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    Câncer de mama: tudo que você precisa saber sobre a doença

    Veja os sintomas, principais formas de tratamento e fatores de risco 

    Fonte: Dra. Adriana Bittencourt CampanerGinecologistaPublicado em 29/01/2026, às 17:43 - Atualizado em 12/02/2026, às 12:11

    Tudo sobre câncer de mama

    Outubro Rosa é momento de conscientização e prevenção contra o câncer de mama. Contudo, temos que ficar alertas o ano todo. 

    Especialistas e sociedades médicas reforçam a importância do diagnóstico precoce para tratamento da doença – o que é fundamental para melhora a qualidade de vida das mulheres e, em muitos casos, amplia as chances de cura.  

    O diagnóstico precoce é como ter um “spoiler” da saúde. E receber a informação de um câncer logo no início pode salvar muitas vidas. 

    A detecção dos tumores de mama de forma precoce é fundamental para o tratamento adequado, além de diminuir os procedimentos considerados mais invasivos.  

    E é importante ficar atenta: o INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima que, durante o triênio 2023/2025, serão diagnosticados cerca de 73 mil novos casos de câncer de mama por ano. 

    Para combater o câncer de mama, o primeiro passo é saber quais são os sintomas, formas de prevenção, tipos e os tratamentos mais modernos disponíveis.

    O que é câncer de mama? 

    O câncer de mama acontece quando surge um crescimento descontrolado das células da região. Vale aqui destacar que pode atingir diferentes partes da mama, sendo que ela é composta de três partes principais: lóbulos, ductos e tecido conjuntivo.  

    • Os lóbulos são as glândulas que produzem leite.  
    • Os ductos são tubos que levam o leite até o mamilo.  
    • tecido conjuntivo envolve toda a estrutura das mamas.  

    A maioria dos cânceres de mama começa nos ductos (carcinoma ductal invasivo) ou lóbulos (carcinoma lobular invasivo).  

    Geralmente, as células anormais se dividem rapidamente e se acumulam formando um nódulo ou massa. Podem também se espalhar da mama para os gânglios linfáticos, ou para outras partes do corpo como ossos, pulmão, fígado e cérebro. Essa condição é conhecida como metástase.  

    Estima-se que cerca de 30% dos casos de câncer de mama, mesmo quando são detectados precocemente, se tornam metastáticos, o que aumenta o risco de morte.  

    Tipos de câncer de mama 

    Os tipos de câncer de mama variam principalmente de acordo com a sua localização original (como os ductos ou os lóbulos) e se são invasivos ou não. Os mais conhecidos são: 

    • Carcinoma ductal in situ: câncer não invasivo localizado apenas dentro do ducto mamário, sem atingir outros tecidos. É considerado uma lesão pré-invasiva, com potencial de evoluir para carcinoma invasivo se não tratada. 
    • Carcinoma ductal invasivo: é o tipo mais comum e se inicia no ducto, mas consegue crescer até o tecido adiposo ao redor, podendo se espalhar para outras áreas do corpo. 
    • Carcinoma lobular in situ: surge nos lóbulos e divide-se em clássico (que não é invasivo, mas eleva o risco de câncer invasor em ambas as mamas) e o pleomórfico (que pode evoluir para um câncer invasivo). 
    • Carcinoma lobular invasivo: caracteriza-se por se disseminar pelo estroma (tecido conjuntivo) e é o tipo com maior probabilidade de afetar ambas as mamas. Também pode afetar vários locais da mama ao mesmo tempo. 
    • Câncer de mama inflamatório: um tipo mais raro e agressivo que afeta a pele da mama, dando a ela um aspecto de “casca de laranja”, o que por vezes atrasa o diagnóstico

    Fatores de risco para Câncer de Mama 

    Diversos fatores podem causar o câncer de mama. A questão hormonal e estilo de vida menos saudável, por exemplo, aumentam o risco da doença.  Entre as causas do câncer de mama, estão:  

    Ser mulher

    Você sabia que os homens também podem ter câncer de mama? No entanto, as mulheres são muito mais propensas a ter a doença. Estima-se que os casos masculinos da doença representam de 0,5 a 1%, apenas.  

    Idade avançada 

    Mulheres acima de 50 anos têm o risco aumentado de desenvolver câncer de mama. 

    Histórico familiar

    Se a mãe, irmã ou filha foi diagnosticada com câncer de mama, principalmente em uma idade jovem, amplia-se o risco de desenvolver a doença. 

    Questão genética 

    Algumas mutações genéticas que aumentam o risco de câncer de mama podem ser passadas de pais para filhos. Os mais conhecidos são BRCA1 e BRCA2 

    Vale destacar que todas as pessoas têm esses genes, mas algumas herdaram a forma alterada (mutação) de um deles, sendo que estes são mais propensos a desenvolver o tumor. Geralmente, é comum que este tipo de câncer de mama apareça mais cedo, por volta dos 30 anos. E pode ainda ser mais agressivo e atingir as duas mamas.  

