assim, o momento em que o corrimento aparece – antes da menstruação, na gravidez ou fora do ciclo – e os sintomas que o acompanham interferem na interpretação desse sinal. Em algumas situações, ele pode indicar condições que merecem avaliação ginecológica.

    Corrimento marrom: o que pode indicar? 

    A cor marrom do corrimento vaginal é causada pela oxidação do sangue. Quando o sangue demora mais para ser eliminado, entra em contato com o oxigênio e fica mais escuro. Por isso a tonalidade varia de marrom-claro a marrom-escuro, dependendo de quanto tempo ficou retido. 

    As causas mais comuns são benignas e relacionadas ao ciclo menstrual. Mas o corrimento marrom também pode surgir por alterações hormonais, uso de anticoncepcionais, condições ginecológicas como endometriose e síndrome dos ovários policísticos, lesões benignas ou malignas no colo uterino, vagina ou útero ou ainda como sinal de gravidez. 

    Corrimento marrom na gravidez 

    Na gravidez, o corrimento marrom pode ter significados diferentes dependendo da fase gestacional. 

    No início da gestação  

    Entre o 7º e o 12º dia após a fecundação, um pequeno corrimento marrom-claro ou rosado pode indicar o sangramento de nidação: o momento em que o embrião se fixa na parede do útero. Esse sangramento é leve, dura no máximo dois dias e não precisa de tratamento.  

    Mas nem todas as mulheres experimentam esse sangramento e muitas o confundem com o início da menstruação. 

    Ao longo da gravidez 

    Nessa fase, um corrimento marrom escasso pode surgir como resposta normal às alterações hormonais e ao aumento da vascularização do colo do útero, especialmente após relações sexuais ou um exame ginecológico. Nesses casos, costuma cessar rapidamente e não é motivo de preocupação. 

    No entanto, o corrimento marrom na gravidez merece atenção quando: 

    • É acompanhado de cólicas, dor abdominal ou febre. 
    • Está associado a uma gravidez ectópica, quando o embrião se implanta fora do útero. Nesse caso, o corrimento marrom pode vir acompanhado de dor intensa em um dos lados do abdômen. 
    • Aparece no segundo ou terceiro trimestre, o que pode indicar descolamento de placenta ou placenta prévia, situações que exigem avaliação médica imediata. 
    • É o sinal de uma ameaça de aborto ou um aborto espontâneo em curso, especialmente quando se intensifica e passa a ter coloração mais viva.

    Corrimento marrom antes da menstruação 

    O corrimento marrom que aparece nos dias que antecedem a menstruação é um dos mais comuns e, geralmente, não indica problema. É causado pelo início da descamação do endométrio, ou seja, quando as primeiras células começam a ser eliminadas, mas o fluxo ainda não está estabelecido. O sangue sai lentamente, oxida e aparece com cor escura. 

    Quando acontece de forma pontual e cessa com o início do fluxo menstrual, é considerado normal. Mas se for recorrente, durar vários dias ou vir acompanhado de dor intensa, pode indicar condições como: 

    • Endometriose: o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero e pode causar corrimento marrom nos dias que antecedem a menstruação, além de cólicas intensas; 
    • SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina): até pouco tempo, chamada de Síndrome dos ovários policísticos (SOP), trata-se do desequilíbrio hormonal pode causar ciclos irregulares e sangramento fora do padrão habitual. 
    • Uso de pílula anticoncepcional: especialmente nas primeiras cartelas ou após mudança de método, é comum haver escape (sangramento entre os ciclos) que pode se manifestar como corrimento marrom. 
    • Insuficiência lútea: quando a produção de progesterona na fase lútea é baixa, o endométrio começa a descamar antes do esperado, gerando o corrimento marrom pré-menstrual.

    Corrimento marrom fora do período menstrual 

    Quando o corrimento marrom aparece no meio do ciclo – longe da menstruação e sem relação com o início ou fim do fluxo -, merece mais atenção. 

    As causas mais frequentes são: 

    • Sangramento de ovulação: ao redor do 14º dia do ciclo, algumas mulheres apresentam um pequeno sangramento durante a ovulação, que pode aparecer como corrimento marrom ou rosado. É benigno e passageiro. 
    • Uso de anticoncepcionais hormonais: pílulas, anel vaginal, DIU hormonal e injetáveis podem causar sangramento de escape fora do ciclo, especialmente nos primeiros meses de uso ou quando há esquecimento de doses. 
    • Infecções cervicais ou uterinas: infecções sexualmente transmissíveis como clamídia e gonorreia podem causar corrimento com coloração escura, geralmente acompanhado de odor e outros sintomas. 
    • Pólipos uterinos ou cervicais: pequenas projeções benignas no útero ou no colo do útero podem causar sangramento leve e intermitente. 
    • Miomas uterinos: tumores benignos do útero que podem alterar o padrão de sangramento. 
    • Endometriose: além do sangramento pré-menstrual, pode causar corrimento marrom em outros momentos do ciclo. 
    • Menopausa e perimenopausa: a irregularidade hormonal nessa fase pode gerar sangramentos fora do padrão habitual. 
    • Lesões no colo do útero: em casos mais raros, o corrimento marrom escuro e persistente pode ser sinal de alterações no colo do útero que precisam ser investigadas.