    Assim, é importante que a mulher conheça seu histórico familiar, faça testes genéticos, exames a cada seis meses e avalie se há necessidade de cirurgia redutora de riscos.  

    Mulheres que apresentam maior risco genético devem começar a realizar a mamografia de rastreamento antes dos 40 anos.  

    Obesidade

    Estar acima do peso faz com que o organismo fique mais “inflamado”, já que há maior secreção de hormônios como estrogênio. Por conta disso, há maior proliferação celular, predispondo o corpo ao câncer.  

    Menarca precoce e menopausa tardia

    Os pesquisadores já sabem que as mulheres que menstruam antes dos 12 anos estão mais suscetíveis à doença. O mesmo acontece com mulheres que entram em menopausa em uma idade mais avançada.  

    Gravidez tardia

    As mulheres que engravidam de seu primeiro filho após os 30 anos podem ter um risco aumentado de câncer de mama. E aquelas que nunca engravidaram também.  

    Reposição hormonal

    Algumas mulheres que estão entrando na menopausa podem tomar medicamentos que combinam hormônios para diminuir os sintomas desagradáveis do período.

    Chamada de terapia hormonal, essa estratégia, quando usada por um longo período, pode ser um fator de risco para o câncer de mama.  

    Mas, os especialistas reforçam que cada caso deve ser avaliado individualmente, já que a terapia hormonal é uma medida benéfica para diminuir os desconfortos da menopausa.    

    Uso de bebidas alcoólicas e tabagismo 

    consumo de álcool e o uso de cigarro também são considerados fatores de risco para o câncer de mama. Isso porque podem danificar o DNA das células e causar estresse oxidativo, o que facilita a penetração de carcinogênicos (algo que estimula o aparecimento de carcinomas ou câncer em um organismo) ambientais nas células. Além disso, alteram o metabolismo hormonal do corpo.  

    Estádios do câncer de mama 

    Para determinar quais são os melhores tratamentos e as taxas de sobrevida do indivíduo, o câncer de mama é classificado em estádios. Dessa forma, os especialistas determinam se a doença está apenas nas mamas, ou se já se estendeu para outros órgãos. A seguir, veja detalhes: 

    • Câncer de mama estádio I: são cânceres relativamente pequenos (≤2 cm) e não se disseminaram para os linfonodos. Representam doença localizada e inicial, com excelente prognóstico. 
    • Câncer de mama estádio II: são cânceres maiores (2–5 cm) e se disseminaram para alguns linfonodos próximos. 
    • Câncer de mama estádio III: o tumor é maior ou está crescendo nos tecidos próximos ou se disseminou para vários linfonodos. É uma doença localmente avançada, mas sem metástase à distância. 
    • Câncer de mama estádio IV: é o câncer de mama avançado, ou seja, já se espalhou para outros órgãos. 

    Sintomas do câncer de mama 

    Muitas vezes, o câncer de mama é assintomático em suas fases iniciais, ou seja, não apresenta sintomas e é detectado em exames de rotina. No entanto, algumas mulheres podem apresentar alguns sinais e sintomas. 

    A seguir, você confere os principais sintomas que merecem atenção:  

    • Nódulo endurecido no seio; 
    • Mamilo invertido; 
    • Vermelhidão na região; 
    • Secreções pelos mamilos; 
    • Inchaço nas mamas; 
    • Espessamento ou retração da pele ou do mamilo; 
    • Irritação local; 
    • Dor na mama ou no mamilo.

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    Diagnóstico precoce do câncer de mama

    Mesmo com a correria do dia a dia, é importante observar qualquer alteração nas mamas. E, em seguida, procurar um ginecologista ou mastologista. Esse passo pode ser fundamental para a detecção precoce do câncer da mama. 

    Vale reforçar que, se o câncer for detectado em fases iniciais, aumentam-se as chances de tratamentos menos agressivos e com maiores taxas de cura. 

    Por conta disso, a recomendação da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia) é que mulheres a partir dos 40 anos realizem a mamografia de rastreamento, anualmente. Sendo assim, elas fazem o exame antes mesmo de surgirem os sintomas. 

    Mamografia no diagnóstico precoce do câncer de mama 

    mamografia é um tipo de radiografia das mamas, que identifica alterações suspeitas de câncer. Além disso, para chegar a um diagnóstico, o especialista pode solicitar a ultrassonografia e/ou ressonância magnética complementares.  

    Quando a mamografia é realizada preventivamente em mulheres a partir dos 40 anos, é possível diagnosticar lesões muito pequenas, que ainda não são palpáveis e que podem estar em uma fase pré-maligna.

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    O que é Bi-Rads?

    Para avaliar se o nódulo é câncer segue-se um sistema de padronização de laudos e exames de imagem da mama chamado de Bi-Rads (Breast Imaging Reporting and Data System). 

    A escala não corresponde a um diagnóstico, mas a uma descrição que representa o risco de o achado ser um câncer de mama, orientando a conduta médica após o exame. 

    O sistema Bi-RADS classifica o exame em categorias de 0 a 6:

    • BI-RADS 0: Achado inconclusivo. Há um achado, mas não foi possível caracterizar, sendo então exigida uma avaliação adicional para maiores esclarecimentos por meio de outros exames; 
    • BI-RADS 1: não há nenhum achado, o exame é considerado normal e recomenda-se manter o rastreamento de rotina; 
    • BI-RADS 2: há um achado benigno, sendo necessária somente a continuação dos exames de rastreio normalmente; 
    • BI-RADS 3: provavelmente trata-se de um achado benigno (Exemplo: cisto simples, linfonodo intramamário, etc). Recomendado seguimento mais curto com exame de imagem (em geral a cada 6 meses até completar 2 a 3 anos) para documentar estabilidade; 
    • BI-RADS 4: achado suspeito e que, portanto, merece uma biópsia; 
    • BI-RADS 5: achado altamente suspeito e característico de câncer (com 95% de chance de ser um tumor), devendo ser submetido a biópsia; 
    • BI-RADS 6: nesse caso, já há um diagnóstico de câncer. O BI-RADS 6 é definido quando a paciente ainda não operou, mas realiza o exame para conferir, por exemplo, se o tumor diminuiu após sessões de quimioterapia ou para que a cirurgia seja planejada

    No entanto, a confirmação do câncer de mama só é realizada após uma biópsia, ou seja, quando se retira um fragmento do nódulo ou lesão por meio de uma extração por agulha. Em seguida, esse material é analisado para concluir se é realmente um câncer. 

    Tipos de tratamento para o câncer de mama

    O tratamento do câncer de mama varia de acordo com o estadiamento da doença. E a boa notícia é que a forma de tratar tem avançado cada vez mais. No passado, era bastante comum que a mulher, logo após o diagnóstico, já fosse submetida a uma cirurgia de retirada total das mamas (mastectomia radical). 

    Hoje em dia, há diversas medidas terapêuticas, que visam a qualidade de vida e a preservação da mama, quando for possível. 

    E também há testes que definem com maior precisão a necessidade de alguns tratamentos, como a quimioterapia. É o caso do teste Endopredict®, que prevê a chance de recorrência precoce do câncer de mama. Trata-se de um teste genômico que analisa a expressão de 12 genes do tumor.  

    O resultado desse teste é acrescido da informação de dados clínicos (tamanho do tumor, presença de linfonodos com metástase) da paciente, o que gera um escore importante no tratamento e acompanhamento da paciente. Geralmente este teste é realizado após a cirurgia e é um teste bastante acurado. É possível detectar o risco de desenvolver metástase em dez anos.  

    O teste também aponta se há a possibilidade de dispensar a quimioterapia e suas eventuais complicações, permanecendo apenas com a terapia endócrina. Dessa forma, aumenta bastante a qualidade de vida dessas mulheres. 

    Abaixo, você confere de forma bastante resumida como funciona o tratamento para quem tem câncer de mama: 

    Cirurgias: nas fases iniciais do câncer de mama, pode ser indicada a cirurgia para retirada apenas do tumor e a região ao redor ou a mastectomia (retirada parcial ou total da mama). 

    Quimioterapia: é o tratamento realizado com medicamentos para destruir o câncer, que são administrados por via intravenosa (injeção numa veia) ou por via oral. 

    Radioterapia: são usadas radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que formam o tumor. Geralmente é indicada após cirurgia para evitar que o câncer volte. 

    Terapia alvo: são aplicadas drogas para bloquear as alterações moleculares que podem surgir em alguns tumores. 

    Imunoterapia: os medicamentos ajudam o sistema imunológico a identificar o tumor como um inimigo e o atacam. 

    Ao final do tratamento e cura do câncer, a mulher precisará realizar consultas frequentes com o oncologista. E também serão solicitados exames de acompanhamento, como sangue, mamografia, etc. Isso é necessário para detectar precocemente possíveis recidivas, ou seja, quando o câncer volta. 

    Como prevenir a doença?

    Os fatores hereditários e os associados ao ciclo reprodutivo da mulher não são modificáveis. Porém, algumas mudanças na rotina já contribuem com a prevenção do câncer de mama. São eles: 

    • Controlar o excesso de peso corporal 
    • Realizar atividade física regular (mínimo de 150 minutos por semana) 
    • Não beber ou fumar 
    • Fazer acompanhamento ao realizar a terapia hormonal 
    • Manter uma alimentação saudável: consumir mais alimentos naturais e menos processados e embutidos 
    • Amamentar, se for possível

     

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