    Sintomas geralmente associados ao corrimento marrom 

    O corrimento marrom que aparece de forma isolada, sem outros sintomas, raramente indica algo grave. O que muda o quadro é a presença de sinais associados. 

    Os sintomas que merecem atenção quando acompanham o corrimento marrom são: 

    • Odor forte ou desagradável, que pode indicar infecção; 
    • Coceira, ardência ou irritação vaginal; 
    • Dor pélvica ou abdominal, especialmente se intensa ou persistente; 
    • Cólicas fora do período menstrual; 
    • Febre; 
    • Corrimento em quantidade maior que o habitual; 
    • Sangramento após relações sexuais; 
    • Atraso menstrual associado ao corrimento marrom, que pode ser um sinal de possível gravidez; 
    • Corrimento marrom persistente por mais de uma semana, sem relação clara com o ciclo.

    Quanto mais sintomas associados, mais importante é buscar avaliação médica. 

    Quando procurar por um médico? 

    O corrimento marrom que aparece pontualmente, sem odor, sem dor e em quantidade pequena – especialmente perto do início ou fim da menstruação – não exige uma consulta imediata. Mas procure um/a ginecologista se: 

    • O corrimento marrom for frequente ou persistente, sem relação clara com o ciclo; 
    • Vier acompanhado de dor pélvica, cólicas intensas ou febre; 
    • Tiver odor forte ou estiver associado a coceira e irritação; 
    • Aparecer após relações sexuais de forma repetida; 
    • Acontecer na gravidez, especialmente com dor abdominal associada; 
    • Você já tiver parado de menstruar, já que qualquer sangramento após a menopausa deve ser investigado 
    • Aparecer junto com atraso menstrual e suspeita de gravidez.

    Mulheres que usam DIU também devem comunicar ao médico qualquer mudança no padrão de sangramento, incluindo corrimento marrom recorrente. 

    Exames que auxiliam no diagnóstico das causas para o corrimento marrom 

    Na consulta, o ginecologista investiga o histórico menstrual, o uso de anticoncepcionais, os sintomas associados e realiza um exame físico ginecológico. Então, se for preciso investigar a causa do corrimento marrom, diversos exames podem ser pedidos, como: 

    • Papanicolau: exame que avalia as células do colo do útero. Detecta lesões, inflamações e alterações celulares que podem estar causando o sangramento; 
    • Exame de DNA do HPV (papilomavírus humano): vírus relacionado ao desenvolvimento do câncer de colo uterino; se o exame se mostrar positivo pode haver necessidade de avaliação adicional com colposcopia; 
    • Beta HCG: para descartar ou confirmar gravidez, especialmente quando há atraso menstrual associado ao corrimento marrom; 
    • Colposcopia: exame que permite visualizar o colo do útero com ampliação, indicado quando o Papanicolau ou teste do DNA do HPV mostrarem alterações ou quando há suspeita de lesões cervicais; 
    • Ultrassonografia transvaginal: avalia o útero, os ovários e o endométrio. Permite identificar miomas, pólipos, cistos ovarianos, espessamento do endométrio e sinais de endometriose ou SOMP (também conhecida por SOP); 
    • Histeroscopia: exame que permite visualizar o interior do útero com uma câmera. Indicado quando há suspeita de pólipos, miomas submucosos ou outras alterações internas; 
    • Swab vaginal e cervical: coleta de secreção para identificar infecções por bactérias, fungos ou vírus, incluindo ISTs como clamídia e gonorreia; 
    • Dosagens hormonais: FSH, LH, estradiol, progesterona e prolactina podem ser solicitados quando há suspeita de desequilíbrio hormonal como causa do sangramento irregular.

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    Tratamentos para o corrimento marrom 

    Quando o corrimento é benigno e relacionado ao ciclo menstrual ou ao uso de anticoncepcionais, geralmente não é necessário nenhum tratamento, só acompanhamento. Mas, quando há uma causa identificada, o tratamento é direcionado a ela: 

    • Desequilíbrio hormonal ou SOMP (ou SOP): ajuste ou início de anticoncepcional hormonal, conforme orientação médica. Em casos de SOMP, o tratamento pode incluir também mudança no estilo de vida e medicamentos específicos. 
    • Endometriose: o tratamento varia conforme a gravidade e pode incluir anticoncepcionais contínuos, análogos do GnRH, progestágenos ou cirurgia laparoscópica para retirada dos focos endometrióticos. 
    • Infecções: antibióticos específicos para o agente causador. Nos casos de ISTs, o tratamento deve envolver também o parceiro sexual. 
    • Pólipos uterinos ou cervicais: remoção cirúrgica por histeroscopia, geralmente em procedimento ambulatorial. 
    • Miomas: o tratamento depende do tamanho, da localização e dos sintomas. Pode variar de acompanhamento a medicamentos hormonais ou procedimentos cirúrgicos. 
    • Gravidez ectópica: intervenção médica urgente (cirúrgica ou medicamentosa) para interromper a gestação e evitar complicações graves. 
    • Alterações no colo do útero: o tratamento depende do tipo e da extensão da lesão, podendo incluir cauterização, conização ou outros procedimentos.

    Em todos os casos, o acompanhamento regular com o ginecologista é fundamental, tanto para identificar a causa quanto para monitorar a resposta ao tratamento. 

      

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